26/05/2026
Há a mala que se faz. E há a outra — a que ninguém vê entrar no hospital.
Quando chega a data da cirurgia bariátrica, o movimento é duplo. Para fora, há coisas concretas a tratar: o pijama, a garrafa de água, os produtos de higiene, o que não pode faltar. Para dentro, carrega-se outra coisa — o medo, a excitação, a dúvida, a imagem de uma vida diferente que ainda é só isso: uma imagem.
Chega o dia. Entrada no hospital, cama atribuída, última consulta, exames feitos. E depois — a espera. Deitado/a, a olhar para o teto, enquanto o hospital continua a funcionar à volta.
É nesse silêncio que chegam as perguntas.
Será que vai correr bem?
Será que consigo?
Para que é que me meti nisto?
São perguntas reais. Surgem porque a mudança é real — e porque comprometer-se com ela, de verdade, tem peso. O medo e a excitação não se excluem. Estão lá os dois, juntos, à espera do mesmo momento.
Há barulho de quem trabalha e de quem está doente. Há a incerteza de uma qualidade de vida que se apresenta — e que ainda não pode ter voz.
Este é também um momento do processo. E reconhecê-lo como tal faz parte da mudança.