Medicina Chinesa e Naturopatia Prof.Dr Victor Varela Martins

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Especialização: Acupunctura e técnicas complementares, Tui-Ná, Re

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESADefender a Língua Portuguesa não é defender uma relíquia, um objecto, é defender uma forma...
01/09/2026

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Defender a Língua Portuguesa não é defender uma relíquia, um objecto, é defender uma forma de pensar. E, o pensar influencia o ser.

Uma Língua não é apenas um conjunto de palavras que utilizamos para comunicar. É sim, memória, identidade, cultura e, sobretudo, uma arquitectura do pensamento. Quanto mais rica, precisa e diferenciada for a linguagem que dominamos, maior é a nossa capacidade de distinguir ideias, sentimentos, intenções e realidades, não é?!

Por isso, preocupa-me a progressiva simplif**ação do Português. Não porque uma língua deva permanecer imóvel — pois nenhuma Língua viva o permanece — mas porque evoluir não é necessariamente empobrecer. Não pode sê-lo!

Há palavras que parecem sinónimas e não o são. Há diferenças aparentemente pequenas que transportam séculos de elaboração cultural e permitem dizer exactamente aquilo que queremos dizer.

Veja-se, por exemplo, a diferença entre “reparação” e “reparo”.

Quando uma máquina avaria, fazemos a sua reparação.

Quando causamos um dano a alguém, podemos procurar a reparação desse dano.

Mas quando observamos alguma coisa e chamamos a atenção para ela, fazemos um reparo.

E podemos ainda dizer:

— Não tive reparo nisso.

Ou:

— Permita-me fazer-lhe um reparo.

Aqui, “reparo” não signif**a conserto. Signif**a observação, advertência, chamada de atenção ou acto de reparar no sentido de observar.

A diferença é subtil. Mas é precisamente nessa subtileza que habita a riqueza de uma Língua.

Se começarmos a substituir indiscriminadamente “reparo” por “reparação” ou a abandonar uma das palavras porque outra “serve aproximadamente para a mesma coisa”, não estamos a modernizar a Língua. Estamos sim a perder capacidade de expressão, a perder signif**ação da linguagem.

O mesmo acontece quando desaparecem distinções entre ouvir e escutar, ver e observar, lembrar e recordar, erro e engano, dever e obrigação, liberdade e licença, autoridade e poder.

As palavras não são recipientes vazios. Pois cada uma delimita uma parcela da realidade e, quando perdemos palavras, corremos o risco de perder também a capacidade de reconhecer as diferenças que essas palavras exprimiam.

A Língua Portuguesa possui uma extraordinária riqueza porque nela convergem séculos de História: a matriz latina, os vestígios das línguas anteriores à romanização, influências germânicas e árabes, a tradição cristã medieval e, posteriormente, o encontro com África, Ásia, América e Oceânia.

É uma língua que atravessou mares e que, ao fazê-lo, não permaneceu igual em todos os lugares. Tornou-se portuguesa, brasileira, angolana, moçambicana, cabo-verdiana, são-tomense, guineense, timorense, goense — múltipla na expressão, mas pertencente a uma mesma grande comunidade linguística — que tanto é algarvia quanto conimbricense, bragantina como é açoreana, alentejana ou vimaranense.

Essa diversidade deve ser respeitada. E, respeitá-la é respeitarmo-nos.

Mas respeitar a diversidade da Língua Portuguesa não signif**a apagar as particularidades do Português de Portugal.

Não precisamos de uniformizar aquilo que a História tornou plural, não é?!

Portugal não tem de deixar de dizer autocarro porque no Brasil se diz ônibus; nem comboio porque noutros lugares se prefere trem; nem telemóvel porque se generalizou internacionalmente outra terminologia. Do mesmo modo, seria absurdo exigir aos brasileiros, angolanos ou moçambicanos que abandonassem as formas que legitimamente desenvolveram nas suas próprias comunidades.

A unidade não exige uniformidade. Exige sim, compreensão, aceitação e empatia.

Há ainda outra dimensão que me parece fundamental: quem domina poucas palavras f**a dependente de pensamentos mais simples.

Não porque seja menos inteligente, mas porque lhe faltam instrumentos para organizar e exprimir a complexidade.

Uma pessoa pode sentir algo profundamente diferente de tristeza, mas, se apenas conhecer a palavra “triste”, terá dificuldade em distinguir melancolia, desalento, pesar, mágoa, nostalgia, consternação, desânimo, saudades ou saudade.

E nenhuma dessas palavras signif**a exactamente a mesma coisa, pois são a expressão da miríade de vocábulos e signif**ações específ**as desta Língua.

