29/08/2026
Olá a todas.
Hoje partilho isto não só como profissional, mas como alguém que vos ouve e acompanha, deste lado do ecrã, todos os dias.
Este espaço nasceu para acolher mulheres e mães em momentos de grande vulnerabilidade. Já aqui falámos da dor da perda ou doença de um filho, da solidão do ninho vazio, e do processo de desconstrução e aceitação quando um filho se assume LGBTI+.
Há semanas que leio as vossas mensagens e os vossos desabafos, e percebi uma coisa: por trás de histórias tão diferentes, há um fio comum. Chama se luto.
Não falo só do luto que o dicionário define. Falo de um luto mais alargado.
A mãe que vê os filhos saírem de casa pode estar, sem lhe dar esse nome, a viver o luto da rotina antiga e da casa cheia.
A mãe de um filho LGBTI+ muitas vezes precisa de fazer o luto do futuro que tinha idealizado, para conseguir amar e aceitar o filho real que tem à frente.
E quem enfrenta a doença ou a perda de um filho vive uma dor imensa, que ninguém deveria ter de medir ou comparar com outra.
Por isso decidi ajustar a comunicação desta página.
O que não muda: continuo aqui, todos os dias, com o mesmo cuidado de sempre. As conversas sobre doença ou perda de um filho, ninho vazio e aceitação de filhos LGBTI+ continuam a ter espaço, tal como sempre tiveram.
O que muda: a partir de agora vou também trazer conteúdo sobre outros lutos que atravessamos ao longo da vida (lutos visíveis e lutos invisíveis) porque percebi que todas estas dores (perdas de pessoas, de animais, de emprego, o fim de relações (sejam elas amorosas ou de amizades), mudanças de fase, etc.) partilham o mesmo processo, e podemos aprender e curar em conjunto.
Este continua a ser o vosso porto seguro. Só ganhou um abraço maior.
Este caminho faz sentido para vocês? Gostava muito de ler o que pensam nos comentários.