26/08/2026
Humildade ou diminuição?
Tenho-me perguntado muito sobre isto.
Porque, para mim, a humildade não é tornar-me pequena.
É um estado de ser.
É quando consigo permanecer no meu lugar, conectada com aquilo que sinto, com o meu coração, com a minha verdade, sem precisar de me sobrepor ao outro.
E lembro-me de uma experiência que vivi numa constelação em que trabalhámos Portugal e eu representei a energia do Self, da Luz, da Alma de Portugal.
Naquele lugar, perante todo o movimento, os conflitos, os burburinhos e a revolta que existiam no campo, senti que não havia nada para fazer.
Nada para provar.
Nada para corrigir.
Nada para acrescentar.
Era simplesmente permanecer.
Permanecer no meu lugar e sustentar aquela energia, olhando para o outro sem julgamento, reconhecendo que talvez estivesse apenas a agir a partir de um lugar que não era o seu melhor.
Foi aí que senti a humildade.
Não como submissão.
Não como silêncio.
Não como ser menos.
Mas como presença.
Já a diminuição sinto-a de outra forma.
É quando o movimento deixa de nascer de dentro e passa a ser uma reação ao que está fora.
Quando me calo para não criar conflito.
Quando cedo para não perder.
Quando me torno mais pequena para continuar a pertencer.
Mas aqui existe uma nuance que também tenho aprendido a reconhecer em mim:
nem todo o silêncio é diminuição.
Às vezes calar é medo.
Outras vezes é sabedoria.
Posso saber exatamente o que sinto e, ainda assim, escolher não alimentar uma guerra, porque percebo que aquele momento não precisa da minha resposta.
Por isso, talvez a diferença esteja naquilo que acontece dentro de mim.
Estou a calar-me porque estou a abandonar-me?
Ou estou a permanecer inteira e simplesmente a escolher não reagir?
E talvez seja esta a pergunta que hoje deixo:
De onde estou a agir?
Do medo?
Da necessidade de pertencer?
Da necessidade de ter razão?
Ou da minha verdade?
Porque talvez humildade seja isto:
não precisar de ser maior,
não precisar de ser menor,
apenas permanecer no nosso lugar. 🤍
Com carinho,
Tânia Cardoso ♥️