29/09/2026
Acompanho demasiadas pessoas em burnout atualmente, homens e mulheres, que sentem que meter uma baixa por motivos psicológicos é um fracasso pessoal e um processo de desistência e incompetência. E não é.
Fizeram-nos acreditar que deveríamos de ser capazes de dar conta sempre, de não termos direito a ter limites e necessidades próprias, que temos de corresponder às expectativas que têm sobre nós e que temos de produzir resultados, sem reclamar e sem espaço para a brincadeira. Afinal, o dever vem sempre primeiro.
Esse modelo educativo, seja dos nossos pais, seja do ensino e mundo académico, é o do sacrifício, esforço, produtividade apesar do cansaço e da falta de espaço para ser, e é um condicionamento reforçado por todos os anos de escolaridade e de educação parental. O que nos leva a perceber que temos de ser obedientes e corresponder a todas essas expectativas familiares, sociais e culturais, se não a consequência é demasiado dura: desaprovação, castigo, reprovação, retirada de afeto, crítica, julgamento ou até exclusão.
No fundo, fazemos tudo para pertencer, tal animal encurralado numa manada com regras próprias, e assim é. Passamos a ser presa em vez de predador: sempre em alerta de todos os potenciais perigos, e não como autoridade máxima nas nossas vidas. Então são exatamente esses mecanismos que te levam a aceitar mais do que podes carregar, porque nunca aprendeste que não tens de o fazer, nem sujeitar-te a maus tratos, exploração e negação dos teus direitos no que toca a períodos de pausa, descanso, lazer, horários de saída, de almoço, e só queres corresponder, seres validado/a pelo tanto que fazes - "que não é mais do que a tua obrigação".
Enquanto adultos, e profissionais, temos direito a refutar esse modelo. A dizer "Isto não me serve", "Isto não é bom para mim", "Isto não pode continuar assim". E finalmente reivindicar a tua autoridade e o direito de cuidares das tuas necessidades, não só dos teus deveres. Tu és o educador agora, e podes ser rígido, castigador ou intransigente. Ou podes ser gentil, cuidador, afetuoso, compassivo e justo.
Gostaria que soubesses isso: que precisar de parar e descansar nunca será um fracasso. É uma necessidade.