Consultora Financeira - Mónica Nascimento

Acompanho empresários que perderam o rumo do negócio, ajudando-os a reencontrar clareza, reconstruir a equipa, reorganizar as finanças e voltar a liderar com confiança.

02/09/2026

Durante muito tempo, sucesso para mim estava muito ligado ao trabalho. Ser uma boa profissional, crescer, conquistar a minha independência, ganhar mais, construir alguma coisa minha e sentir que era capaz.

Continuo a querer muitas dessas coisas. Continuo ambiciosa, exigente comigo e com vontade de levar o meu negócio mais longe.

Mas hoje há outras coisas que também entram na minha definição de sucesso.

Poder ir buscar os meus filhos sem olhar para o relógio. Estar presente numa atividade da escola sem sentir que devia estar noutro sítio. Fechar o computador e conseguir desligar. Ter um fim de semana que não serve para recuperar o trabalho que ficou por fazer.

Quando trabalhava na banca, pesava-me não controlar verdadeiramente o meu tempo. Mais tarde, quando fui mãe de um bebé prematuro, a vida obrigou-me a olhar para isso de outra forma. Percebi que podemos fazer tudo “certo” e, mesmo assim, a vida mudar de um momento para o outro.

Foi também por isso que não quis voltar àquela vida profissional.

Criei a minha empresa porque queria continuar a ser uma profissional de quem me orgulhasse, mas também ter espaço para ser a mãe que queria ser e estar presente na minha própria vida.

Consegui mudar muita coisa. Hoje tenho uma liberdade que antes não tinha. Mas ainda trabalho mais horas do que gostaria e continuo, muitas vezes, a querer aproveitar qualquer espaço livre para produzir mais.

Talvez por isso a minha definição de sucesso esteja a mudar outra vez.

Quero continuar a crescer e a ganhar mais. Mas quero que esse crescimento me devolva tempo. Quero construir um negócio cada vez menos dependente da minha presença, onde trabalhar menos horas seja consequência de ter construído melhor.

Hoje, quando penso em sucesso, penso também na vida que consigo viver enquanto construo aquilo que quero.

E há uma pergunta que me acompanha: se alcançares tudo aquilo por que estás a trabalhar, mas não tiveres tempo para desfrutar, vais sentir que tiveste sucesso?

31/08/2026

Há uma coisa que ainda me custa admitir: eu tenho dificuldade em parar.”

Depois continuas:

“E não estou a falar porque trabalho por conta própria ou porque tenho muita coisa para fazer. Estou a falar daquela sensação de finalmente ter algum tempo livre e a minha cabeça começar logo: há tanta coisa para fazer, podias aproveitar para adiantar trabalho.

Eu sinto isto no meu dia a dia. E é desafiante, porque trabalhei muito para construir uma vida em que pudesse ter mais liberdade, estar mais presente com os meus filhos e não ter de escolher entre ser mãe e ser uma boa profissional.

Só que conquistar esse tempo não significa automaticamente saber desfrutá-lo.

Eu ainda estou a aprender isso. A perceber que parar não apaga tudo aquilo que construí, nem me torna menos profissional.

Porque aquilo que mais me assusta já não é deixar trabalho por fazer. É um dia perceber que estive tão ocupada a trabalhar para ter uma vida melhor que deixei passar a vida que já tinha.

Eu acredito que é preciso trabalhar muito.Acredito mesmo. Porque foi assim que construí grande parte daquilo que tenho.N...
25/08/2026

Eu acredito que é preciso trabalhar muito.

Acredito mesmo. Porque foi assim que construí grande parte daquilo que tenho.

Não tive contactos que me abrissem portas. Fui a primeira da minha família a formar-me. Trabalhei 8 anos na banca, passei depois por um gabinete de contabilidade para me preparar e, quando chegou o momento, criei a minha empresa.

Nada disso aconteceu sem esforço. E tenho orgulho nisso.

Aprendi a trabalhar, a persistir, a resolver e a continuar quando me apetecia desistir. Provavelmente não estaria onde estou sem essa exigência.

Mas há uma parte desta história que tenho começado a questionar.

Eu trabalhei para ter liberdade. Para poder decidir sobre o meu tempo. Para que os meus filhos não tivessem de ser os primeiros a chegar e os últimos a sair. Para poder estar nas festas deles e acompanhá-los quando precisam de mim, sem ter de escolher entre ser uma boa profissional e a mãe que quero ser.

E consegui mudar muita coisa.

Só que há dias em que finalmente tenho tempo e, em vez de o aproveitar, aparece aquela voz: “Podias adiantar trabalho. Há tanta coisa para fazer.”

Ninguém me está a obrigar a trabalhar naquele momento. Já não tenho um chefe a controlar a que horas entro ou saio. Muitas vezes, sou eu que ainda não me dou autorização para parar.

