Paula Chocalhinho

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23/10/2026

Fácil de entender, difícil de sair desse mecanismo. Mas necessário.

Estava aqui no meu journaling e de repente abriu-se uma página onde tinha uma folha com o desenho de uma romã e algumas ...
19/10/2026

Estava aqui no meu journaling e de repente abriu-se uma página onde tinha uma folha com o desenho de uma romã e algumas palavras. Em tempos partilhei num reel o resultado deste processo terapêutico, que foi em novembro de 2024 e hoje quero voltar a ele.

A pergunta que nos foi feita neste exercício era: "Se eu fosse Natureza, o que seria?", e eu respondi:

"Seria morte e renascimento. Morreria todas as vezes que fossem necessárias sem medo, sem mágoa, sem angústia, e aceitaria o fluxo da vida, tal e qual como ele se apresenta. Seria vida em todos os momentos, até ser morte."

Hoje isto chegou-me e bateu-me, relembrando-me da minha intenção e percepção destes vários momentos que temos ao longo da vida que nos pedem o abandono de velhas carapaças e modos de ser e funcionar, que já não nos servem mais, que nos trazem sofrimento e repetição de padrões, sejam eles quais forem.

Não é fácil fazer isto. Há uma resistência enorme ao novo e ao diferente, pois assim fomos programados e ensinados. Não só biologicamente como socialmente e culturalmente, bem como através da nossa educação e reforço de crenças e modelos da nossa família.

Tenho falado do quanto costumo trabalhar em mim, apesar do cansativo que possa ser, mas não há outra forma. Sou feita dessa matéria de querer saber sempre mais, e aprofundar sempre mais, até onde não puder mais ir. E, quando aí chegar, saber aprender a f**ar com o que restar, com o que aprendi e com o que sou, quando mais nada me definir. E ser silêncio. Ser essa presença que falo.

É um trabalho mental, emocional e espiritual também, pois funciona em várias frentes em em todas as áreas que nos definem ou que nos habitam. É uma busca e um chamamento constante. Sei que muitos de vós também o têm. Muitos não o têm e ainda bem. A vida é bem mais leve assim, para os que não aprofundam, não questionam. E digo isto sem crítica e sem desmérito, porque abençoados os que não se questionam constantemente.

Para quem o faz, conheço bem a vossa dor e ânsia. Encontrem espaços terapêuticos em pessoas, terapias e em vocês. Façam passeios terapêuticos na praia, campo ou serra. Escutem a natureza, o mar, o vento e as árvores. Cuidem muito do que sentem, e aceitem que essa é a vossa condição. Tenho muita compaixão para quem tanto sente. Sei como pode ser um fardo por vezes. Mas sei que também vos permite observar o bom e o belo em maior esplendor, sentir as coisas de outro lugar e tornar o mundo bem mais bonito com a vossa visão e sentir.

12/10/2026

Como se faz isso? Através de mecanismos de regulação emocional. Essencialmente: presença, autocompaixão e acolhimento. Sermos assertivos connosco e com os nossos pensamentos. Descansarmos como precisamos. Cuidarmos bem de nós. Termos tempo para o ócio e para o que gostamos. Termos tempo de qualidade para nós e com os nossos.

Ficar mais consciente nem sempre torna a vida mais fácil. Pode até torná-la mais difícil, porque aquilo que antes era su...
07/10/2026

Ficar mais consciente nem sempre torna a vida mais fácil. Pode até torná-la mais difícil, porque aquilo que antes era suportado automaticamente deixa de poder ser ignorado. Quanto mais uma pessoa se conhece, menos consegue viver contra aquilo que sabe sobre si própria e sobre aquilo que já percebeu.

Este processo pode ser confundido com o f**ar mais exigente ou "egoísta", nomeadamente nas escolhas que se fazem ou atitudes que se tomam, mas na verdade, o que acontece é que deixa de haver autoabandono e de se viver em serviço ao que os outros querem ou possam precisar.

Há, contudo, uma grande armadilha neste processo: pode transformar-se na procura de uma vida perfeitamente alinhada e sem sentimentos dissonantes ou dissabores, o que é impossível. A maturidade e o autoconhecimento não é deixar de sentir desconforto. É conseguir escolher conscientemente quais os desconfortos que valem a pena e saber geri-los de outra maneira e de outro lugar. Ou seja, desenvolvimento não é eliminar a humanidade. É aumentar a capacidade de a habitar.

Quanto maior a consciência também maior é a responsabilidade sentida pelas próprias escolhas. Já não é tão fácil atribuí-las exclusivamente às circunstâncias ou ao acaso. No ganho de maior consciência ganhamos também mais liberdade, mas com liberdade vem responsabilidade e essa responsabilidade exige que sejamos mais verdadeiros conosco e com as nossas decisões e comportamentos - devem ser congruentes com o que já percebemos sobre nós e sobre o que precisamos.

