03/08/2026
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A proibição de telemóveis na escola vai ser alargada até ao 9.º ano, a partir de Janeiro. E, desde logo, têm surgido opiniões que se manifestam contra isso. Afirmando que proibir não é o caminho e que temos que ajudar os adolescentes a regular a sua relação com os telemóveis. E a afirmar que os telemóveis não são o principal motivo de distracção dos alunos na escola.
Voltemos, portanto, a este tema.
É razoável que os telemóveis não sejam permitidos nos recreios, no bar e nos refeitórios da escola até ao 9º ano.
Em primeiro lugar, porque a ideia passa por criar condições para que os adolescentes se socializem nos espaços comuns da escola, falem, corram ou joguem. E isso não é uma restrição que tenha em vista o seu prejuízo mas, pelo contrário, representa a escola a estar atenta à promoção da saúde mental dos seus alunos.
Em segundo lugar, a proibição de telemóveis nos recreios não invalida que haja professores que, quando assim o entendam, convidem ao seu uso, em contexto dum determinado tema, na sala de aula.
É verdade que não é razoável que as crianças tenham acesso muito precoce a telefones com dados. Isso faz-lhes mal e manipula-as. E compromete a sua inteligência e as suas aprendizagens. Mas se os pais os entendem oferecer, não medindo todas as consequências desse gesto, porque não há-de a escola definir regras, diferentes das deles, para a sua utilização?
É claro que ninguém pretende que as crianças cresçam longe do mundo em que vivem, como se protegê-las fosse criá-las em bolhas. Mas não é razoável que a escola não comparticipe na educação dos nossos filhos. Em relação ao ambiente, à cidadania ou às novas tecnologias; à escala do que é equilibrado. Um mundo em que a família é educada pela escola ao mesmo tempo que os pais a educam, também, e família e escola educam as crianças da mesma forma que elas nos educam dentro do que é razoável, não nos põe a construir um mundo feio e prepotente. Mas sensato. E claro, naquilo que nos pede. E desafiador em relação ao que nos convida. Mas, acima de tudo, mais humano. E há medidas, como esta, que podem contribuir muito para isso.