Filipa Cordeiro Physiotherapy

Filipa Cordeiro Physiotherapy Mamãs e Bebés | Pavimento Pélvico | Oncologia | Linfedema

Nos últimos dois dias, perguntei nas stories quais os comentários que tinham ouvido sobre a vossa dor. Estas foram as re...
23/03/2022

Nos últimos dois dias, perguntei nas stories quais os comentários que tinham ouvido sobre a vossa dor. Estas foram as respostas.
Enquanto que eu e muitxs colegas fisios pélvicxs ouvimos relatos como estes todos os dias em consulta (só ficou mesmo a faltar o comentário do copo de vinho), a maioria das pessoas desconhece o desrespeito e a falta de humanidade que diferentes profissionais de saúde exercem, quando abordam a pessoa com dor. A dor sexual é normalizada, quer no consultório quer fora dele. Mas a dor nunca é normal e não deve ser normalizada.
(A não ser que seja provocada propositadamente e consentida por ambas/todas as partes, mas isso é conversa para outro post completamente diferente. 👀)
Desta vez, não vos trago um texto explicativo: vou deixar que as palavras de quem participou falem por elas mesmas.
A quem abriu o coração e partilhou as suas experiências: o meu sincero obrigada. Nem sempre é fácil ou confortável falar deste assunto, o que torna o vosso testemunho ainda mais importante. Um grande abraço para vocês.

23/02/2022

Oi? Como assim o corpo funciona como um todo e não podemos abordar cada parte isoladamente? 😱
Uma das coisas que mais gosto nas consultas é ver a reacção dx paciente quando percebe de que forma os seus sintomas se relacionam entre si, ou com outros sistemas e “partes” do seu corpo. É fascinante observar quando a pessoa começa a ganhar consciência corporal, e de sessão para sessão começa a reconhecer o que o seu corpo lhe diz, conseguindo perceber de que forma é que diferentes “coisas” se relacionam, tornando-se capaz de gerir os seus sintomas e a sua saúde de forma mais eficaz.
Uma boa avaliação clínica não pode focar-se apenas no sintoma: podemos e devemos fazer o “zoom out”, e perceber de que forma outros sistemas se relacionam com a queixa principal, desde alterações funcionais a padrões de comportamento (aporte hídrico, padrão miccional, padrão evacuatório, entre muitos outros).
Sabias que…
…a tua dor na penetração pode estar relacionada com a anca?
…o teu padrão respiratório está relacionado com a tua saúde pélvica?
…a tua saúde urinária e intestinal estão intimamente ligadas à saúde do teu pavimento pélvico?
…o facto de teres caído de rabo no chão há x anos atrás pode ser clinicamente relevante para o teu problema actual?
…as cicatrizes de cirurgias abdomino-pélvicas podem e devem ser avaliadas?
…os alimentos e bebidas que consomes podem exacerbar as tuas perdas de urina (se as tiveres)?
Podia continuar a dar exemplos, mas o insta tem limite de caracteres e vocês têm mais que fazer à vossa vida do que ler textos infinitos. 🙊
Em resumo: o nosso corpo funciona como um todo, e a saúde pélvica não é excepção. Tu mereces uma avaliação completa, que não se resuma apenas a um orifício e à sua capacidade de contrair e relaxar.

Red flags/sinais de alerta da fisio pélvica? Também temos!Achavam que o único tipo de violência que se fala neste xtagrã...
17/02/2022

Red flags/sinais de alerta da fisio pélvica? Também temos!
Achavam que o único tipo de violência que se fala neste xtagrã é a obstétrica? Nope: não é por alertarmos para as red flags de outros profissionais que somos uns alecrins dourados sem nada a criticar. Ora aqui vai:
1: Temos SEMPRE que fazer uma primeira avaliação antes da nossa intervenção. Não interessa se a pessoa vem encaminhada de fisio pélvica, ou se foi o/a médico/a em quem confiamos 100% q encaminhou após ter feito a sua própria avaliação médica (sobretudo porque a avaliação médica e fisioterapêutica, embora complementares, são diferentes).
2: Embora a avaliação interna possa não ser feita (leiam o ponto 8), para sermos fisios pélvicxs temos que saber avaliar internamente.
3: É desconfiar quando ouvimos “uso sempre a técnica/aparelho x”. O tratamento deve ser individualizado. Uma coisa é usar a técnica/aparelho x com uma maioria de pessoas porque é disso que necessitam, outra coisa é usar sempre a técnica/aparelho x porque é rotina ou protocolo.
4: Repitam comigo: o tratamento não pode causar dor. Podemos navegar dentro do limiar de desconforto se for necessário, mas não podemos fazer uma técnica se causar dor; se doer, mudamos a estratégia.
5: É grave se um/a fisio pélvicx vos disser isto. Muito grave.
6: Não, não é para aguentar. Leiam o ponto 4 outra vez.
7: Uma coisa é dar o próprio exemplo em certas circunstâncias, outra coisa é descartar e desvalorizar os vossos sintomas. E se desvalorizam os vossos sintomas, como é q vos vão ajudar?
8: A abordagem interna não é obrigatória. É a mesma coisa avaliar/tratar sem a componente interna? Claro q não, e isso deve ser explicado. Mas não podemos obrigar ninguém a fazer avaliação/tratamento interno.
9: Gaslighting: quando alguém nega a tua realidade, intencionalmente ou não. “De certeza que ele te maltratou? Temos q ver os dois lados.” “Os exames não mostram nada. Isso é da sua cabeça.” O gaslighting está presente em vários contextos, e a saúde não é excepção. Se o/a profissional invalida os teus sentimentos e duvida da tua percepção em vez de acolher o que sentes, poderá não ser a escolha mais adequada.