É frequente também haver uma espécie de intervalo entre deixar de funcionar no molde antigo e ainda não ter encontrado plenamente o novo e isso trazer estranheza. Mas uma das maiores consequências de todo este processo é mesmo o deixar de ser possível usar eternamente o passado para explicar o presente. O trauma, a infância, a família, os padrões de vinculação e as circunstâncias continuam a fazer parte da história, mas, progressivamente, deixam de ser o argumento final. E isso pode trazer uma liberdade enorme. Mas liberdade também signif**a ter de escolher. E escolher pode ser muito mais assustador do que simplesmente sobreviver e repetir o que sempre temos feito até aqui.

Acompanho demasiadas pessoas em burnout atualmente, homens e mulheres, que sentem que meter uma baixa por motivos psicol...
29/09/2026

Acompanho demasiadas pessoas em burnout atualmente, homens e mulheres, que sentem que meter uma baixa por motivos psicológicos é um fracasso pessoal e um processo de desistência e incompetência. E não é.

Fizeram-nos acreditar que deveríamos de ser capazes de dar conta sempre, de não termos direito a ter limites e necessidades próprias, que temos de corresponder às expectativas que têm sobre nós e que temos de produzir resultados, sem reclamar e sem espaço para a brincadeira. Afinal, o dever vem sempre primeiro.

Esse modelo educativo, seja dos nossos pais, seja do ensino e mundo académico, é o do sacrifício, esforço, produtividade apesar do cansaço e da falta de espaço para ser, e é um condicionamento reforçado por todos os anos de escolaridade e de educação parental. O que nos leva a perceber que temos de ser obedientes e corresponder a todas essas expectativas familiares, sociais e culturais, se não a consequência é demasiado dura: desaprovação, castigo, reprovação, retirada de afeto, crítica, julgamento ou até exclusão.

No fundo, fazemos tudo para pertencer, tal animal encurralado numa manada com regras próprias, e assim é. Passamos a ser presa em vez de predador: sempre em alerta de todos os potenciais perigos, e não como autoridade máxima nas nossas vidas. Então são exatamente esses mecanismos que te levam a aceitar mais do que podes carregar, porque nunca aprendeste que não tens de o fazer, nem sujeitar-te a maus tratos, exploração e negação dos teus direitos no que toca a períodos de pausa, descanso, lazer, horários de saída, de almoço, e só queres corresponder, seres validado/a pelo tanto que fazes - "que não é mais do que a tua obrigação".

Enquanto adultos, e profissionais, temos direito a refutar esse modelo. A dizer "Isto não me serve", "Isto não é bom para mim", "Isto não pode continuar assim". E finalmente reivindicar a tua autoridade e o direito de cuidares das tuas necessidades, não só dos teus deveres. Tu és o educador agora, e podes ser rígido, castigador ou intransigente. Ou podes ser gentil, cuidador, afetuoso, compassivo e justo.

Gostaria que soubesses isso: que precisar de parar e descansar nunca será um fracasso. É uma necessidade.

O nosso mundo mental vive aqui a maior parte do tempo, daí as estatísticas sobre depressão e ansiedade. E não é por acas...
22/09/2026

O nosso mundo mental vive aqui a maior parte do tempo, daí as estatísticas sobre depressão e ansiedade. E não é por acaso. Não só pela forma como vivemos, que é um estilo de vida baseado no stress, horários apertados, responsabilidades e excesso de tarefas, pouco descanso, má nutrição, sedentarismo e demasiadas exigências, mas também cobrança de perfeição e desempenho a todo o momento pela família, escola, pessoas à nossa volta e no trabalho.

Para funcionarmos e nos adaptarmos a uma sociedade com estas regras e exigências, desenvolvemos mecanismos de hipervigilância e compensação como o perfeccionismo e a ansiedade decorrente: falhar não é uma hipótese, senão vem a crítica e a cobrança externa (e interna). Como tal, a nossa mente anda, a maior parte do tempo neste tipo de pensamentos para dar conta do recado e nada falhar. A questão é que estes pensamentos são indutores de ansiedade e mantém-nos num estado de stress e antecipação constante.

Treinar a nossa mente para funcionar de forma diferente é um desafio e peras, porque tem de ser diária a nossa vigilância para contestar esses mesmos pensamentos automáticos negativos, como lhes chamamos em psicologia. Contestar, responder, relativizar ou até ignorar certos pensamentos quando se tornam repetitivos e já lhes demos resposta. É um dos treinos que faço em consulta, dando vários exemplos de como responder ou contestar esses mesmos pensamentos.