A palavra saudade, aliás, demonstra magnif**amente aquilo que está em causa. Não é apenas uma palavra bonita. É uma determinada maneira de reconhecer e nomear uma experiência humana.

Defender a Língua Portuguesa é, portanto, defender também esta capacidade de distinguir.

É ensinar às novas gerações que escrever correctamente não é submissão a uma autoridade gramatical: é adquirir liberdade.

Porque quem conhece vinte palavras onde outro conhece duas possui vinte possibilidades de pensamento, de expressão e de escolha.

A linguagem pobre favorece o pensamento aproximado; já a linguagem rica permite o pensamento rigoroso.

Por isso devemos desconfiar da ideia de que todas as simplif**ações representam progresso. Algumas facilitam a comunicação; outras apenas eliminam diferenças que já não tivemos paciência para aprender.

Uma Língua pode transformar-se sem renunciar à sua memória. Pode receber palavras novas sem expulsar desnecessariamente as antigas.

Pode acompanhar a tecnologia sem abandonar a literatura. Pode falar de inteligência artificial sem esquecer Camões, Padre António Vieira, Eça, Camilo, Pessoa, Sophia ou Agostinho da Silva.

E pode ser uma Língua do futuro precisamente porque possui um passado.

Defender o Português não é fechar-lhe as portas. É exactamente o contrário.

É querer que continue suficientemente vivo para criar palavras novas, suficientemente livre para admitir diferenças e suficientemente rico para não precisar de destruir uma única palavra sempre que aparece outra aproximadamente equivalente.

Porque entre reparo e reparação existe apenas uma pequena diferença de letras mas pode existir uma enorme diferença de signif**ado.

E é dessas pequenas diferenças que se constrói a precisão do pensamento.

Uma Língua não se empobrece apenas quando perde palavras. Empobrece quando deixamos de perceber por que razão elas eram, são, diferentes.

Preservar a Língua Portuguesa é, por isso, mais do que preservar palavras. É preservar a memória. É preservar a identidade. É preservar o pensamento.

E um povo que deixa de cuidar da sua Língua começa, lentamente, a deixar que outros pensem por ele.

Boas reflexões, para Todos.

Victor Varela Martins
Especialista em Medicina Natural Integrativa

Mais um estudo muito muito recente em Auriculoterapia; desta feita num contexto hospitalar muito interessante: a ANESTES...
28/08/2026

Mais um estudo muito muito recente em Auriculoterapia; desta feita num contexto hospitalar muito interessante: a ANESTESIA. O estudo-piloto aleatorizado AuriFESS, publicado a 26 de Agosto/2026, investigou a viabilidade da Auriculoterapia como auxiliar na obtenção de hipotensão controlada durante uma cirurgia endoscópica funcional dos seios perinasais sob anestesia geral. Porque me importa? considero este um dos artigos mais interessantes a que acedi esta semana. Pois não pretende substituir a anestesiologia; testa se uma intervenção natural auricular pode ser incorporada num protocolo peri-operatório altamente controlado. É um bom exemplo para demonstrar a diferença entre Auriculoterapia complementar e reivindicações terapêuticas excessivas. Para já é somente um estudo-piloto mas deixa-nos muita esperança para o futuro.

Há poucos dias escrevi que “tempo perdido é vida perdida” e defendi a necessidade de uma Força Internacional de Resposta...
26/08/2026

Há poucos dias escrevi que “tempo perdido é vida perdida” e defendi a necessidade de uma Força Internacional de Resposta Imediata às Catástrofes, permanentemente preparada, treinada e capaz de ser projectada em poucas horas para qualquer ponto do planeta.

Hoje, infelizmente, o Nepal volta a demonstrar que esta discussão não é teórica.

Uma gigantesca cheia súbita atingiu o norte daquele país, na região do Bhotekoshi, junto à fronteira com o Tibete. Com povoações atingidas, estradas e pontes destruídas, comunicações interrompidas e centenas de pessoas dadas como desaparecidas. Entre elas encontram-se cidadãos de numerosas nacionalidades.

A dimensão exacta da tragédia ainda está a ser determinada. E justamente por isso devemos retirar dela uma primeira conclusão:

— Nenhuma catástrofe espera que o Mundo se organize para responder. Somente acontece. E, a partir desse instante, começa uma corrida contra o tempo.

Nas primeiras horas são necessários meios de busca e salvamento, helicópteros, equipas médicas, comunicações de emergência, engenharia, logística, drones, meios cinotécnicos, hospitais de campanha, abastecimento de água, energia, transporte e capacidade de evacuação.

Mas existe uma diferença fundamental entre ter esses meios espalhados pelo Mundo e ter esses meios organizados para responder como uma única capacidade internacional.

