25/08/2026
Tenho alguém com quem estou a trabalhar que me disse que tinha perdoado a mãe há anos. Que já tinha feito as pazes. Estava tudo resolvido.
Na mesma sessão descreveu como desliga automaticamente sempre que a mãe faz um comentário sobre o seu corpo. Como muda de assunto quando a conversa se aproxima de certos temas.
Como sai dos almoços de família com uma exaustão que não consegue explicar.
Isso não é perdão resolvido, é gerir com critério.
Ela não perdou, ela decidiu que era mais fácil seguir em frente do que ficar com o que sentiu.
Que era mais seguro fechar do que abrir.
Que perdoar era a forma adulta de não ter de lidar com aquilo.
E o corpo ficou com a conta.
A exaustão depois dos almoços é o custo de manter a gestão ativa.
A tensão antes de atender o telefone é o custo de um perdão que saltou etapas.
O desligar automático é o custo de nunca ter deixado que o que aconteceu fosse visto pelo que realmente foi.
Perdoar de verdade não é esquecer nem minimizar.
É deixar que o impacto real do que viveste ocupe o espaço que merece, sem pressa, sem atalhos.
E só depois disso, soltar.
Quando isso acontece de verdade, o telefone toca e o estômago não fecha.