02/06/2026
Muitas pessoas levam a vida zangadas, tristes, magoadas, frustradas com a sua história, com o seu passado, com o que aconteceu, com decisões dos outros e com situações que não correram bem por algum motivo. E de facto muitas histórias foram difíceis, complicadas, houve dor, desilusão, traição, mentira, o que seja. Mas guardar rancor e mágoa do que já aconteceu faz com que a situação continue presente e nunca se dissipe, continuando a causar dor.
Há também pessoas que se castigam initerruptamente por tudo aquilo que fizeram de errado, ou decisões que não tomaram, ou por perdas que tiveram, oportunidades desperdiçadas, etc. Castigam-se não se permitindo viver coisas novas, castigam-se através do seu próprio discurso, da forma como falam consigo bem como através de comportamentos sabotadores, para se manterem numa situação de escassez, falta, desvantagem, ou mesmo de amargura, podendo ter até uma vida confortável e boas pessoas à sua volta mas não usufruindo disso.
Nós, por vezes, somos os nossos piores carcereiros e a qualidade da nossa vida é diretamente proporcional àquilo que pensamos sobre nós, sobre a vida, sobre onde estamos e com quem estamos. Uma perspectiva de crescimento é quando olhamos para as situações como formas de aprendizagem. De tirarmos lições daquilo que nos acontece e de nos apercebemos como tudo nos ativa de alguma forma - agradável, neutro ou desagradável.
Quando algo nos ativa de forma desagradável há oportunidade de aprendizagem: onde é que isto me tocou e que informação posso aproveitar daqui ou o que posso aprender sobre mim aqui? Acima de tudo é sermos responsáveis com as nossas emoções e sentimentos, bem como com os nossos pensamentos - em vez de culparmos o exterior, os outros ou o passado. Há que agarrar no que acontece e dar-lhe um destino: revolta, queixume ou vitimização ou assumirmos a autoria das nossas vidas e história e darmos-lhe um desfecho favorável.
Como tal, uma forma de lidarmos com muito do que nos acontece é mesmo com aceitação e com compaixão: por nós e pela parte que sofre ou sofreu, ou que está aflita, e cuidarmos desse sentir, assumindo escolhas e caminhos que nos honrem e elevem. Este sim é o melhor caminho.