Psicóloga Sara Martins

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Quando vivemos com uma doença autoimune, é fácil cair na ideia de que temos de continuar a funcionar exatamente como ant...
29/07/2026

Quando vivemos com uma doença autoimune, é fácil cair na ideia de que temos de continuar a funcionar exatamente como antes.

Mas a realidade é que o corpo muda, os limites mudam e, muitas vezes, também as prioridades.

Estes lembretes não pretendem romantizar a doença nem dizer que é "fácil aceitar". Pretendem apenas recordar algo que, no meio das consultas, exames e dias menos bons, é fácil esquecer.

🤍 Nem todos os dias serão iguais.
🤍 Descansar também é cuidar.
🤍 A tua saúde mental merece espaço.

Confesso que estes são também lembretes que eu própria preciso de recordar, de vez em quando. Talvez seja por isso que façam tanto sentido para mim.

Se vives com uma doença autoimune, espero que encontres aqui um lembrete de que não tens de enfrentar tudo sozinho.

💬 Que outro lembrete acrescentarias a esta lista?



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Os limites são um dos pilares do desenvolvimento emocional da criança.Do ponto de vista do desenvolvimento infantil, uma...
25/07/2026

Os limites são um dos pilares do desenvolvimento emocional da criança.

Do ponto de vista do desenvolvimento infantil, uma criança que cresce com regras claras e consistentes tende a desenvolver um maior sentido de segurança. Isto está relacionado com aquilo que a psicologia do desenvolvimento chama de previsibilidade do ambiente: quando a criança sabe o que esperar e o que é esperado dela, o sistema nervoso tem menos necessidade de estar em alerta constante, o que facilita a regulação emocional.

Na ausência de limites consistentes, é comum observar-se maior dificuldade de autorregulação e mais comportamentos de teste, precisamente porque a criança está a tentar descobrir, sem orientação clara, onde estão os contornos do que é seguro e aceitável.

Os limites cumprem ainda outra função central: ensinam a tolerância à frustração. Aprender que nem tudo é imediato, e que é preciso esperar, é uma competência que se desenvolve com a repetição de pequenas experiências de espera e não gratif**ação instantânea. Esta competência está associada, mais tarde, a uma melhor capacidade de regulação emocional na vida adulta.

A forma como o limite é comunicado importa tanto quanto o limite em si. A investigação em vinculação mostra que limites aplicados com firmeza e, ao mesmo tempo, com explicação e acolhimento emocional, fortalecem a relação de confiança entre a criança e o cuidador, ao contrário de abordagens puramente punitivas.

Se sente que os limites em casa geram muito conflito ou que o seu filho tem dificuldade persistente em lidar com regras, pode ser útil explorar isso com apoio psicológico.

A relação entre sono e saúde mental está bem documentada na investigação em neurociência e psicologia clínica.Durante o ...
24/07/2026

A relação entre sono e saúde mental está bem documentada na investigação em neurociência e psicologia clínica.

Durante o sono, em particular nas fases de sono profundo e REM, o cérebro consolida memórias, processa informação emocional do dia e regula sistemas neuroquímicos essenciais, como os níveis de serotonina, dopamina e cortisol. É também durante o sono que o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (responsável pela resposta ao stress) se reequilibra.

Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, este processo de regulação f**a comprometido. A investigação mostra que a privação de sono está associada a maior reatividade da amígdala (a região cerebral ligada ao processamento do medo e da ansiedade) e a uma redução da capacidade do córtex pré-frontal para regular essas respostas emocionais. Na prática, isto traduz-se em mais irritabilidade, maior dificuldade de concentração e níveis mais elevados de ansiedade.

A relação também é bidirecional: perturbações como a depressão e a ansiedade alteram frequentemente a arquitetura do sono, e um sono de má qualidade pode, por sua vez, agravar os sintomas destas condições. Por isso, em avaliação e acompanhamento psicológico, os padrões de sono são um dos indicadores clínicos considerados.

Cuidar do sono não substitui o acompanhamento psicológico, mas é um dos pilares que sustenta a regulação emocional. Quando o sono deixa de ser reparador de forma persistente, pode ser importante procurar apoio profissional para compreender o que está por trás disso.

Começar terapia pode despertar muitas dúvidas.🌸 "E se eu não souber o que dizer?"🌸 "Será que tenho um problema suficient...
17/07/2026

Começar terapia pode despertar muitas dúvidas.
🌸 "E se eu não souber o que dizer?"
🌸 "Será que tenho um problema suficientemente grave?"
🌸 "E se me emocionar?"
São perguntas frequentes. E são perfeitamente compreensíveis.
Na primeira consulta, o objetivo não é ter todas as respostas, nem contar toda a sua história.
É um primeiro momento para nos conhecermos, compreender o que o levou a procurar ajuda e percebermos, em conjunto, quais são as suas dificuldades, necessidades e objetivos.
Também é uma oportunidade para esclarecer dúvidas sobre o processo terapêutico e perceber se aquele espaço faz sentido para si.
Não existe uma forma "certa" de fazer terapia. Cada pessoa chega com a sua história, o seu ritmo e as suas expectativas.
Se tem pensado em procurar apoio psicológico, talvez não precise de esperar até "estar pior". Por vezes, o primeiro passo é apenas permitir-se conversar.