Devemos primeiro tornar-nos conscientes dos nossos pensamentos e de onde anda a nossa mente em cada momento e perceber a sua narrativa. A seguir, sempre que nos apercebermos de alguma irritabilidade, ansiedade ou outra emoção dissonante, tensão no corpo ou agitação, identif**ar que tipo de pensamentos estamos a ter, depois é dar-lhes resposta: contendo, adiando, dando a solução, ou o que seja preciso. Isto no caso dos "E se", "Será que" e "Porquê".

No caso dos "Tenho de" e Deveria" é essencialmente treinar a aceitação das nossas falhas e incongruências, ou até estados emocionais dissonantes, que devemos validar e acolher com compaixão - no fundo fazer aquilo que nunca nos ensinaram. A solução passa sempre por apaziguar-nos e sermos gentis conosco.

A era do autosacrifício chegou ao fim (e ainda bem). Que possamos sempre levar a nossa vida da forma que acharmos mais c...
14/09/2026

A era do autosacrifício chegou ao fim (e ainda bem). Que possamos sempre levar a nossa vida da forma que acharmos mais correta e em consonância com quem somos em cada momento e de acordo com as necessidades de cada fase e ciclo de vida. E esta época em concreto grita: LIBERDADE e AUTONOMIA.

Importa dizer que estas mulheres foram casadas ou viveram com os seus companheiros, criaram os filhos, cuidaram deles, da casa, do companheiro e dos negócios (seja o negócio só seu ou também do companheiro), e muitas vezes também dos sogros e dos próprios pais no processo.

Posto essa missão, é mais do que justo poderem chegar a um momento no tempo em que elas possam passar a definir as suas prioridades, que não sejam baseadas no cuidado e assistência ao outro, assumindo, finalmente, uma voz ativa no que querem e no que precisam.

Fico sempre imensamente feliz de conhecer mulheres destas, seja no meu consultório, seja na minha vida pessoal, e perceber o caminho que foi preciso fazer para se chegar aí, a esse ponto na vida, com essa atitude e assumir essa liberdade de ser e fazer o que achar correto para si. O meu aplauso a quem conseguiu, às vezes com muita crítica e julgamento, fazer este processo.

Quem não gosta e quem critica essa postura, é exatamente quem beneficiava desta mulher estar aprisionada em papéis que limitavam a sua autonomia e quem era cuidado por ela, sentindo-a garantida. Acho mesmo que o que estamos a assistir em termos de discursos retrógados e conservadores tem a ver com esta emancipação e a quem a sente como prejuízo ou ameaça.

Pois eu lutarei e defenderei sempre esta causa: a da liberdade - de ser, de direitos, de autonomia, de emancipação - porque dela beneficio imensamente.

Não suportamos a rejeição. e quando ela acontece, queremos retomar rapidamente o poder e o controlo. Debatemo-nos que ne...
08/09/2026

Não suportamos a rejeição. e quando ela acontece, queremos retomar rapidamente o poder e o controlo. Debatemo-nos que nem aranhas perto do fogo porque f**amos indefesos, impotentes e vulneráveis.

O sentimento de rejeição é muito mau de engolir. Sermos escolhidos por quem gostamos, pelo contrário, é uma sensação maravilhosa. Traz um senso de alívio e pertença. Quando o outro não nos escolhe e decide afastar-se, esse senso f**a comprometido. Há uma parte nossa que f**a aflita, sem direção, perdida e a querer retomar o controlo novamente - porque a vida com outra pessoa nos dá a noção de continuidade, estabilidade e uma espécie de garantia de futuro, trazendo segurança e conforto.

Quando esse outro sai de cena, essa visão f**a comprometida e é aí que, muitas vezes, se começam a procurar respostas, fazer terapia, voltar ao desporto, lembrar-se de amigos e querer conectar-se com outras pessoas. De repente há tempo livre e há um vazio que se quer colmatar.

Tudo isso é válido, o único jogo injusto é envolver outros sentimentalmente no processo ou usar terceiros como almofada emocional. Está ok desabafar com amigos (não obsessivamente e a toda a hora - o tal emocional dumping). Está ok procurar ajuda psicológica mas não para se vitimizar apenas e sim procurar entender os motivos que originaram a situação e responsabilizar-se pela mudança necessária, nem que seja aceitar que o outro já não quer a relação, mesmo que isso seja impensável e doloroso. E está ok conhecer outras pessoas no processo, qb. Desde que não seja por predação emocional.

