OPIN Opiniões Infinitas, Lda

OPIN Opiniões Infinitas, Lda A OPIN, Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental, projecto da Dra. Paula Carvalho, psiquiatra, contan

Para além das diferentes e complementares abordagens clínicas, adaptadas às especificidades de cada pessoa/grupo, os profissionais da OPIN desenvolvem um trabalho em equipa, com discussão de casos, supervisão e intervisão clínicas.

“Entender o passado”, não significa reconstituí-lo exatamente como foi. O passado não existe mais. O que existe são frag...
29/08/2026

“Entender o passado”, não significa reconstituí-lo exatamente como foi. O passado não existe mais. O que existe são fragmentos, ecos, impressões emocionais, que surgem, não de forma neutra — mas relampeiam quando a vida presente é familiar.

No momento de perigo — emocional, existencial, ou mesmo social — o passado reaparece. Mas não como cronologia.
Aparece como metáfora. Como aviso. Como chave.

🧠 Em psicoterapia, é este o trabalho invisível:
Reconhecer que o passado só tem valor quando ilumina o presente.
Não é arqueologia. É alquimia.

Para muitas pessoas, o problema não é “sentir demais”. É ter aprendido que sentir é arriscado. É viver sempre no travão ...
26/08/2026

Para muitas pessoas, o problema não é “sentir demais”. É ter aprendido que sentir é arriscado. É viver sempre no travão emocional, numa postura constante de contenção. Este carrossel desmascara o supercontrolo: aquilo que parece estabilidade, mas esconde dor.

Mais do que empatia passiva, a compaixão é ativa:👉 É o desejo profundo de aliviar o sofrimento — nosso ou do outro.👉 E e...
22/08/2026

Mais do que empatia passiva, a compaixão é ativa:
👉 É o desejo profundo de aliviar o sofrimento — nosso ou do outro.
👉 E esse desejo cura quem recebe… e quem oferece.

🧠 Até o treino da compaixão (como o Compassion-Focused Therapy ou práticas budistas de metta) tem efeitos visíveis:

Melhoria do humor e autoestima;

Redução de sintomas depressivos e de ansiedade;

Fortalecimento de redes de suporte social.

Estudos de neuroimagem mostram que praticar compaixão ativa áreas cerebrais associadas ao prazer e à ligação social - zonas que se acendem quando nos sentimos conectados, úteis e seguros.

Praticar compaixão não é apenas um favor ao mundo.
É regeneração mútua.
É cura circular.
E é uma das formas mais seguras de começar a sentir que, afinal…
somos parte de alguma coisa.

Não conseguimos realmente fugir da vergonha — apenas escolher como a encenamos.Retiramo-nos e encolhemos.Ou castigamo-no...
19/08/2026

Não conseguimos realmente fugir da vergonha — apenas escolher como a encenamos.
Retiramo-nos e encolhemos.
Ou castigamo-nos sem fim.
Ou anestesiamos com compulsões.
Ou culpamos e atacamos os outros.
O trabalho não é “eliminar a vergonha”. É aprender a transformar a vergonha tóxica em saudável — e deixar que ela nos oriente para valores, em vez de nos afundar em loops que em vez de a resolver, a intensificam. E enquanto isso, sabotam a nossa vida, e a pessoa que sentimos ser.

O “porquê” é aquilo que nos ancora: uma pessoa, um valor, um gesto de dignidade. Frankl via isso até nos campos de conce...
15/08/2026

O “porquê” é aquilo que nos ancora: uma pessoa, um valor, um gesto de dignidade. Frankl via isso até nos campos de concentração: os que encontravam uma missão — cuidar de alguém, escrever um livro, manter uma atitude digna — sobreviviam com uma força inesperada.

Quando o sentido falha, o prazer e o poder aparecem como substitutos. Mas não resultam.
O prazer passa. O poder gera mais sede.

O vazio pode ser um convite.
Não pede que o anestesiemos. Pede preenchimento através de uma direção.

