13/06/2026
Eleonore Frankl, Elly, partiu há 2 dias, dia 10 de junho, com 100 anos. O seu marido, Viktor Frankl, partiu aos 92 anos, a 2 de setembro de 1997, sussurrando ao ouvido da sua mulher o seu “obrigado” por tudo o que ela tinha significado para ele. Pouco antes da sua partida desafiou-a a encontrar uma dedicatória especial num dos seus livros da sua biblioteca. Ela só conseguiu encontrá-la mais tarde numa cópia do livro “Homo Patiens”, publicado em 1950. Originalmente, o livro tinha uma página em branco na qual aparecia apenas o nome “Elly”. Frankl tinha acrescentado com a sua caneta a palavra "für" (para) e completou-a com a seguinte dedicatória: “Para Elly, que conseguiu transformar um homem sofredor (Homo Patiens), num homem amoroso (Homo Amans)” (citado por Klingberg, 2001).
Num mundo devastado pelas atrocidades da 2ª guerra mundial, as quais experimentou na própria pele em 4 campos de concentração, e sofrendo a profunda dor da perda dos seus, Frankl encontrou em Elly a possibilidade de renascer das cinzas e a prova de que o amor é a mais elevada meta que o homem pode aspirar.
Elly envolveu-se profundamente na causa de ajudar as pessoas a encontrarem um sentido e sobretudo, a requalificarem a experiência do sofrimento inevitável em algo maior, cultivando a elevação do espírito. Sem a sua presença jamais a Logoterapia teria atingido a difusão à escala universal enquanto a Terceira Escola Vienense que humanizou a Psicoterapia e possibilitou à pessoa tornar-se plenamente humana.
Quando há 10 anos atrás me propus desenhar um curso e uma metodologia que se constituam como ferramentas para o esclarecimento do propósito de vida, a Logoterapia de Viktor Frankl não se tornou apenas a matriz mais fundamental do meu projeto de trabalho, mas também a inspiração mais profunda da minha jornada pessoal.
Uma vez realizados, o bem e a beleza ficam conservados para todo o sempre.
Obrigada por este imenso legado, Elly e Viktor 💚.