23/05/2026
Olho para esta fotografia e quase não me reconheço.
Não apenas pelo rosto mais magro ou pelo olhar cansado… mas porque ali existia uma mulher a tentar ser forte enquanto, por dentro, estava cheia de medo.
Quando tive cancro, aprendi uma verdade que poucas pessoas dizem em voz alta:
a espiritualidade não nos torna imunes à dor.
Não nos transforma em seres iluminados que aceitam tudo com um sorriso sereno.
Não nos impede de chorar no banho, de sentir revolta, de ter medo da morte ou de perguntar “porquê eu? Porquê agora? “
Muitas vezes, senti culpa por ter medo.
Como terapeuta, como mulher ligada ao Reiki e à espiritualidade, achava que devia estar sempre equilibrada, confiante, positiva. Mas o cancro desmonta-nos.
Despe-nos das personagens que criámos para sobreviver. E deixa-nos frente a frente com a nossa humanidade.
Mas foi também nessa fase que o Reiki despertou em mim uma tomada de consciência profunda.
Não o Reiki como técnica.
Não o Reiki bonito das frases feitas.
Mas o Reiki como caminho de verdade.
Pela primeira vez, percebi que viver não era apenas existir ou cuidar dos outros.
Era olhar para dentro sem fugir.
Era escutar o corpo, respeitar o silêncio, perceber as emoções escondidas durante anos.
O cancro obrigou-me a parar… e o Reiki ensinou-me a ouvir.
Comecei a compreender que muitas vezes passamos a vida desligados de nós mesmos, a sobreviver em piloto automático, a querer salvar toda a gente enquanto abandonamos a nossa própria alma.
Houve dias em que a fé parecia pequena.
Dias em que o silêncio de Deus doía.
Dias em que eu dava Reiki aos outros… e depois ia para casa tentar curar a minha própria alma.
E foi aí que aconteceu a maior transformação da minha vida:
percebi que cura nem sempre significa ficar sem doença. Às vezes, cura significa despertar.
Despertar para aquilo que somos.
Para as pessoas que amamos.
Para o tempo que desperdiçamos.
Para as emoções que escondemos.
Para a urgência de viver com verdade.
Hoje, quando vejo esta imagem, não vejo apenas uma pessoa doente, vejo uma mulher a renascer.
Uma mulher vulnerável, assustada, cansada… mas profundamente consciente.
E talvez seja isso que muitos precisam ouvir:
mesmo as pessoas espirituais quebram.
Mesmo quem cura os outros também precisa de colo. Mesmo quem acredita na energia, nos anjos, no universo ou em Deus… às vezes perde a esperança.
E está tudo bem.
Porque a verdadeira espiritualidade não está em parecer forte, está em sermos verdadeiros.
No nosso workshop/palestra, espiritualidade e oncologia vou partilhar com vocês muita verdade “escondida” do cancro. ❤️