22/04/2026
Neste mês de abril não quero deixar passar de falar sobre um tema que me tem apaixonado muito nos últimos anos e que é um mundo... o autismo.
O conhecimento sobre o autismo tem evoluído significativamente nas últimas décadas. Antes era visto apenas como um conjunto de limitações ou uma perturbação a ser “corrigida”, hoje, começa a ser compreendido dentro de uma perspetiva mais ampla: a da neurodivergência. Este conceito reconhece que existem diferentes formas de funcionamento cerebral, e que o autismo não é apenas um défice, mas uma variação natural da diversidade humana.
Do ponto de vista da neurodivergência, pessoas autistas possuem maneiras únicas de perceber, processar e interagir com o mundo. Podem apresentar desafios na comunicação social ou na adaptação a mudanças, mas também trazem consigo competências valiosas, como atenção ao detalhe, pensamento lógico e grande capacidade de foco em interesses específicos.
A aceitação do autismo implica uma mudança de paradigma: em vez de tentar “normalizar” o indivíduo, a sociedade deve adaptar-se para incluir diferentes formas de ser e estar. Isso envolve promover ambientes mais acessíveis, respeitar as necessidades sensoriais e valorizar a identidade autista.
Assim, mais do que falar apenas em inclusão, fala-se em pertença — onde cada pessoa é reconhecida na sua singularidade e dignidade.
Adotar a perspetiva da neurodivergência é, portanto, um passo essencial para construir uma sociedade mais empática, justa e verdadeiramente inclusiva.