A disciplina tem má fama. É vista como algo que limita, mas na realidade, ela é o que nos dá controlo sobre a nossa vida...
12/08/2026

A disciplina tem má fama. É vista como algo que limita, mas na realidade, ela é o que nos dá controlo sobre a nossa vida, e, assim, liberdade. Porque a liberdade não vem da ausência de regras, sacrifícios ou limites, mas da capacidade de os escolher.
💡 Disciplina é, então, a liberdade de escolhermos o que é melhor para nós, mesmo quando é difícil. O sacrifício que preferimos, as paredes do nosso paraíso. É um ato de amor próprio, porque constrói o futuro em vez de nos deixar à deriva no presente.

Ao construir um sistema, um conjunto de valores e uma rotina, libertamo-nos da aleatoriedade e infinitude de opções que nos podem paralisar.

No meio da luta, tudo parece caos. Dor, esforço, resistência.Mas quando olhamos para trás, percebemos que foi exatamente...
08/08/2026

No meio da luta, tudo parece caos. Dor, esforço, resistência.
Mas quando olhamos para trás, percebemos que foi exatamente aí que crescemos.

O que dói no presente transforma-se em significado no futuro.
As cicatrizes tornam-se símbolos de força.
O desespero transforma-se em narrativa.
A queda transforma-se em viragem.

É por isso que a memória não guarda apenas o sofrimento — guarda a beleza de o ter atravessado.
As batalhas nunca parecem belas enquanto as vivemos. Mas depois reconhecemos que foram o lugar onde nos tornámos quem hoje nos orgulhamos de ser.

Grande parte das más decisões não vem de falta de inteligência, mas de informação contaminada.Quando estamos cegos por m...
05/08/2026

Grande parte das más decisões não vem de falta de inteligência, mas de informação contaminada.
Quando estamos cegos por medo, vergonha ou impulsos, o cérebro não recebe dados claros — interpreta distorções como verdades.

A consciência funciona como filtro: limpa ruído, dá nome ao que sentimos, devolve nuance ao que parecia absoluto.
Não é magia, é neurociência: o córtex pré-frontal só pode decidir bem se a informação que recebe estiver menos poluída.

A consciência não cria novas respostas — apenas devolve clareza às escolhas que já estavam disponíveis.
Não é o mundo que se transforma, mas sim a qualidade da lente com que o vemos.

A mente pode acreditar numa nova narrativa.Mas se o corpo não se sente seguro,a antiga continua a comandar.A chave é com...
01/08/2026

A mente pode acreditar numa nova narrativa.
Mas se o corpo não se sente seguro,
a antiga continua a comandar.

A chave é começar a observar:
– Onde me retraio?
– Onde aperto?
– Onde congelo?

Crença limitante não é só uma ideia. É uma estrutura no corpo. É um reflexo automático. É um padrão de contração. (E é no corpo que ela vive mais tempo.) Por isso, se queres saber se há uma crença a limitar-te… ouve o que o corpo está a fazer quando falas sobre o assunto.

📌 Sou rejeitado por uma faculdade. É o primeiro fracasso? Neutro. É o centésimo? Desesperança. O facto? O mesmo: fui rej...
29/07/2026

📌 Sou rejeitado por uma faculdade. É o primeiro fracasso? Neutro. É o centésimo? Desesperança. O facto? O mesmo: fui rejeitado por uma faculdade. A perceção? É o que muda.

Achamos que percebemos a realidade. Mas, muitas vezes, o que vemos é um reflexo das nossas inseguranças, das nossas mágoas não digeridas 🌀 Se crescemos com abandono, o silêncio parece rejeição.

Se fomos criticados em excesso, qualquer discordância parece ataque.

É este mecanismo automático que transforma ambiguidade em ameaça.

Perceção não é verdade. É construção. Porque não é a realidade que mais nos magoa. É o que fazemos com ela — cá dentro.

E se quisermos sair deste ciclo, precisamos de refinar a nossa consciência, acrescentando-lhe observação neutra.

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