Laura Cónego - Psicoterapia Psicanalítica e Psicologia Clínica

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✍️Esta foi uma das leituras que fiz este verão. Devorei este livro, lindo do ponto de vista da escrita, dos testemunhos ...
09/09/2026

✍️Esta foi uma das leituras que fiz este verão. Devorei este livro, lindo do ponto de vista da escrita, dos testemunhos tão reais, da forma tão próxima como são descritos os casos clínicos e sentidos pela Galit como psicanalista.

✍️E se aquilo que sentimos como sendo nosso… nem sempre começou em nós?”

Foi uma das perguntas que me acompanhou durante a leitura de Herança Emocional.

O que achei particularmente interessante neste livro foi a forma como nos convida a pensar sobre aquilo que herdamos emocionalmente da nossa família: medos, silêncios, formas de amar, de nos relacionarmos, de lidar com a dor… e até padrões que parecem repetir-se sem percebermos muito bem porquê.

E isto fez-me pensar numa coisa importante: compreender a nossa história não é o mesmo que f**ar presos a ela.

Às vezes, só quando conseguimos olhar para aquilo que recebemos é que começamos a distinguir o que é nosso daquilo que simplesmente aprendemos a carregar.

E talvez seja precisamente aí que começa a possibilidade de fazer diferente.

Porque a pergunta deixa de ser apenas “Porque é que eu sou assim?”…

e passa a ser:

“O que é que, na minha história, me trouxe até aqui?”

E esta foi, sem dúvida, uma das reflexões que mais gostei de levar comigo desta leitura.

Numa das últimas sessões, uma paciente disse-me:"Se eu fingir que não me magoa, talvez não tenha tanta importância.”Fiqu...
25/08/2026

Numa das últimas sessões, uma paciente disse-me:

"Se eu fingir que não me magoa, talvez não tenha tanta importância.”

Fiquei a pensar nesta frase.

Quantas vezes tentamos diminuir aquilo que sentimos para conseguirmos continuar?

Não falar.
Não mostrar.
Não reagir.
Como se, ao fingirmos que não dói, a dor pudesse tornar-se menos real.

Mas aquilo que não podemos sentir não desaparece.
Às vezes, apenas encontra outras formas de existir.

Na psicoterapia, há algo profundamente importante em poder dizer "isto magoou-me” e encontrar, do outro lado, alguém que f**a. Que escuta. Que não apressa a dor.

Talvez seja também isto que uma relação terapêutica constrói ao longo do tempo:

Um lugar onde já não precisamos de fingir que não dói para conseguirmos suportar o que sentimos.

Porque, às vezes, não precisamos de sentir menos.
Precisamos apenas de não f**ar sozinhos com aquilo que sentimos 🧡

✍️Há sessões que parecem marcar um antes e um depois.Esta foi uma delas.Depois de três anos e vários meses de caminho pa...
18/08/2026

✍️Há sessões que parecem marcar um antes e um depois.
Esta foi uma delas.

Depois de três anos e vários meses de caminho partilhado, houve espaço para a emoção — a dela e a minha — sem que fosse preciso fugir dela, agir sobre ela ou transformá-la imediatamente em alguma coisa.

Ela pôde permanecer junto da tristeza, da frustração, da desilusão.... Situações que, noutras alturas, talvez a levassem à impulsividade, à reação, à urgência de fazer qualquer coisa.

E então disse, quase com surpresa:
“Estou a estranhar isto em mim… "

Talvez seja isto também que se constrói numa relação terapêutica ao longo do tempo:

um lugar onde se pode sentir sem imediatamente agir,
onde a dor pode existir sem transbordar,
onde o outro permanece.

E talvez, entre tantas palavras, tenha sido também isso que aconteceu entre nós:

duas pessoas puderam emocionar-se,
sem perder o lugar de cada uma.

Uma relação construída devagar,
sessão após sessão,
até que aquilo que um dia precisava de ser contido pelo outro
começa, pouco a pouco,
a poder ser contido dentro de si 🧡

E tu, fazes terapia? 🙃
08/07/2026

E tu, fazes terapia? 🙃

🌊Sou psicóloga e psicoterapeuta, e nestes momentos de pausa recordo-me de que não somos apenas aquilo que fazemos, mas t...
06/07/2026

🌊Sou psicóloga e psicoterapeuta, e nestes momentos de pausa recordo-me de que não somos apenas aquilo que fazemos, mas também aquilo que conseguimos integrar, transformar e devolver ao mundo depois de cada experiência vivida.

🌊Esvaziar para que volte a haver espaço. Espaço interno para acolher mais histórias, mais vidas, mais pessoas dentro daquilo que é o meu património, o meu legado. Uma constante construção e reconstrução.

