18/08/2026
"Ah e tal mas eu já lhe disse o que preciso e quais são os meus limites e o que eu preciso que ele faça" - e nada muda. Quais são as consequências disso?
a) manténs-te na relação, a reclamar constantemente ou a vitimizares-te a outros?
b) responsabilizas o outro e ele sabe claramente quais são as consequências de não respeitar algo que é importante para ti?
Vejo isto constantemente. Pessoas que dizem que comunicam claramente e que "dizem tudo" mas depois continuam numa relação em que não há o mínimo respeito ou consideração para com elas e essas ditas necessidades ou limites.
Primeiro temos de ser realistas. O outro não existe para satisfazer tudo o que nos der na gana e corresponder a todas as nossas expetativas, mas há mínimos. E se não temos o que precisamos nessa relação, afinal o que fazemos ali? Há que assumir a responsabilidade de sair e não esperar que seja o outro a fazer as coisas certas ou que precisas - até o perceber e aceitar que queres terminar a relação.
Também vejo muito isso. Na dificuldade de dizer o "não final", vai-se ficando, por uma série de motivos, mas muitas vezes por querer que o outro aceite ou compreenda a nossa posição e nos deixe ir, sem barulho, sem choro, sem discussão e sem resistência. Boa sorte. O outro está confortável na situação, principalmente se sempre fizeste tudo pela relação, incluindo anulares-te e cederes a todas as suas exigências e fizeste tudo para acomodar as suas necessidades. Quem não está confortável com isso és tu - e nem deves de estar. Como tal, és tu que tens de sair.
Se já reconheces os teus limites e necessidades e já o comunicas, óptimo. Fizeste metade do trabalho. Mas isso não basta, lamento. Há que responsabilizar o outro sempre que alguma coisa falha e magoa, e acima de tudo, haver consequência, sendo a maior, teres de abandonar essa relação se já tentaste e comunicaste tudo o que podias e, mesmo assim, não há mudança.
Não fiques onde não é bom para ti. Tens uma saúde para manter, incluindo a mental, que só está boa quando tens do teu lado alguém que apoia, está presente e se responsabiliza. Não alguém que drene, que cobre incessantemente, que traia, que agrida, que é ausente ou indisponível.