Eduardo Araújo - Psychology and Consulting

Eduardo Araújo - Psychology and Consulting Eduardo Araujo, PhD
Chegado aos 50, decidi “mudar de vida” e abraçar um sonho de criança: o mundo da Psicologia.

Partiu uma das vozes que melhor “cantou”  Portugal.Luís Represas não deixou simples canções. Deixou-nos memórias, emoçõe...
23/07/2026

Partiu uma das vozes que melhor “cantou” Portugal.
Luís Represas não deixou simples canções. Deixou-nos memórias, emoções e uma forma muito própria de unir poesia e música. Com os Trovante e, mais tarde, na sua carreira a solo, marcou uma geração que encontrou nas suas letras um espelho das alegrias, das inquietações e das saudades de um país inteiro.
Para quem, como eu, cresceu a ouvi-lo, as suas canções são parte da banda sonora de um vida. Continuarão a acompanhar encontros, viagens, silêncios e recordações, porque a verdadeira arte não desaparece com quem a cria.
Luís represas partiu, mas a sua obra permanecerá. E enquanto alguém cantar as suas músicas, Luís Represas continuará “vivo” e presente na nossa memória coletiva.
Até sempre Luís Represas.

Um “tolo no meio da ponte”.Não sei se hei de avançar…Não sei se quero recuar…Mas uma coisa eu sei: aqui já não quero fic...
04/07/2026

Um “tolo no meio da ponte”.
Não sei se hei de avançar…
Não sei se quero recuar…
Mas uma coisa eu sei: aqui já não quero ficar (Araújo, 2018).

Viés interpretativo: uma possível explicação evolutivaAo longo da sua história evolutiva, a espécie humana enfrentou um ...
17/06/2026

Viés interpretativo: uma possível explicação evolutiva

Ao longo da sua história evolutiva, a espécie humana enfrentou um desafio constante: sobreviver num ambiente caracterizado pela incerteza e pela escassez de recursos.
Neste contexto, a capacidade de tomar decisões rápidas com base num número reduzido de pistas ambientais poderá ter constituído uma importante vantagem adaptativa. Perante um ruído inesperado, um odor desconhecido ou um movimento suspeito, os nossos antepassados raramente dispunham de tempo ou informação suficiente para proceder a uma análise detalhada da situação. Era necessário decidir rapidamente.
Ao longo de sucessivas gerações, a seleção natural poderá ter favorecido mecanismos cognitivos capazes de produzir respostas céleres perante potenciais ameaças, mesmo que essas respostas nem sempre fossem totalmente precisas.
Contudo, a rapidez tem um custo.
Sistemas cognitivos concebidos para decidir depressa estão inevitavelmente sujeitos a erros de interpretação. Em muitos casos, é preferível assumir a existência de uma ameaça inexistente do que ignorar uma ameaça real. Embora esta estratégia possa favorecer a sobrevivência, aumenta também a probabilidade de enviesamentos na forma como interpretamos a realidade.
Partindo desta perspetiva, é possível questionar se algumas crenças desadaptativas não poderão constituir, pelo menos em parte, um subproduto destes mecanismos cognitivos ancestrais. Ao influenciarem a forma como interpretamos os acontecimentos, tais crenças podem contribuir para leituras distorcidas da realidade, conflitos interpessoais e comportamentos socialmente censuráveis, incluindo diferentes formas de violência.
Do mesmo modo, poderão estar na base de padrões de internalização e externalização frequentemente associados ao sofrimento psicológico.
Naturalmente, esta é apenas uma reflexão pessoal. Ainda assim, talvez valha a pena considerar que alguns dos erros que hoje condicionam o nosso bem-estar possam ter tido, em tempos remotos, um valor adaptativo para a sobrevivência da espécie (Araújo, 2024).


Sabes o que é a Alexitimia?A experiência emocional desempenha um papel fundamental na adaptação, bem-estar e sobrevivênc...
08/06/2026

Sabes o que é a Alexitimia?