Às vezes dá-me a sensação que somos todos uns bebés chorões carentes que não podemos (ou não sabemos) estar sozinhos. E esse é um passo fundamental na emancipação emocional. Não é nunca precisar de ninguém. É poder estar bem mesmo sem um outro signif**ado e não ir a correr para os braços de outra pessoa buscar co***lo e validação. Ninguém quer ser a segunda opção de alguém e a qualquer momento "ah e tal afinal não estou disponível".

O ideal será sempre curar as feridas antes de se procurar outra pessoa, aprendendo a lidar com a dor e o vazio primeiro. Isso sim é evolução.

A partir dos 40 anos, muitas mulheres começam a entrar numa fase de transição hormonal que pode durar vários anos: a per...
04/09/2026

A partir dos 40 anos, muitas mulheres começam a entrar numa fase de transição hormonal que pode durar vários anos: a perimenopausa. Uma das coisas mais importantes para compreender esta fase é que o problema não é simplesmente o estrogénio começar a baixar. Inicialmente, o estrogénio pode tornar-se muito mais imprevisível, alternando entre picos elevados e quedas acentuadas.

É precisamente esta instabilidade hormonal que ajuda a explicar porque tantas mulheres dizem: «Eu já não me sinto como eu», mesmo continuando a menstruar regularmente.

O cérebro feminino pode ser particularmente sensível às variações hormonais, e não apenas aos valores absolutos das hormonas. Por exemplo, uma mulher pode ter níveis de estrogénio considerados normais numa análise, mas estar a sentir sintomas importantes porque passou recentemente por uma queda rápida. Na perimenopausa, muitas vezes o problema não é simplesmente a falta de estrogénio. É a imprevisibilidade do sistema hormonal.

A perimenopausa não afeta apenas os ovários. Pode ser vivida como uma fase de reorganização de todo o sistema neuroendócrino. E é aqui que muitas mulheres chegam à terapia nesta fase a dizer:

«Estou mais ansiosa, mas não sei porquê.»
«Parece que perdi a capacidade de lidar com as coisas.»
«Estou muito mais sensível.»
«Não consigo concentrar-me.»
«Tenho menos tolerância às pessoas.»
«Estou sempre cansada.»
«Já não tenho a mesma capacidade mental.»
«Parece que a minha personalidade mudou.»

Nem tudo isto é causado pelas hormonas, evidentemente. A vida aos 40 e 50 anos também costuma coincidir com enorme pressão profissional, familiar e relacional. Mas a flutuação hormonal pode reduzir a margem de tolerância do sistema nervoso. Algo que antes era gerido relativamente facilmente pode passar a ser sentido como excessivo.

Duas mulheres com valores semelhantes numa análise podem sentir-se de formas muito diferentes. Na perimenopausa, o sistema hormonal pode estar a mudar de forma signif**ativa de semana para semana ou de ciclo para ciclo.

Se estás a viver esta fase, procura a tua ginecologista, endocrinologista ou uma consulta de longevidade para perceberes o que podes fazer para regular os sintomas.

Se não mudas as escolhas, as decisões e as acções, como esperas resultados diferentes? Se continuas a dizer que sim ao q...
31/08/2026

Se não mudas as escolhas, as decisões e as acções, como esperas resultados diferentes?

Se continuas a dizer que sim ao que te faz mal e te consome, se continuas a fazer sempre a mesma escolha e a teres sempre o mesmo comportamento, reação e atitude, se evitas os movimentos concretos que te trariam sucesso, ou concretizações mesmo que não tenhas a certeza do caminho e dos resultados, nada pode mudar.

Muitas vezes a mudança signif**a arriscar mesmo que não tenhas a certeza do desfecho, mas sim de que ali e assim não podes continuar. Pode ser um tiro no escuro, mas assim se dá a evolução, o crescimento e a expansão que tanto queres, ou a paz que dizes procurar. Nunca será f**ar no mesmo registo.

Podes fazer as terapias que quiseres, mas no fim, a mudança virá sempre da forma como escolhes agir perante cada situação, da decisão que tens adiado, do não que não dizes e do sim que deverias dizer, da escolha que já tomaste internamente mas que ainda não materializaste, daquilo que já percebeste mas que ainda não meteste em prática.

Não basta f**ar no entendimento. Há que fazer. Agir. Decidir. Enfrentar. E sim, implica fazer a parte mais difícil. É assim que se mudam padrões. Não é só internamente nem só através da consciência e saber o que precisas de fazer: é fazê-lo de facto. É percorrer a estrada que já viste mas tens estado a adiar.

Dá medo? É mesmo assim. Há que ir com medo mesmo. Esse ninguém te tira. Só depois de enfrentada a situação é que ele desaparece. Sempre foi e sempre será assim. Por isso, vai e faz. Vai e enfrenta. Vai e diz. Só assim podes sair do lugar em que te encontras, se não é onde não queres estar.

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