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Sara Martins
Psicóloga Clínica | OPP 27373
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15/07/2026

O desenvolvimento infantil é um processo dinâmico e cada criança tem o seu próprio ritmo. Ainda assim, existem alguns sinais que podem justif**ar uma avaliação mais aprofundada.

Alguns exemplos incluem:
• Pouco contacto visual ou dificuldade em manter o olhar.
• Não responder ao nome de forma consistente.
• Atraso na linguagem ou perda de palavras já adquiridas.
• Pouco interesse em brincar ou interagir com outras crianças.
• Brincadeira muito repetitiva ou pouco diversif**ada.
• Dificuldade em comunicar necessidades, desejos ou emoções.
• Agitação muito intensa ou dificuldade em permanecer sentado quando esperado para a idade.
• Pouca capacidade para manter a atenção numa atividade adequada ao seu nível de desenvolvimento.
• Dificuldade em lidar com pequenas mudanças na rotina ou transições entre atividades.
• Crises emocionais muito frequentes ou intensas, difíceis de regular.
• Hipersensibilidade ou pouca reação a sons, texturas, cheiros ou outros estímulos sensoriais.
• Dificuldades marcadas na autonomia (alimentação, vestir-se, higiene), quando comparadas com o esperado para a idade.

A presença de um ou mais destes sinais não signif**a, por si só, que exista uma perturbação do desenvolvimento. O mais importante é compreender a frequência com que acontecem, o contexto em que surgem e o impacto que têm na vida da criança e da família.

Se estas situações lhe despertam dúvidas, uma avaliação psicológica pode ajudar a compreender o desenvolvimento da criança, identif**ar as suas necessidades e, quando necessário, orientar uma intervenção precoce.

Quanto mais cedo as dificuldades são compreendidas, maiores são as oportunidades de promover um desenvolvimento saudável e apoiar a criança no seu potencial.

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Sara Martins
Psicóloga Clínica | OPP 27373
ERS 178448

Aceitar um elogio parece simples. Mas, para muitas pessoas, não é.É comum ouvir respostas como: "Estão a exagerar", "Qua...
13/07/2026

Aceitar um elogio parece simples. Mas, para muitas pessoas, não é.

É comum ouvir respostas como: "Estão a exagerar", "Qualquer pessoa faria o mesmo" ou "Foi só sorte"

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), sabemos que não reagimos apenas ao que acontece, mas também à forma como interpretamos o que acontece. E essa interpretação é influenciada pelas crenças que fomos construindo sobre nós próprios ao longo da vida.

Por isso, quando a autoestima é mais frágil, um elogio pode entrar em conflito com a imagem que a pessoa tem de si. Em vez de o aceitar, tende a desvalorizá-lo, a procurar uma explicação ou até a rejeitá-lo.

Da próxima vez que alguém lhe fizer um elogio, experimente reparar no primeiro pensamento que lhe surge. Não de um lugar de julgamento, mas sim de compreensão. Porque esse primeiro pensamento diz muito sobre como aprendemos a olhar para nós próprios.

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Vivemos numa cultura em que estar constantemente cansado é, muitas vezes, visto como normal. "É só uma fase", "toda a ge...
11/07/2026

Vivemos numa cultura em que estar constantemente cansado é, muitas vezes, visto como normal. "É só uma fase", "toda a gente anda assim" ou "quando tiver férias passa" são frases que ouvimos com frequência.

Mas nem todo o desgaste deve ser encarado como uma consequência inevitável da vida adulta.

Se sente que o cansaço deixou de ser apenas o resultado de dias mais exigentes, que se mantém há semanas ou meses e começa a afetar a forma como trabalha, pensa, sente ou vive o dia a dia, talvez esteja na hora de lhe dar a atenção que merece.

Isso não signif**a, necessariamente, que seja burnout. Signif**a apenas que o seu bem-estar merece ser compreendido e não ignorado.

Nem sempre precisamos de esperar por um limite para pedir ajuda. Por vezes, basta reconhecer que aquilo que estamos a sentir já não é "só cansaço".

Cuidar da saúde psicológica também passa por deixar de normalizar um desgaste que se tornou persistente.

💬 Se este tema lhe suscitou dúvidas ou sente que gostaria de compreender melhor o que está a acontecer consigo, estou disponível para ajudar.



Sara Martins | Psicóloga Clínica
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Registo ERS (telemedicina): E178448

Viver com uma doença crónica ou autoimune vai muito além dos sintomas físicos.É aprender a conviver com a dor, a fadiga ...
09/07/2026

Viver com uma doença crónica ou autoimune vai muito além dos sintomas físicos.

