Paula Chocalhinho

Paula Chocalhinho Informações para nos contactar, mapa e direções, formulário para nos contactar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Paula Chocalhinho, Psicólogo/a, Largo do Campo da Feira nº 22, Faro.

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⏳️Hipnoterapia
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👧Trabalho com a Criança Interior
🥰 Autoaceitação e Autocompaixão
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"Ah e tal mas eu já lhe disse o que preciso e quais são os meus limites e o que eu preciso que ele faça" - e nada muda. ...
18/08/2026

"Ah e tal mas eu já lhe disse o que preciso e quais são os meus limites e o que eu preciso que ele faça" - e nada muda. Quais são as consequências disso?

a) manténs-te na relação, a reclamar constantemente ou a vitimizares-te a outros?

b) responsabilizas o outro e ele sabe claramente quais são as consequências de não respeitar algo que é importante para ti?

Vejo isto constantemente. Pessoas que dizem que comunicam claramente e que "dizem tudo" mas depois continuam numa relação em que não há o mínimo respeito ou consideração para com elas e essas ditas necessidades ou limites.

Primeiro temos de ser realistas. O outro não existe para satisfazer tudo o que nos der na gana e corresponder a todas as nossas expetativas, mas há mínimos. E se não temos o que precisamos nessa relação, afinal o que fazemos ali? Há que assumir a responsabilidade de sair e não esperar que seja o outro a fazer as coisas certas ou que precisas - até o perceber e aceitar que queres terminar a relação.

Também vejo muito isso. Na dificuldade de dizer o "não final", vai-se ficando, por uma série de motivos, mas muitas vezes por querer que o outro aceite ou compreenda a nossa posição e nos deixe ir, sem barulho, sem choro, sem discussão e sem resistência. Boa sorte. O outro está confortável na situação, principalmente se sempre fizeste tudo pela relação, incluindo anulares-te e cederes a todas as suas exigências e fizeste tudo para acomodar as suas necessidades. Quem não está confortável com isso és tu - e nem deves de estar. Como tal, és tu que tens de sair.

Se já reconheces os teus limites e necessidades e já o comunicas, óptimo. Fizeste metade do trabalho. Mas isso não basta, lamento. Há que responsabilizar o outro sempre que alguma coisa falha e magoa, e acima de tudo, haver consequência, sendo a maior, teres de abandonar essa relação se já tentaste e comunicaste tudo o que podias e, mesmo assim, não há mudança.

Não fiques onde não é bom para ti. Tens uma saúde para manter, incluindo a mental, que só está boa quando tens do teu lado alguém que apoia, está presente e se responsabiliza. Não alguém que drene, que cobre incessantemente, que traia, que agrida, que é ausente ou indisponível.

O stress é uma resposta natural do organismo a desafios ou ameaças. Quando é de curta duração, ajuda-nos a reagir e a ad...
11/08/2026

O stress é uma resposta natural do organismo a desafios ou ameaças. Quando é de curta duração, ajuda-nos a reagir e a adaptar-nos. O problema surge quando se torna crónico, mantendo o corpo num estado constante de alerta. Nessa situação, praticamente todos os sistemas do organismo podem ser afetados.

O cortisol não é uma hormona má. É essencial para regular a energia, a resposta imunitária e o metabolismo. O problema é quando permanece elevado durante semanas ou meses (ou mesmo anos como vejo muita gente a viver), levando a um desequilíbrio entre inflamação, imunidade e recuperação do organismo.

Hoje sabe-se que não é apenas a intensidade do stress que importa, mas sobretudo a sensação de falta de controlo, a sua duração e a ausência de períodos de recuperação. É essa combinação que mais contribui para o desgaste do sistema nervoso, para alterações do sistema imunitário e para o aumento do risco de problemas de saúde física e mental.

Este tema é particularmente relevante nas mulheres entre os 35 e os 50 anos, uma vez que as alterações hormonais da perimenopausa podem tornar o organismo mais sensível aos efeitos do stress, criando um ciclo em que stress e sintomas físicos se potenciam mutuamente.