É exactamente aí que reside o problema.

O Mundo possui bombeiros, militares com capacidade logística., equipas médicas de emergência, aeronaves de transporte estratégico, hospitais de campanha, equipas internacionais de busca e salvamento, redes de comunicações, satélites, drones e toda a tecnologia capaz de localizar vítimas e cartografar uma região devastada em poucas horas.

Portanto, o problema fundamental já não é a inexistência dos meios. O problema é sim o tempo necessário para transformar milhares de capacidades dispersas numa resposta internacional coordenada.

É aqui que acontecimentos como o de hoje no Nepal deveriam obrigar-nos a repensar profundamente o modelo internacional de Protecção Civil.

NÃO PRECISAMOS DE INVENTAR MAIS MEIOS. PRECISAMOS DE OS ORGANIZAR ANTES DA CATÁSTROFE.

Imagine-se que cada Estado-Membro das Nações Unidas designava previamente uma pequena parcela das suas capacidades nacionais para uma reserva internacional permanente.

Não seria necessário retirar esses meios aos respectivos países.

Continuariam nos seus quartéis, hospitais, bases aéreas, unidades de Protecção Civil e organizações de emergência. Profissionais treinados e identif**ados, certif**ados, meios inventariados, cadeias de comando estabelecidas, protocolos definidos, meios de activação e de mobilização ultra-rápida agilizados.

As autorizações diplomáticas preparadas é uma via-verde global activada em permanência.

E os exercícios internacionais seriam realizados regularmente.

Quando acontecesse uma catástrofe desta dimensão, não começaríamos então a perguntar por quem pode ajudar, pois saberíamos antecipadamente quem pode ajudar.

Essa diferença pode representar centenas ou milhares de vidas.

O NEPAL REVELA OUTRO PROBLEMA

As grandes catástrofes modernas deixaram de ser acontecimentos exclusivamente nacionais.

Quando centenas de cidadãos de diferentes países se encontram numa região atingida, quando rios atravessam fronteiras, quando sistemas meteorológicos abrangem vários Estados e quando infra-estruturas estratégicas são partilhadas, a emergência torna-se imediatamente trans-nacional.

A catástrofe pode acontecer dentro das fronteiras de um Estado mas as suas consequências, porém, podem deixar de caber dentro dessas mesmas fronteiras.

É precisamente nestes acontecimentos que a comunidade internacional necessita de uma doutrina previamente estabelecida; não para retirar soberania aos Estados, como o disse anteriormente, mas para impedir que a soberania se transforme involuntariamente numa demora operacional.

Defender uma capacidade internacional de resposta imediata não signif**a defender o direito de qualquer organização entrar arbitrariamente no território de outro Estado.

Essa solução seria juridicamente perigosa e politicamente inaceitável.

A solução deverá ser mais inteligente, em que os Estados poderiam aderir previamente a um Protocolo Internacional de Assistência Automática em Grandes Catástrofes, estabelecendo antecipadamente as condições em que determinada classif**ação de emergência permitiria desencadear mecanismos simplif**ados de auxílio internacional.

Assim, aquilo que hoje necessita de ser negociado depois da tragédia passaria a estar acordado antes da tragédia. E essa é talvez a verdadeira mudança de paradigma que tão necessariamente se tem demonstrado ao longo dos anos.

A DIPLOMACIA DA EMERGÊNCIA TEM DE EXISTIR ANTES DA EMERGÊNCIA

Actualmente preparamo-nos operacionalmente para as catástrofes, mas continuamos demasiadas vezes a negociar politicamente depois de elas virem a acontecer. Quantas vezes tudo f**a na mesma.

Deveríamos inverter essa lógica. Negociar antes. Treinar antes. Autorizar antes. Inventariar antes. Criar corredores humanitários antes. Definir procedimentos aduaneiros antes. Estabelecer frequências e sistemas de comunicação antes. Preparar capacidade aérea antes. Criar equipas multinacionais antes.

E então, quando a tragédia acontecesse somente seria, será, necessário e emergente, partir.

Porque existe uma enorme diferença entre uma força que pode ser constituída e uma força que já existe e está pronta.

Falo de uma espécie de “112 DA HUMANIDADE”

Talvez seja esta a imagem mais simples para explicar aquilo que defendo.

Quando alguém telefona para o 112 não começa naquele instante a constituir-se um corpo de bombeiros. Os bombeiros já existem. As ambulâncias já existem. Os hospitais já existem. Os protocolos já existem. O comando já existe. Tudo foi preparado antes de alguém precisar. A emergência apenas activa o sistema.