Será que com memes a mensagem passa melhor?A violência obstétrica foi mais uma vez notícia, desta vez após a publicação ...
10/02/2022

Será que com memes a mensagem passa melhor?
A violência obstétrica foi mais uma vez notícia, desta vez após a publicação de um estudo na revista científica The Lancet, em que se avaliou a qualidade dos cuidados obstétricos prestados em doze países da Europa, incluindo Portugal. O estudo revelou, mais uma vez, aquilo que muites de nós dizemos há demasiado tempo: a violência obstétrica existe, é sistémica, e os números são obscenamente elevados.
Num comunicado do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, foi dito que “O “ponto do marido”, não existe na nomenclatura obstétrica”*, apesar de todes conhecermos casos em que foi dito algo como ‘vou aqui dar um pontinho para o seu marido ficar mais feliz’.
Nesse mesmo comunicado, “A direção do Colégio não tem conhecimento de nenhuma queixa que lhe tenha chegado em que tenha sido dada como provada a prática da manobra de Kristeller, tal como é atualmente descrita, ou da realização de episiotomia de rotina, ou de qualquer outra intervenção desnecessária, por especialistas de Ginecologia e Obstetrícia.”* Mas não só as Kristellers e episiotomias de rotina existem como são practicadas por profissionais da classe médica e de enfermagem, já para não falar em procedimentos desnecessários e cascatas de intervenção brutais.
E quanto aos resultados deste estudo, quais serão as declarações oficiais? Aguardamos com entusiasmo (contém ironia) pelo que aí vem.
*(Todas as citações referidas com asterisco podem ser consultadas no site da OM.)
DISCLAIMER: acho que não preciso de dizer isto, mas este não é um post anti médico/a ou anti enfermeiro/a. Bem sabemos que a classe médica e de enfermagem são ESSENCIAIS e que há muites profissionais maravilhosos, humanes e competentes. Mas se és medico/a ou enfermeiro/a e te sentes atacado/a por este post… talvez não seja má ideia avaliares isso e perceberes o porquê. 🤷🏼‍♀️

“Se a idade média voltar, que vençam as bruxas.”Desde q me lembro que tenho um fascínio por bruxas, feiticeiras e curand...
01/11/2021

“Se a idade média voltar, que vençam as bruxas.”
Desde q me lembro que tenho um fascínio por bruxas, feiticeiras e curandeiras. Colecionava bruxinhas de Santiago de Compostela, ouvia relatos da vizinha que cura o mau olhado e o quebranto, rapidamente me apaixonei por Harry Potter ( 🙋‍♀️)… a lista continua.
À medida q fui crescendo e lendo mais sobre o assunto, percebi quem eram de verdade as temidas bruxas: a maioria eram mulheres que desafiavam a sociedade, q sabiam como curar através das plantas medicinais, q tinham características fora do padrão imposto, ou simplesmente chateavam a pessoa errada, na altura errada. Mulheres q se atreviam a tentar ter o mesmo (ou mais) conhecimento que os homens da sua época, q tinham a audácia de não querer ser apenas fábricas de bebés, mas sim pessoas em pleno direito.
Se soa familiar, é pq os sistemas de opressão que existiam há séculos continuam bem vivos hoje em dia. Temos + direitos do que as nossas antepassadas tiveram? Claro, pelo menos no nosso país. Mas nenhum direito foi dado: todos foram o resultado de luta árdua, do activismo feito por mulheres e pessoa que se atreveram a ir contra o status quo.
Olhando para trás, percebo o pq do meu fascínio com bruxas. Nunca fui silenciosa, nunca abafei as minhas opiniões, nunca aceitei a desculpa de “és menina/mulher” para não poder fazer isto ou aquilo. Nunca parti pedaços de mim para encaixar no molde do que a sociedade acha que devo ser enquanto mulher. Acredito q a natureza tem um poder de cura imensurável. Sigo a minha intuição. Não tenho a mínima dúvida de q, há séculos atrás, teria sido taxada de bruxa e punida como tal. Da mesma forma que conheço muitas outras mulheres a quem certamente teria acontecido o mesmo.
Hoje, na noite de Samhain, recordo não só xs familiares que já partiram mas também xs antepassadxs q tornaram possível o caminho que percorremos agora. Recordo as curandeiras, as anciãs, as matriarcas, as parteiras… recordo as bruxas, e manifesto o desejo de q nunca mais sejamos perseguidxs pela nossa identidade, seja ela qual for.
“Somos as netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar.”