A experiência emocional desempenha um papel fundamental na adaptação, bem-estar e sobrevivência do Ser Humano. No entanto, algumas condições podem comprometer a forma como as emoções são vivenciadas e compreendidas. A alexitimia é uma delas.
De forma simplificada, a alexitimia pode ser definida como uma condição que se caracteriza por dificuldades na identificação, diferenciação e verbalização das emoções. Em alguns casos, estas dificuldades podem ser tão marcadas que o indivíduo tem dificuldade em compreender aquilo que está a sentir.
A literatura distingue habitualmente dois tipos de alexitimia. Na alexitimia Tipo I encontram-se comprometidas tanto as componentes afetivas como cognitivas da experiência emocional. Já na alexitimia Tipo II, ou cognitiva, o indivíduo experiencia as emoções e as respetivas alterações fisiológicas, mas apresenta dificuldades significativas em identificá-las ou descrevê-las verbalmente.
A etiologia desta condição pode ser congénita (primária) ou adquirida (secundária), surgindo em consequência de doença neurológica, lesão cerebral ou outras condições clínicas.
A vida destes indivíduos pode caracterizar-se por dificuldades no reconhecimento e expressão dos próprios sentimentos, bem como por um estilo de pensamento excessivamente orientado para os factos concretos e para os aspetos práticos da realidade. Em muitos casos, estas dificuldades acabam por influenciar negativamente as relações interpessoais, a regulação emocional e a qualidade de vida (Araújo, 2024).

E se o amor não existir?Uma emoção consiste num conjunto de respostas fisiológicas desencadeadas por um estímulo interno...
01/06/2026

E se o amor não existir?

Uma emoção consiste num conjunto de respostas fisiológicas desencadeadas por um estímulo interno (e.g., dor) ou externo (e.g., avistar alguém). Entre estas respostas incluem-se alterações da frequência cardíaca, da respiração ou da tensão muscular. Trata-se de processos involuntários e não conscientes, muitos deles partilhados com outras espécies animais.

Um sentimento, por sua vez, envolve processos cognitivos mais complexos, nomeadamente a interpretação consciente dessas alterações emocionais. Segundo Damásio (2011), um sentimento corresponde, em última análise, a um pensamento acerca de uma emoção.

Quando falamos de amor, tudo se complica.

À primeira vista, parece evidente que o amor constitui um estado afetivo duradouro. No entanto, se seguirmos a perspetiva de Damásio, verificamos que aquilo que designamos por amor envolve emoções, alterações fisiológicas e, sobretudo, a interpretação consciente dessas experiências. Ou seja, envolve pensamento.

Partindo deste pressuposto, atrevo-me a lançar uma hipótese: talvez o amor não seja uma emoção nem um sentimento no sentido tradicional do termo. Talvez seja, acima de tudo, um pensamento construído a partir de múltiplas experiências emocionais e do significado que lhes atribuímos.
Se assim for, então uma conclusão curiosa emerge: não amamos apenas porque sentimos. Amamos porque pensamos que amamos.

E talvez seja precisamente por isso que algumas relações perduram. Ao cultivar, proteger e reforçar esse pensamento ao longo do tempo, estaremos simultaneamente a proteger a própria relação.

Naturalmente, esta é apenas uma reflexão pessoal. Mas deixa uma questão em aberto:

Quando dizemos "amo-te", estamos a descrever uma emoção, um sentimento... ou uma ideia que construímos acerca de alguém?
(Araújo, 2025; Damásio, 2011).

Racionalismo vs. Empirismo: a SabedoriaRacionalismo e Empirismo são duas correntes filosóficas que procuram explicar a o...
29/05/2026

Racionalismo vs. Empirismo: a Sabedoria

Racionalismo e Empirismo são duas correntes filosóficas que procuram explicar a origem do conhecimento.

A primeira, representada por pensadores como Descartes, defende que o conhecimento deriva da razão. Assim, o Ser Humano (SH), enquanto ser racional, possuiria estruturas ou princípios que não dependem exclusivamente da experiência.