E foi difícil perceber isto: a mentalidade que me trouxe até aqui nem sempre é a mentalidade de que preciso para chegar onde quero agora.

Continuo a querer crescer. Continuo a ser exigente comigo e a ter muito brio profissional. Mas também quero trabalhar menos horas, estar mais presente e construir um negócio que funcione cada vez menos dependente de mim.

Porque não quero chegar um dia mais tarde e perceber que, enquanto estava sempre ocupada a adiantar trabalho, deixei passar a vida que tanto trabalhei para construir.

E tu? Aquilo que te trouxe até aqui ainda te está a levar para onde queres ir?

19/08/2026

Durante muito tempo associei ser uma boa profissional a trabalhar muito. Não nasceu do nada. Foi essa exigência que me fez avançar muitas vezes quando seria mais fácil desistir.

O problema é que algumas das características que nos ajudam a chegar a determinado lugar podem acompanhar-nos durante demasiado tempo. E começamos a transformar cada hora disponível numa oportunidade para produzir mais, resolver mais uma coisa ou adiantar o trabalho de amanhã.

Eu ainda luto com isto. Quando consigo parar, estar com os meus filhos ou simplesmente fazer alguma coisa de que gosto, sinto-me bem. Mas nem sempre é fácil silenciar a ideia de que podia estar a aproveitar aquele tempo para trabalhar.

Ultimamente tenho-me feito uma pergunta: se trabalhei tanto para construir uma vida com mais liberdade, porque é que às vezes me custa tanto permitir-me vivê-la?

Quero perceber se isto acontece só comigo. Quando tens tempo para parar, consegues realmente desligar ou também sentes que devias estar a fazer alguma coisa?

Nem todas as decisões que parecem prudentes são prudência.Às vezes são medo disfarçado.Dizemos:"Ainda não é o momento de...
09/08/2026

Nem todas as decisões que parecem prudentes são prudência.

Às vezes são medo disfarçado.

Dizemos:

"Ainda não é o momento de investir."
Mas temos medo de perder dinheiro.

"Prefiro continuar a fazer eu."
Mas temos medo de perder o controlo.

"Não posso aumentar os preços agora."
Mas temos medo de perder clientes.

"Preciso de pensar melhor."
Mas, no fundo, já sabemos a resposta. Só temos medo das consequências da decisão.

E talvez esta seja uma das partes mais difíceis de liderar um negócio:

perceber quando estamos realmente a protegê-lo… e quando estamos apenas a proteger-nos a nós próprios.

Porque levamos tudo aquilo que somos para dentro da empresa.

As nossas crenças.

Os nossos medos.

As nossas inseguranças.

A nossa relação com o dinheiro.

A nossa necessidade de controlo.

A nossa dificuldade em confiar.

E, sem percebermos, tudo isso começa a decidir connosco.

É por isso que acredito cada vez mais que não podemos trabalhar apenas o negócio.

Podemos melhorar processos, analisar números, reorganizar uma equipa e definir a melhor estratégia.

Mas há decisões que nenhuma estratégia resolve enquanto não percebermos o que está por detrás delas.

Talvez por isso, antes de perguntar:

"Qual é a decisão certa para o meu negócio?"

valha a pena perguntar:

"Se eu não tivesse medo, tomaria a mesma decisão?"

A resposta pode dizer muito mais sobre o seu negócio — e sobre si — do que imagina.

07/08/2026

Nem tudo o que trava um negócio aparece nos números.

E talvez esta seja uma das coisas em que mais acredito depois de tantos anos a trabalhar com empresários.

Podemos analisar resultados.

Criar processos.

Organizar equipas.

Definir estratégias.

Fazer planos.

Mas há uma parte do negócio que nenhuma folha de Excel consegue mostrar.

Aquilo que se passa dentro de quem o lidera.

O medo de falhar.

O medo de arriscar.

A necessidade de controlar tudo.

A dificuldade em confiar.

A crença de que é preciso trabalhar até à exaustão para merecer ter sucesso.

O medo de cobrar mais.

O receio do julgamento.

Aquela voz que diz:

“E se não resultar?”

E até aquela que pergunta:

“Quem sou eu para querer mais?”

Tudo isto entra numa empresa.

Entra nas decisões que adiamos.

Nas oportunidades que não aproveitamos.

Nos preços que não conseguimos aumentar.

Nas pessoas que não conseguimos deixar ir.

Na equipa em quem não conseguimos confiar.

Na forma como reagimos quando alguma coisa corre mal.

E é por isso que, para mim, trabalhar um negócio olhando apenas para o negócio será sempre insuficiente.

Por detrás de cada empresa existe uma pessoa.

Com uma história.

Com crenças.

Com medos.

Com sonhos.

E, muitas vezes, o próximo nível do negócio não depende de aprender mais uma estratégia.

Depende de o empresário conseguir ultrapassar aquilo que, dentro dele, continua a puxá-lo para trás.

Porque podemos mudar processos.