Bora colocar o dedo na ferida outra vez?(Quem é que resolveu sair da hibernação das redes sociais para trazer mais verda...
14/07/2021

Bora colocar o dedo na ferida outra vez?
(Quem é que resolveu sair da hibernação das redes sociais para trazer mais verdades inconvenientes, quem é quem é? 🙋🏼‍♀️)
Tal como muitxs colegas, já perdi a conta ás vezes que ouvi relatos sobre este assunto. “A minha PT reforça imenso o trabalho do períneo durante as sessões”, ou “o meu PT sempre falou da importância dos kegels e aconselhou-me a fazer”. Os relatos são variados, mas têm uma coisa em comum: foram ditos por PTs* a pessoas a quem nunca tinha sido feita avaliação pélvica. Mas… os kegels não são adequados para todxs, e muita gente não os sabe fazer!
A única forma de ter a certeza que a) os kegels / contracções do períneo são adequados para aquela pessoa, b) aquela pessoa sabe contrair correctamente é havendo uma avaliação por parte da fisio pélvica. Caso contrário, o mais provável é estar a contrair tudo menos o q deve, ou estar a reforçar todo um pavimento pélvico que não precisa de ser reforçado, podendo inclusivamente agravar alguma disfunção já existente. Ou seja: por vezes, fazer kegels pode ser bem pior do que não fazer nada. 🤷🏼‍♀️
Nem mesmo a/o mais competente dxs PTs* tem as competências profissionais para avaliar o pavimento pélvico, definir um plano de tratamento ou fortalecimento pélvico, ou reabilitar o pavimento pélvico. Esse trabalho é feito pelxs fisioterapeutas pélvicxs.
“Ó Filipa és mesmo do contra. Então mas PTs* não podem fazer esse reforço nos treinos?” Malta, vamos a ver se nos entendemos. PTs* podem sim reforçar/incentivar os ditos kegels durante as suas sessões… desde que tenham luz verde para o fazer. E essa luz verde só pode ser dada se houver trabalho em equipa com a fisio pélvica, com avaliação pélvica prévia.
Se és PT e te sentiste incomodadx c/este post, convido-te a perceberes o porquê, e convido-te tb a criares a tua rede de contactos com fisios pélvicxs, para q possas trabalhar em equipa.
(*Tudo neste post tb se aplica a outrxs profissionais de saúde e do exercício, não apenas a PTs. Somente fisios c/formação e treino em disfunções do pavimento pélvico podem fazer este tipo de avaliação/intervenção. Sim, isso tb se aplica a fisios que não sejam da área.)

Nada como começar o ano a aprender com xs melhores. 💪 Com a pandemia, vieram mais oportunidades de obter formação online...
04/01/2021

Nada como começar o ano a aprender com xs melhores. 💪
Com a pandemia, vieram mais oportunidades de obter formação online. Uma delas foi o fantástico curso sobre cistite intersticial da fisioterapeuta , fundadora da clínica e do podcast Pelvic PT Rising, autora do livro "The Interstitial Cystitis Solution", e parte integrante da direcção da Interstitial Cystitis Association dos EUA. 😍 Felizmente, o curso é self paced: ou seja, pode ser visualizado ao nosso ritmo, seja todo de uma vez ou dividido como nos der mais jeito... uma mais valia quando trabalhamos horários longos e temos pouco tempo livre disponível. 🙏 E depois, é só rever os vídeos quando precisar de relembrar um conceito ou técnica específicos.
2021 vai ser um ano de muita aprendizagem para mim. E vocês, têm alguma formação planeada? 🤓

Há um ano, olhava com expectativa para 2020. Ia mudar-me para Lisboa: tinha sido escolhida para um full time na minha ár...
31/12/2020

Há um ano, olhava com expectativa para 2020. Ia mudar-me para Lisboa: tinha sido escolhida para um full time na minha área de especialidade, deixando para trás dois part times de 4 anos na área de geriatria e muito mais anos de domicílios em fisio pélvica e saúde da mulher.

