07/08/2026
(English in the comments)
A minha última gravidez não foi planeada. Aconteceu numa altura em que o mais novo tinha 2 anos e ainda mamava e a outra tinha 4. Tinha dois pequeninos nos braços e encontrava-me em pleno mergulho nas profundezas do submundo.
Uma parte de mim estava completamente chocada com a brutal capacidade de concepção do meu corpo numa altura em que me sentia completamente desgastada, deprimida e sustentada apenas por parcos fios de um corpo frágil em recuperação depois de dois partos e anos de amamentação.
Outra parte de mim entrou em conflito porque a vida é vida e como sempre reverênciei a vida, sentia-me entre a escolha impraticável entre a minha vida e a vida da minha filha.
Por outro lado agradecia o milagre da vida e imaginava como seria esta filha enquanto procurava ansiosamente a reacção do Pai....
O pai completamente receptivo e eu completamente destroçada. Sabia no mais íntimo de mim que os recursos para maternar falhavam. Tanto a mim como aos meus filhos.
Como poderia dar à luz em plena escassez e imersa na sombra de mim mesma?
Foi a decisão mais (ir) racional que fiz e ainda assim uma escolha de (pro) amor com tudo aquilo que é possível de um lugar de desgaste, de falta de recursos e completo desamparo de uma sociedade que acredita que maternar é algo intrínseco a qualquer mulher e que é realizado por e pago com "amor".
HONRAR AS PERDAS - Círculo de suporte para pais de perda gestacionais e neonatais.
Próximo círculo em Outubro 2026
[email protected]
Artwork | Perda
Luísa Camejo