Sistemicamente, vivemos numa época e numa cultura que propicia estes ciclos de stress constante ou mesmo um estado de stress permanente. E não é com umas férias de alguns dias, uma ou duas semanas, se resolve. Há que fazer mudanças no nosso estilo de vida e na forma como levamos o trabalho, e a intensidade como o vivemos. Temos de ser muito conscientes com os nossos limites e necessidades físicas para conseguir efetuar as mudanças necessárias.

Caso não estejas a conseguir fazer isto sozinho/a, então é bom procurares ajuda psicológica, porque há vários mecanismos conscientes e inconscientes a operar para que te mantenhas nesse ciclo, sem conseguir sair ou parar.

Não basta saber conquistar, há que saber ficar e sustentar o que é difícil e delicado, e isso poucos sabem fazer. Muitas...
04/08/2026

Não basta saber conquistar, há que saber ficar e sustentar o que é difícil e delicado, e isso poucos sabem fazer. Muitas vezes falta maturidade, inteligência emocional e vontade de crescer.

Ser responsável por algo que se conquista, dá trabalho e é preciso muita consistência, tolerância à dificuldade e frustração, saber ter conversas difíceis, sustentar o desconforto próprio e do outro e enfrentar a desaprovação e a quebra de expectativas. Requer uma boa comunicação ou capacidade de se comunicar e de ficar no que é desafiante e incerto.

Vejo muitas mulheres ficarem no potencial dos seus parceiros, à espera de uma mudança e que eles, querendo, podiam fazer diferente. Foco na palavra "querendo" e "podiam". Mesmo querendo mudar é difícil. É preciso consistência, trabalho interior, ações sustentadas no tempo e conversas, muitas conversas sérias e honestas. Sem isso não é possível o crescimento dentro da relação, é uma linha reta entre o antes e o depois, e não uma linha crescente, ainda que com altos e baixos.

Se no princípio da relação essa pessoa parecia tudo o que se pretendia (não esquecer que a fase da conquista dura os primeiros meses de relação e o outro mostra todas as cartas bonitas), há que se manter assim. Contudo, quando a relação se deteriora, há desafios ou as coisas complicam e o outro lado se afasta, não se responsabiliza, ignora, acusa ou se torna agressivo e defensivo, é altura de rever se esse parceiro (ou parceira) está à altura ou só quer o comodismo de ter uma relação.

Só ter uma relação, após a fase da conquista em que se dá tudo o que é bom por curto espaço de tempo, e depois, a médio e longo prazo, querer apenas que tudo seja fácil e descomplicado, sem chatices, por si só é um sinal de alerta. Talvez esse outro tenha a fantasia de que não tem de mudar, de se ajustar ou adaptar, de dialogar, de se responsabilizar, negociar, ceder, etc., ou não seja capaz de sustentar esse lugar. Para isso é preciso maturidade e inteligência emocional - e querer enfrentar as questões difíceis.

Como tal, sim, as relações não se sustentam só de sentimentos e boas intenções. A parte comportamental (o que se faz) e a consistência são a chave de tudo.

Grande parte daquilo que pensamos ser uma escolha livre é influenciado por processos automáticos, memórias implícitas, c...
28/07/2026

Grande parte daquilo que pensamos ser uma escolha livre é influenciado por processos automáticos, memórias implícitas, condicionamentos emocionais e padrões relacionais que operam abaixo do limiar da consciência. Não somos uma folha em branco que decide racionalmente a cada momento.

O que é a programação inconsciente?

É o conjunto de aprendizagens, crenças, expectativas, respostas emocionais e estratégias de sobrevivência que foram sendo construídas ao longo da vida, sobretudo nos primeiros anos. Esta programação forma-se através da relação com os cuidadores, experiências de segurança ou insegurança, traumas grandes ou pequenos, ambiente cultural e familiar, mensagens explícitas ("tens de ser forte") e implícitas ("o amor depende do desempenho"). Com o tempo, estas experiências transformam-se em mapas internos sobre quem somos, o que podemos esperar dos outros, o que é seguro ou perigoso, o que preciso fazer para ser amado ou aceite.

Porque repetimos padrões?

