16/08/2026
⁉️❕Esta é uma pergunta que aparece muitas vezes no meu consultório. São pessoas que passaram grande parte da vida a adaptar-se para pertencer. E, entre pessoas neurodivergentes, pode ganhar um significado particular.
Durante anos, algumas aprenderam a controlar a intensidade, ensaiar aquilo que vão dizer, esconder dificuldades, observar constantemente as reações dos outros ou tentar corresponder a formas de estar consideradas socialmente mais “adequadas”.
Contudo essas “habilidades” de adaptação não são exclusivas de pessoas neurodivergentes e nem de pessoas com traumatização.
Uma abordagem atenta à neurodiversidade não deve transformar características neurodivergentes em sintomas traumáticos que precisam de ser corrigidos.
O trauma está na forma como vivemos a história e não no acontecimento em si. Pode estar presente numa rejeição repetida, no bullying, na ausência de compreensão ou em experiências precoces e repetidas de negligência e imprevisibilidade na infância.
Por isso, duas pessoas podem apresentar comportamentos aparentemente semelhantes e ter processos completamente diferentes.
❣️É aqui que uma abordagem somática e sensível ao trauma se torna particularmente importante pois na terapia somática abordo a narrativa sobre os sentimentos, significados e comportamentos, mas também levo a atenção à experiência que está a acontecer no corpo, no momento em que estamos no setting terapêutico.
Este caminho apoia a pessoa a reconhecer o que pertence à sua neurodivergência, o que pertence à sua história, o que foi aprendido como proteção e aquilo que continua a ser necessário no presente. Ofereço a construção de uma relação suficientemente segura e um espaço de curiosidade onde mente e corpo começam a distinguir: isto sou eu; isto aconteceu comigo; isto aprendi para me proteger; e isto posso agora escolher.
💫Talvez seja este um dos movimentos mais importantes do processo terapêutico: poder sentir, pouco a pouco que é possível pertencer sem precisar de se abandonar.