Podemos mudar preços.

Podemos mudar equipas.

Mas se continuarmos a decidir a partir dos mesmos medos...

mais cedo ou mais tarde, vamos criar o mesmo problema com uma forma diferente.

E talvez valha a pena deixar esta pergunta para hoje:

Aquilo que está a travar o seu negócio é realmente um problema do negócio… ou é alguma coisa dentro de si que ainda precisa de ser olhada?

Ontem, ao ir buscar os meus pequenotes, fiquei parada na via rápida.Só víamos fumo a sair do túnel.O trânsito completame...
04/08/2026

Ontem, ao ir buscar os meus pequenotes, fiquei parada na via rápida.

Só víamos fumo a sair do túnel.

O trânsito completamente parado nos dois sentidos.

Naquele momento, como qualquer pessoa, pensei na demora, no atraso, em tudo o que ainda tinha para fazer.

Mas, ao ouvir as sirenes da EMIR, das ambulâncias... senti um aperto.

Não sabia quem estava envolvido.

Não conhecia nenhuma daquelas pessoas.

Mas alguém estava a viver um dos piores momentos da sua vida.

O trânsito voltou a andar.

Cada um seguiu para o seu destino.

Eu fui buscar os meus filhos.

A vida continuou.

Hoje, ao acordar, li a notícia de que uma das pessoas envolvidas não resistiu.

E, desde então, há uma pergunta que não me sai da cabeça.

E se fosse eu?

E se ontem tivesse sido a última vez que abracei os meus filhos?

A última vez que falei com os meus pais?

A última vez que disse "até logo" ao meu marido?

Há uma imagem que não me sai da cabeça.

O trânsito voltou a fluir.

Cada um seguiu para o seu destino.

Mas alguém nunca chegou a casa.

E foi aí que percebi uma coisa.

Saímos de casa todos os dias com uma certeza que ninguém nos deu.

A certeza de que vamos voltar.

Talvez seja por isso que adiamos tanto.

Adiamos um pedido de desculpa.

Adiamos aquele telefonema.

Adiamos um abraço.

Adiamos dizer "gosto de ti".

Adiamos brincar mais cinco minutos com os nossos filhos porque estamos "a trabalhar para lhes dar um futuro melhor".

Convencemo-nos de que ainda há tempo.

Mas... e se não houver?

Ontem não conheci a pessoa que perdeu a vida.

Mas a sua história lembrou-me de uma verdade que tantas vezes esquecemos.

A vida não nos promete amanhã.

Promete-nos apenas este momento.

E talvez a pergunta mais importante não seja:

"Estou a trabalhar muito?"

Nem sequer:

"Estou a ter sucesso?"

Talvez a pergunta seja apenas esta:

"Estou a viver de acordo com aquilo que realmente importa?"

🤍 À família e aos amigos de quem perdeu a vida ontem, deixo o meu mais sincero abraço.

Há empresários que vivem convencidos de que esta fase vai passar."Quando contratar mais uma pessoa.""Quando faturar mais...
02/08/2026

Há empresários que vivem convencidos de que esta fase vai passar.

"Quando contratar mais uma pessoa."

"Quando faturar mais."

"Quando aquele problema ficar resolvido."

Mas os meses passam.

Os anos passam.

E o incêndio continua.

A verdade é que nenhum negócio cresce sem problemas.

Faz parte.

O perigo começa quando os problemas deixam de ser uma exceção e passam a definir a forma como o empresário vive.

Quando acorda já a correr.

Quando almoça a responder a mensagens.

Quando chega a casa com a cabeça ainda no trabalho.

Quando já não se lembra da última vez que teve tempo para pensar... em vez de apenas reagir.

Nesse momento, o problema deixou de ser o incêndio.

Passou a ser o facto de se ter habituado a viver dentro dele.

E habituarmo-nos ao caos é uma das coisas mais perigosas que pode acontecer a um empresário.

Porque aquilo que se torna rotina... deixa de parecer um problema.

✨ Pare um momento e faça uma pergunta a si próprio:

Está apenas a apagar fogos... ou já fez do incêndio a sua rotina?

30/07/2026

Há empresários que vivem a responder.

Respondem a clientes.

Respondem à equipa.

Respondem a fornecedores.

Respondem às urgências.

Respondem aos imprevistos.

E, sem darem por isso, passam o dia inteiro a reagir ao negócio... em vez de o liderar.

A verdade é que o problema não está em responder.

O problema é quando já não sobra tempo para pensar.

Pensar na estratégia.

Pensar na equipa.

Pensar nos próximos passos.

Pensar no empresário que quer ser daqui a cinco anos.

Um negócio não cresce porque o empresário trabalha mais horas.

Cresce quando o empresário deixa de ser apenas a pessoa que resolve problemas e passa a ser a pessoa que cria direção.

A diferença não está nas horas.

Está na forma como utiliza o seu tempo

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