06/09/2026
Quase 4 em cada 10 crianças têm excesso de peso em Portugal. E 44,7% consomem fast food regularmente.
Mas o problema não começa no McDonald’s. Começa muito antes. Começa em casa. Começa cedo.
Começa quando normalizamos que uma criança coma papa de caixa ao pequeno-almoço — cheia de açúcar, hidratos refinados e sem proteína nem gordura boa. Quando o lanche é um iogurte “de criança” com mais açúcar do que um gelado. Quando o sumo de fruta embalado passa por saudável. Quando os cereais coloridos com mascote animada são o pequeno-almoço de todos os dias.
A indústria alimentar percebeu há muito tempo que se conseguisse criar hábitos nas crianças, teria consumidores para a vida. E criou uma categoria inteira de produtos — “alimentos para crianças” — que não são mais do que ultraprocessados com embalagens cor-de-rosa e personagens de desenhos animados.
O resultado está à vista.
Um metabolismo que começa a ser destruído antes dos 5 anos. Um pâncreas que aprende desde cedo a lidar com picos de glicemia constantes. Um intestino que nunca conheceu a microbiota saudável que devia ter. Um Baço-Pâncreas — na visão da Medicina Tradicional Chinesa — que nunca foi nutrido como devia, que acumula humidade desde criança e que chega à idade adulta já esgotado.
E depois chegamos aos 35, aos 40 anos — com metabolismo lento, resistência à insulina, inflamação crónica, dificuldade em perder peso — e perguntamo-nos o que correu mal.
Não é culpa nossa. Mas é nossa responsabilidade perceber o que está a acontecer — e começar a mudar.
Para nós. E para os nossos filhos.
Sentes que o teu metabolismo foi comprometido?