27/08/2026
Todas as relações e todos os contextos têm limites, sejam eles mais claros ou menos, sejam alguns relacionamentos mais exigentes que outros.
Dizer - NÃO - e dizermos aquilo que realmente pensamos e precisamos é dos maiores, se não o maior, desafio que enfrentamos diariamente nos vários relacionamentos que temos. Por medo, vergonha, pela necessidade de aceitação e de sermos vistos como boas pessoas, ignoramos tantas vezes as nossas verdadeiras necessidades, ultrapassamos limites pessoais e deixamos que os outros o façam também. E, às vezes, fazem-no porque não esclarecemos como nos vamos sentindo, do que precisamos, e do que não gostamos.
Deixar que alguns limites sejam ultrapassados, dizer SIM quando queríamos dizer NÃO, não partilharmos algo que aconteceu que não gostámos, fingir que nos sentimos bem quando não nos sentimos, e tolerar alguns comportamentos que nos fazem sentir mal, no curto prazo, podem trazer um impacto pouco significativo na forma como nos sentimos e na construção diária desse relacionamento, o que não se verifica no longo prazo, onde o impacto pode ser devastador e destrutivo.
São muitas as relações que terminam com impactos emocionais muito negativos porque os envolvidos foram tolerando o que lhes era insuportável, foram mantendo as suas necessidades submissas, foram-se anulando nos seus gostos e necessidades transformando um relacionamento que seria para crescer, num espaço de sofrimento, dor e perda. Quando, de forma recorrente, não partilhamos o que sentimos e as nossas necessidades, vamos construindo histórias de dor onde nos sentimos perdidos e a perder.
É importante desconstruir esta ideia de que dizer sim é ser-se boa pessoa e que dizer sim é uma forma de mostrar amor. O amor não se mostra nem se valida na quantidade de sins que dizemos nem na quantidade de necessidades que anulamos, mas na verdade que colocamos na forma como nos relacionamos e nos envolvemos com os outros.
Diana