É aprender a conviver com a dor, a fadiga e a imprevisibilidade. É explicar, repetidamente, que "não é só cansaço". É lidar com a incompreensão de quem não vê aquilo que se sente. E, muitas vezes, é fazer o luto pela vida e pelo corpo que existiam antes do diagnóstico.

Sabemos hoje que o stress e o estado emocional interagem com o corpo e podem agravar os sintomas, aumentar a intensidade da dor e contribuir para o aparecimento ou agravamento de crises em muitas doenças crónicas.

Por isso, cuidar da saúde mental não substitui o acompanhamento médico. Complementa-o.

A psicoterapia pode ajudar a lidar com a frustração, a ansiedade, o desgaste emocional, a perda de autonomia, as alterações na identidade e o impacto que a doença pode ter nas relações, no trabalho e na qualidade de vida.

Porque viver com uma doença crónica não implica apenas tratar o corpo. Implica também cuidar da pessoa que vive dentro dele.

Se se identificou com estas palavras, saiba que não tem de enfrentar tudo isto sozinho(a).

💬 Conhecia esta relação entre a saúde mental e a dor crónica? Partilhe a sua perspetiva nos comentários.

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—Sara Martins
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Há um tipo de ansiedade que raramente se reconhece, porque não impede ninguém de funcionar.É a que acorda antes do despe...
06/07/2026

Há um tipo de ansiedade que raramente se reconhece, porque não impede ninguém de funcionar.

É a que acorda antes do despertador a pensar no dia. É a que trata de tudo, trabalho, casa, outras pessoas, e só à noite, já deitada, sente o peito apertado sem saber bem porquê.

É particularmente difícil de identif**ar, porque tudo, de fora, parece estar bem. A pessoa entrega o que promete, cumpre prazos, está presente para quem precisa dela. Ninguém vê o custo por trás disso.

Por dentro é diferente. É a mente que não descansa mesmo quando o corpo já parou. É a dificuldade em desfrutar de um momento de calma sem sentir que "devia estar a fazer alguma coisa". É um cansaço que não passa só com uma noite de sono.

Uma coisa que costumo dizer em consulta: parecer estar bem não signif**a estar bem. São coisas diferentes, e é possível viver anos sem perceber a diferença — sobretudo quando se foi habituado, desde cedo, a ser "a pessoa que dá conta de tudo".

Não escrevo isto para alarmar ninguém, nem para sugerir que quem se revê nestas linhas tem uma ansiedade clínica, isso só uma avaliação pode dizer. Escrevo porque, muitas vezes, o primeiro passo não é um diagnóstico. É perceber que aquilo que se sente tem nome, e que não precisa de ser carregado sozinho.

Se isto lhe soa familiar, talvez seja um bom momento para parar, não o dia todo, só um bocadinho, e perguntar-se como está, a sério.

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Os traumas vividos na infância deixam marcas profundas, mesmo quando não são facilmente reconhecidos 💔. Muitas vezes, aq...
05/07/2026

Os traumas vividos na infância deixam marcas profundas, mesmo quando não são facilmente reconhecidos 💔. Muitas vezes, aquilo que a criança viveu — e que foi por ela interpretado como assustador, ameaçador ou solitário — continua presente na sua forma de agir, pensar e relacionar-se. Por isso, compreender como os traumas se manifestam no comportamento infantil é essencial para oferecer o apoio de que essa criança precisa.

Crianças que passaram por experiências traumáticas podem apresentar uma série de sinais comportamentais 🌿. Entre os mais comuns estão: agressividade sem causa aparente, medos intensos, pesadelos frequentes, regressão a comportamentos infantis (como voltar a fazer xixi na cama), dificuldade em confiar nos outros, baixa autoestima e grande sensibilidade à rejeição. Em muitos casos, tornam-se extremamente quietas ou evitam interações sociais, como forma de se proteger.

Estes comportamentos não são caprichos, birras ou exageros 🧭. São tentativas de lidar com dores emocionais que a criança ainda não consegue elaborar sozinha. E nem sempre o trauma está ligado a situações extremas, como abusos ou acidentes graves. Mudanças bruscas, separações, ausência emocional dos pais, rejeições constantes e humilhações também podem ser vividas pela criança como experiências traumáticas.

O trauma altera a forma como a criança percebe o mundo 💛. Ela pode sentir-se constantemente insegura, ameaçada ou culpada, mesmo que esteja num ambiente estável. E se estas questões não forem trabalhadas com cuidado, podem prolongar-se até à vida adulta, afetando relações, escolhas e a saúde mental de forma mais ampla.

Se reconhece comportamentos no seu filho que podem estar ligados a experiências difíceis, marque uma avaliação psicológica ❤️. Juntos, podemos acolher esta criança com escuta, sensibilidade e as ferramentas certas para a ajudar a ressignif**ar as suas vivências e a continuar o seu desenvolvimento com mais leveza 💬.

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