O cérebro não procura necessariamente felicidade, procura familiaridade. Aquilo que conhecemos tende a ser interpretado como seguro, mesmo quando nos faz sofrer. Por isso, uma pessoa pode escolher repetidamente parceiros emocionalmente indisponíveis, sabotar oportunidades profissionais, colocar sempre as necessidades dos outros à frente das suas ou permanecer em relações insatisfatórias não porque queira sofrer, mas porque o sistema nervoso reconhece aquele padrão como conhecido e porque repetimos aquilo que não conseguimos integrar.

Muitos comportamentos são respostas fisiológicas antes de serem decisões conscientes. Por exemplo: quem cresceu num ambiente imprevisível pode viver em hipervigilância. Quem viveu situações de impotência pode entrar facilmente em colapso ou desistência. Quem recebeu amor condicionado pode tornar-se excessivamente perfeccionista. A pessoa pode acreditar que está simplesmente a "ser assim", quando na verdade está a reproduzir adaptações antigas.

Como tal, nada do que fazemos é imparcial ou sem conexão com a nossa história, mesmo escolhas aparentemente inócuas ou que, sem querer, nos levam aos mesmos resultados e desfechos. Vês isto a acontecer na tua vida?

24/07/2026

É mais ou menos isto ✨️

Perco a conta às vezes que ouço esta queixa nas consultas: "A minha cabeça não parece estar bem" ou "A minha memória não...
20/07/2026

Perco a conta às vezes que ouço esta queixa nas consultas: "A minha cabeça não parece estar bem" ou "A minha memória não funciona como antes". E constato o mesmo em mim mesma. A minha sensação é que tenho a cabeça cheia de informação e de que não cabe mais. E sabemos que, de facto, nunca consumimos tanto conteúdo e nunca tivemos tantos estímulos para gerir intelectualmente e sensorialmente.

As redes sociais são uma parte importante da explicação, mas estão longe de ser a única. O que muitas pessoas entre os 30 e os 50 anos descrevem atualmente: "sinto que estou mais esquecida", "não retenho informação", "estou sempre distraída" parece resultar da convergência de vários fatores neurológicos, psicológicos e culturais.

Curiosamente, não há evidência de que estejamos coletivamente a ficar menos inteligentes. O que parece estar a acontecer é uma alteração da forma como a atenção, a memória e a carga cognitiva estão a ser distribuídas. O nosso cérebro, na verdade, está saturado. Aquilo que interpretamos como "má memória" é, na verdade, excesso de carga mental.

Alguns especialistas descrevem a nossa época como uma era de "atenção parcial contínua" pois estamos quase sempre atentos a alguma coisa mas raramente totalmente presentes, e a memória nasce da presença.
Não nos esquecemos apenas porque envelhecemos, esquecemo-nos porque nunca chegámos a estar verdadeiramente presentes quando a informação apareceu, e isto é um problema de atenção ou foco, e não de memória.

Do ponto de vista psicológico, conseguimos perceber que muitas pessoas não estão propriamente deprimidas nem têm uma perturbação neurocognitiva: estão exaustas. Vivem num estado de hiperestimulação e hiperresponsabilidade que reduz a capacidade de atenção profunda, reflexão e integração da experiência. Ou seja, falta de presença.

Este excesso esconde uma falta: a de sustentar o vazio, o aborrecimento, o tédio, o da atenção sustentada de quem lê e vê um filme sem ser interrompido por notificações ou pausas sucessivas para verificar o telemóvel.

Diria que estaríamos todos a precisar de um detox digital, ter menos responsabilidades e volume de trabalho para poder, verdadeiramente, regenerar.

A maioria das pessoas que atendo são mulheres e mulheres na casa dos 40 anos, particularmente entre os 35 e os 55, e os ...
06/07/2026

A maioria das pessoas que atendo são mulheres e mulheres na casa dos 40 anos, particularmente entre os 35 e os 55, e os temas que mais surgem em terapia tendem a ser menos centrados na construção da vida e mais na sua reavaliação, reorganização e aprofundamento.