A segunda, representada por autores como Locke, defende precisamente o contrário, isto é, que o conhecimento é adquirido. Para este autor, ao nascer, o SH é uma "tábua rasa", sobre a qual as experiências vão sendo inscritas. O conhecimento surge, assim, da experiência de cada indivíduo. Tal poderá também ajudar a explicar a diversidade humana, uma vez que cada pessoa vivencia a realidade de forma única.

Autores mais recentes, como Erikson e Piaget, defenderam igualmente que o desenvolvimento humano ocorre através de sucessivos estádios. À medida que evolui ao longo do ciclo vital, o indivíduo experimenta, vivencia e constrói o seu próprio conhecimento.

Contudo, este processo tem limites.
Segundo estes autores, a progressão entre estádios encontra-se naturalmente condicionada pelas competências cognitivas e intelectuais de cada pessoa. Em consequência, apenas uma minoria parece alcançar o estádio último do desenvolvimento, aquilo que Erikson designou por integridade.

Na minha opinião, esta perspetiva levanta uma questão pouco debatida nas sociedades modernas, frequentemente mais preocupadas com a massificação, incluindo a intelectual:

O que é ser sábio?

Saber tudo acerca de algo, ou saber algo acerca de tudo?

Obviamente, tenho a minha própria resposta, mas cada um terá a sua, igualmente válida (Araújo, 2022).

Honored to join the Editorial Board of Personality and Individual Differences.I would like to thank the editorial team f...
13/05/2026

Honored to join the Editorial Board of Personality and Individual Differences.

I would like to thank the editorial team for the invitation and for their trust in my work as reviewer over the past years.

Reviewing manuscripts has been an intellectually demanding and enriching experience, allowing continuous contact with new research, methodological challenges, and emerging perspectives in the field of personality and individual differences.

I look forward to continuing contributing to the journal and to the scientific community in this new role.

Sabias que nem todos os indivíduos com psicopatia cometem crimes, e que nem todos os criminosos são psicopatas?A psicopa...
13/05/2026

Sabias que nem todos os indivíduos com psicopatia cometem crimes, e que nem todos os criminosos são psicopatas?

A psicopatia é uma perturbação da personalidade, frequentemente considerada uma das suas formas mais extremas. Pode ser definida como um conjunto de traços disruptivos da personalidade e comportamentos antissociais.
Existem duas abordagens principais no seu estudo: (i) a categorial, segundo a qual o indivíduo é, ou não, psicopata; e
(ii) a dimensional, que concetualiza a psicopatia como um continuum de traços disruptivos distribuídos pela população. Nesta perspetiva, fala-se em traços de psicopatia.
Independentemente da abordagem adotada, estes indivíduos tendem a apresentar impulsividade, frieza emocional, arrogância, crueldade, superficialidade afetiva, manipulação, mentira patológica e reduzida capacidade empática.
Não existe consenso relativamente ao papel do comportamento antissocial (CA). Alguns autores defendem que o CA é inerente à psicopatia. Outros sugerem que poderá representar apenas a manifestação mais extrema dos traços psicopáticos.
Importa ainda referir que a psicopatia poderá ter origem desenvolvimental, mas também pode surgir secundariamente a lesão neurológica adquirida.
Em suma, a psicopatia não se limita a indivíduos violentos ou criminosos. Pode igualmente estar presente em sujeitos socialmente ajustados, bem integrados profissionalmente e, em alguns casos, ocupando posições elevadas na hierarquia social. Nestes indivíduos, intelectualmente mais capazes, a impulsividade e a agressividade tendem a dar lugar ao calculismo, à manipulação e ao charme superficial.
Em determinados casos, a psicopatia poderá ainda ser confundida com alexitimia (i.e., dificuldade em identificar, experienciar ou verbalizar

Podes saber mais em: Araújo et al. (2023) doi: http://dx.doi.org/10.22533/at.ed.5583362329093



05/05/2026

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27/04/2026

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