Há 10 anos de volta para Coimbra após a licenciatura, tinha encontrado um cantinho em que me sentia feliz mas não realizada: afinal, só conseguia trabalhar na minha área a meio tempo, e não conseguia viver só disso. Perante a instabilidade financeira dos últimos anos, valeu-me o apoio da família: todo o dinheiro amealhado era investido em formações, na pós graduação, no mestrado. Várias vezes me questionei se teria feito a opção certa, e a incerteza apoderou-se de mim quando tive que encerrar o meu gabinete em 2018. Achava: “isto não é para mim”.

Mudei de vida. Iniciei em Fevereiro o trabalho na clínica onde afinal as coisas não eram bem assim, onde tive 95% de casos fora da minha área de especialização, com cuja abordagem não concordava. Pensei: virei a minha vida do avesso para isto? Desmotivei. O mestrado ficou em standby, enxuguei lágrimas, valeu-me o apoio das amigas. Criei este instagram na esperança de me dar a conhecer e conseguir mudar para melhor.

Entretanto, a pandemia chegou e voltei para casa. Mais incerteza e lágrimas. A saúde mental, já tremida após mês e meio num trabalho que era o oposto do que queria, ficava cada vez pior pelo receio da pandemia e pela tristeza em pensar que teria que voltar para a clínica. Mas respirei fundo, levantei a cabeça e pedi ajuda, e segui em frente. Libertei-me do que tinha que libertar, na esperança de dias melhores, e rezando a todas as divindades possíveis para que aquelxs que amo não fossem afectadxs por esta terrível pandemia.

Em poucos meses, tantas coisas mudaram. Saí daquela clínica. (Olhando para trás, sei que precisava de algo que me arrancasse da zona de conforto em que estava há 4 anos, e assim foi.) Tive oportunidades únicas pelas quais serei grata para o resto da minha vida. Senti que finalmente tinha um rumo a seguir. Reconstruí aos poucos a minha saúde mental, e cuidei de mim como nunca tinha feito. E pouco a pouco, tudo foi encaixando e correndo melhor.

Porque faço uma partilha tão pessoal no último dia de 2021? Porque temos que normalizar a vida como ela é: crua, imperfeita e vulnerável, por vezes com percursos difíceis mas que um dia valerão a pena. Não podemos dar valor à alegria se nunca tivermos vivido a tristeza, e não sabemos o quão resilientes somos até cairmos e nos levantarmos outra vez.

Não sei o que aí vem. Não sei o que me espera a mim ou a todxs nós. Mas se há uma coisa que este ano me ensinou é que sou mais forte do que pensava ser: todxs somos. Ás vezes só precisamos de ajuda para recuperarmos a nossa força… e está tudo bem.

Que sejamos todxs tão fortes e resilientes como precisamos ser. Feliz 2021!

Tenho andado desaparecida por estes lados. Em parte pq as últimas 6 semanas têm sido alucinantes em termos de trabalho e...
20/12/2020

Tenho andado desaparecida por estes lados. Em parte pq as últimas 6 semanas têm sido alucinantes em termos de trabalho e cansaço físico, mental e emocional, mas também pq a necessidade de estar sempre presente online tem sido desgastante.
Admito: tenho muita dificuldade em impor limites a mim mesma no que conta a trabalho. Não pq glorifique o excesso de trabalho, mas pq não é "só" trabalho: são pessoas. Por cada hora que trabalho há mais uma pessoa a quem ajudo a melhorar a qualidade de vida. O sentimento de missão é grande, e sei que muitas vezes me esqueço de outra pessoa que tb precisa do meu carinho, empatia e cuidado: eu mesma.
"Vou dar o litro porque depois vou de férias."
"Estou exausta mas quando tiver férias descanso..."
"É só mais uma noite mal dormida, depois compenso."
Estes têm sido os meus mantras nas últimas semanas. O corpo pedia carinho e auto-cuidado e a minha resposta era sempre a mesma: ainda não.
Mas o nosso corpo fala: ele diz-nos o que precisamos ouvir para cuidar dele, e quando não o ouvimos, ele grita. E o inevitável aconteceu: assim que parei, assim que regressei ao ninho, todo o cansaço, noites mal dormidas, alimentação predominantemente inflamatória e falta de actividade física juntaram-se num quadro de dor aguda que já dura há 3 dias e nem me deixa sequer sentar. Mesmo havendo relatórios e marcações por fazer, que deixei para estes primeiros dias de férias por não conseguir antes. Quando o corpo não permite, não há como contornar.
O nosso corpo é sábio: ele não é nosso opositor ou inimigo, mas sim nosso companheiro de vida, e devemos acarinhá-lo como tal. Mas se nós não decidimos descansar quando devemos, ele decide por nós.
E por aí? Também têm dificuldades em dar ao vosso corpo a atenção que ele merece? ❤

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