Surge muito o tema da identidade: quem sou agora ou quem quero passar a ser daqui para a frente, dos relacionamentos que já não servem ou já não servem como têm sido até aqui, as mudanças hormonais, o cansaço, a dificuldade em relaxar e descansar, a sobrecarga profissional e familiar, stress e ansiedade, propósito, temas relacionais e um sentimento gigante de culpa por sentirem que estão a falhar ou que algo de errado se passa com elas e a não saberem ou perceberem bem porquê.

Um fenómeno que parece estar a crescer também é algo que poderíamos chamar de fadiga da hiperconsciência. Elas fazem terapia, leem livros, conhecem os seus padrões, compreendem o trauma, sabem comunicar melhor mas sentem-se exaustas por estarem sempre a analisar-se e também por já entenderem tanto e terem feito tanto trabalho em si mas nem sempre vêm as mudanças correspondentes ao seu nível de consciência. Daí sentir que é uma das fases mais importantes para procurar um acompanhamento psicológico, um espaço seguro e de entendimento, onde todas estas questões são abordadas de forma sistemática e aprofundada, considerando que nem sempre têm o tempo e o espaço para esta reflexão e partilha.

Da minha experiência, o facto de poderem olhar sem julgamento todas estas questões e lhes ser devolvido um olhar compassivo e uma validação do que sentem, é do mais terapêutico que pode haver, sem necessidade de grandes intervenções e malabarismos psicológicos. Há questões sobre a qual só podemos obter um entendimento ou aceitação do que é: nem tudo se resolve, nem tudo se cura ou ultrapassa como gostaríamos, nem tudo tem de ser resolvido e superado, na verdade. Há coisas que só temos de acolher e outras tantas que nem temos sequer de perceber ou saber porque assim são concretamente. Daí este ser um dos trabalhos mais bonitos e gratificantes que faço atualmente 🤍

Segundo a teoria dos septénios, utilizada na antroposofia de Rudolf Steiner, a vida desenvolve-se em ciclos de sete anos...
30/06/2026

Segundo a teoria dos septénios, utilizada na antroposofia de Rudolf Steiner, a vida desenvolve-se em ciclos de sete anos. Hoje quero falar dos dois ciclos mais importantes da vida de uma mulher, que também são os ciclos em que mais e mais mulheres começam a procurar terapia e respostas aos seus questionamentos e anseios e a quererem desenvolver-se e melhorar-se, melhorando também a vida que levam e os seus relacionamentos, bem como a relação com elas próprias.

Enquanto entre os 35 e os 42 anos a pergunta é: "Quem sou eu realmente?" e é uma fase em que começamos a ganhar mais maturidade, confiança e assertividade, sem tanta necessidade de agradar e corresponder às expetativas dos outros - ou pelo menos é nisso que mais e mais pessoas trabalham nessa fase - entre os 42 e os 49 anos surge algo mais próximo de: "Como posso expressar no mundo aquilo que sou?". Nesta fase já não se trata tanto de procurar, mas de integrar e manifestar e perceber como queremos viver a próxima metade das nossas vidas, com quem e de que forma.

Quando esta última fase é bem integrada, há maior serenidade e autenticidade, criatividade madura, capacidade de mentoria, clareza sobre prioridades e sentido de propósito. É como se a energia deixasse de estar concentrada na construção da identidade e passasse a estar disponível para a expressão da essência, principalmente a partir dos 42 anos, que pode marcar a típica "crise da meia idade". De facto é onde me encontro, desde o ano passado, em revisão aprofundada de quem sou ou tenho sido, e como quero ser daqui para a frente.

Também é a fase onde mais clientes e amigas minhas se encontram e tem sido delicioso descobrir as maravilhas (mas também os desafios) desta fase pós-40, que nos traz tantas mudanças psicológicas e fisiológicas mas também tanta maturidade, profundidade, sabedoria e maior respeito por nós, pelas nossas necessidades e, principalmente, pelos nossos corpos, pele, alimentação, sono e relacionamentos. Tornamo-nos mais conscientes e responsáveis pelo nosso autocuidado - ou pelo menos começamos a procurar e a fazer por isso, ainda que até aqui não o tenhamos feito.

Quais têm sido as tuas maiores conquistas e desafios desta fase?