Que vida recheada que tenho — de memórias dentro de mim, de encontros que deixam marca, de histórias que me atravessam e me transformam também

🌊Foi um ano pensamentos, reflexões, novas histórias, novos legados, novos caminhos a percorrer.

Houve espaço pelo meio para novos desafios dentro daquilo que é o ensino (FMUP). Com alguma ansiedade à mistura, mas tudo se fez.

🌊Também houve espaço para encontros com colegas — e que importância isso tem! O partilhar, o trocar, o reconhecer que a prática também se constrói em rede e em espelhos que nos devolvem outras perspetivas.

Foi tempo de recuar, repousar, descansar, despir-me um pouco de todas as responsabilidades que esta profissão também traz.

Porque também é isto o cuidado: parar para continuar a cuidar. Silenciar para voltar a escutar. Respirar para poder estar presente de forma mais inteira.

E agora, neste intervalo necessário, deixo espaço para o vazio fértil que antecede o recomeço 🍀

Existir...Excelente domingo 😊
14/06/2026

Existir...

Excelente domingo 😊

A frase pode ser entendida como um convite à humildade clínica: as teorias são necessárias, mas o sujeito sempre excede ...
02/06/2026

A frase pode ser entendida como um convite à humildade clínica: as teorias são necessárias, mas o sujeito sempre excede os conceitos que tentam descrevê-lo.

O mapa orienta o caminho; a escuta do território vivo é o que permite verdadeiramente o trabalho analítico.

A metáfora do “mapa” remete ao saber teórico: ele orienta, ajuda a localizar fenómenos e oferece hipóteses de leitura.

Entretanto, o “território vivo” representa aquilo que escapa à totalização do conhecimento: o desejo, o inconsciente, a história singular e as formas particulares de sofrimento de cada pessoa.

Já o caráter “único” aponta para a singularidade subjetiva de cada pessoa.

Na perspetiva psicanalítica, a Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) não é vista apenas como um conjunto de sintomas (p...
21/05/2026

Na perspetiva psicanalítica, a Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) não é vista apenas como um conjunto de sintomas (pensamentos intrusivos e rituais), mas como a expressão de um conflito interno profundo entre desejos, proibições e a necessidade de controlo psíquico.

Em termos clássicos, especialmente a partir de Sigmund Freud, a organização obsessiva pode ser compreendida assim:

1. Conflito entre desejo e proibição
2. Formação de compromissos psíquicos
3. Isolamento do afeto
4. Necessidade de controlo e omnipotência
5. Ambivalência e culpa

Para a psicanálise, a POC não é apenas um problema de “excesso de organização” ou “medo de contaminação”, mas uma forma complexa de lidar com conflitos internos intensos, onde o pensamento e o ritual funcionam como defesa contra a angústia e o desejo.

Na perspetiva psicanalítica, a dificuldade em fazer escolhas não é apenas “indecisão” — muitas vezes é o resultado de co...
18/05/2026

Na perspetiva psicanalítica, a dificuldade em fazer escolhas não é apenas “indecisão” — muitas vezes é o resultado de conflitos internos, ambivalências e experiências precoces que continuam a influenciar o modo como a pessoa se relaciona consigo e com o mundo.

1. Conflito entre desejos e proibições internas
2. Medo da perda e da separação
3. Dependência emocional e dificuldade de separação psíquica
4. Ambivalência não elaborada
5. Repetição de padrões inconscientes

Do ponto de vista psicanalítico, não ter expectativas de todo não é propriamente possível — e, se fosse, talvez nem seri...
12/05/2026

Do ponto de vista psicanalítico, não ter expectativas de todo não é propriamente possível — e, se fosse, talvez nem seria desejável.

- As expectativas não são apenas pensamentos conscientes sobre o futuro. Elas fazem parte do funcionamento psíquico mais básico: são formas de antecipar o mundo, de dar sentido ao que ainda não aconteceu e de organizar a nossa relação com os outros.

- As expectativas não são apenas pensamentos sobre o futuro — são, muitas vezes, repetições do passado à espera de confirmação.

Na perspetiva psicanalítica, aquilo que esperamos do outro e de nós próprios raramente nasce do nada: é tecido pelas primeiras relações, pelas experiências de cuidado, pelas ausências e pelos excessos que fomos vivendo ao longo da vida.

Frequentemente, não esperamos apenas “o que vai acontecer”… esperamos, inconscientemente, reencontrar aquilo que já conhecemos.

Por isso, algumas expectativas aliviam — dão-nos previsibilidade. Outras aprisionam — fazem-nos repetir padrões mesmo quando já não fazem sentido.

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