A ideia de uma vida low cortisol tornou-se popular nas redes sociais, mas convém esclarecer que o objetivo não é ter cor...
25/06/2026

A ideia de uma vida low cortisol tornou-se popular nas redes sociais, mas convém esclarecer que o objetivo não é ter cortisol baixo. O cortisol é uma hormona essencial para a energia, imunidade, atenção e regulação metabólica. O objetivo é evitar um estado de ativação crónica do sistema de stress, em que o organismo permanece demasiado tempo em alerta.

Uma vida "low cortisol" seria, na prática, uma vida que respeita mais os nossos ritmos biológicos, emocionais e relacionais. Uma vida low cortisol é menos uma questão de técnicas e mais uma mudança de estilo de vida e forma de lidar com o trabalho e as responsabilidades: passar da sobrevivência para a habitação da própria vida. Trocar o "aguentar", "provar", "controlar" e "correr" por uma pergunta mais simples: "O que me permite viver de forma sustentável durante os próximos 20 anos, e não apenas sobreviver a esta semana?"

Queres viver com menos stress? É uma decisão consciente que nos obriga a refletir como vivemos no dia a dia, normalmente em piloto automático, certo? Se é o caso, onde podes desacelerar, parar ou abrandar? Há coisas que podes delegar, deixar de fazer ou fazer menos vezes? No trabalho, aceitas e fazes mais do que deverias? Se sim, de que forma podes diminuir o ritmo, as tarefas ou a intensidade com que vives o trabalho? Na tua vida pessoal, que necessidades não estão a ser atendidas? De que forma podes descansar mais ou ter uma melhor qualidade de sono? Que relações manténs que te drenam? Que posição e decisões deverias de tomar para melhorar a tua qualidade de vida em casa e no trabalho?

São estas e outras questões que te deves fazer, bem como tendo as respostas, tomar decisões e medidas que te levem a fazer o que precisas para viver com maior qualidade de vida e menos stress.

Quais destes princípios já aplicas na tua vida?

A terapia trabalha com algo muito diferente de um problema técnico. Não está apenas a tentar mudar pensamentos ou compor...
22/06/2026

A terapia trabalha com algo muito diferente de um problema técnico. Não está apenas a tentar mudar pensamentos ou comportamentos isolados, está frequentemente a mexer em padrões emocionais, relacionais, corporais e neurobiológicos que se foram formando ao longo de anos ou décadas.

Uma das descobertas mais interessantes da neurociência é que o sistema nervoso valoriza a previsibilidade. Muitas vezes, aquilo que conhecemos parece mais seguro do que aquilo que nos faz bem. Uma pessoa que cresceu a sentir-se rejeitada pode continuar a escolher relações onde não se sente verdadeiramente valorizada. Não porque goste de sofrer, mas porque esse padrão é familiar ao sistema nervoso.

A terapia não consiste apenas em compreender isto intelectualmente. Consiste em criar novas experiências emocionais repetidas que permitam ao cérebro concluir: "Há outras formas de estar no mundo" e isso leva o seu tempo. Para além do mais, compreender não é o mesmo que transformar ou mudar. Muitas pessoas têm insights brilhantes nas primeiras sessões: "Percebo porque tenho medo de abandono", "Percebo que sou demasiado exigente comigo", "Percebo que estou sempre a cuidar dos outros". Mas compreender algo não significa que o sistema emocional tenha mudado.

A terapia implica praticar novas formas de sentir, relacionar-se, colocar limites, tolerar emoções e lidar com conflitos. É um processo experiencial, não apenas cognitivo e o sistema nervoso muda devagar e mudanças profundas exigem repetição. O sistema nervoso aprende através da experiência repetida de segurança, regulação e conexão. Uma única sessão pode ser muito poderosa, mas não tem como apagar anos de condicionamento. É semelhante ao fortalecimento muscular: um treino pode ser intenso mas o músculo desenvolve-se através da repetição ao longo do tempo.

As nossas feridas e traumas aconteceram em relação e precisam de sarar em relação. Como tal, se ainda não começaste, não percas tempo. Quando chegares à terapia vais ficar com pena de não teres começado mais cedo. Quanto mais tempo prolongares a procura da solução, mais tempo leva a resolver. É um facto.

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