Por que razão não podemos aplicar, à escala internacional, o mesmo princípio?

Uma grande catástrofe deveria desencadear um mecanismo semelhante:
alerta → avaliação imediata → activação → projecção → intervenção.

Não dias nem semanas. Não intermináveis consultas diplomáticas. Não sucessivas conferências entre governos.

Horas. Idealmente, as primeiras equipas internacionais deveriam poder estar em movimento no próprio dia e em poucas, mesmo poucas horas.

E HÁ AINDA UMA SEGUNDA LIÇÃO DO NEPAL

A tragédia de hoje ocorre numa região extraordinariamente vulnerável a fenómenos naturais extremos.

Isto recorda-nos que a Protecção Civil do futuro não poderá limitar-se à resposta. Terá necessariamente três dimensões — prever, preparar e responder.

A mesma estrutura internacional deveria possuir capacidade permanente de análise de risco através de satélites, meteorologia, hidrologia, sismologia, observação de glaciares, inteligência geo-espacial e sistemas de alerta precoce.

Porque salvar alguém dos escombros é extraordinário, mas conseguir que essa pessoa não esteja debaixo dos escombros quando a catástrofe acontece é ainda melhor.

DA SOLIDARIEDADE ESPONTÂNEA À SOLIDARIEDADE ORGANIZADA

Quando acontecem tragédias desta dimensão, o Mundo manifesta geralmente uma enorme solidariedade.

Os Governos oferecem ajuda. As Organizações mobilizam equipas. Imensos Voluntários apresentam-se. As Populações recolhem bens. Profissionais preparados disponibilizam-se. Mas a solidariedade espontânea tem limites.

A solidariedade verdadeiramente ef**az precisa de organização. Precisa de comando. Precisa de treino. Precisa de logística. Precisa de comunicações, de interoperabilidade, de regras previamente estabelecidas. E precisa, sobretudo, de estar pronta antes de ser necessária.

É por isso que continuo a defender uma verdadeira capacidade internacional permanente de Protecção Civil e Assistência Humanitária, constituída pelos Estados e coordenada internacionalmente pela ONU, exclusivamente destinada às grandes catástrofes.

E, acima de tudo, sem finalidade militar, nem política, sem ingerência ideológica, sem ocupação territorial. Mas com uma única missão, de chegar, salvar, estabilizar e retirar-se.

HOJE É O NEPAL. AMANHÃ NÃO SABEMOS ONDE SERÁ.

Esta talvez seja a maior razão para avançarmos, pois nenhum país está completamente protegido.

Pode ser um terramoto no Mediterrâneo.
Um tsunami no Pacífico.
Um grande incêndio na Europa.
Uma erupção vulcânica.
Uma cheia na Ásia.
Um ciclone.
Um acidente industrial de enorme dimensão.
Ou uma catástrofe que ainda nem sequer imaginámos.

Não sabemos onde. Não sabemos quando. Mas sabemos uma coisa, tudo aquilo que pode ocorrer, vai voltar a acontecer.

Se sabemos que acontecerá, se possuímos os meios e se conhecemos a importância das primeiras horas, então continuar a improvisar a coordenação internacional depois de cada catástrofe deixa de ser apenas uma deficiência administrativa.

Passa a ser uma responsabilidade política e moral. Uma irresponsabilidade, diria.

Por isso acrescentaria hoje uma segunda formulação àquilo que escrevi anteriormente:

— A soberania deve proteger os povos mas nunca deve impedir que estes sejam protegidos.

E reafirmo o princípio que então propus:

— Perante uma grande catástrofe, a primeira soberania pertence à vida humana.

Talvez o Nepal nos esteja hoje, dolorosamente, a recordar precisamente isso.

A Humanidade não necessita apenas de ser solidária, necessita de estar preparada para exercer essa solidariedade a tempo. Porque uma ajuda extraordinária que chega três dias depois pode ser humanitariamente importante.

Mas uma equipa de salvamento que chega três horas depois pode signif**ar algo incomparavelmente maior, pode signif**ar a vida.

E é por essa vida que todo o sistema deveria começar.

Por uma Humanidade que importa.

Victor Varela Martins
Especialista em Medicina Natura Integrativa

A Auriculoterapia como Coadjuvante nos Cuidados de Saúde: Síntese da Evidência Científ**a(Martins, Victor V.; 2026)A Aur...
26/08/2026

A Auriculoterapia como Coadjuvante nos Cuidados de Saúde: Síntese da Evidência Científ**a
(Martins, Victor V.; 2026)

A Auriculoterapia tem vindo a assumir um lugar crescente entre as intervenções não farmacológicas utilizadas de forma complementar nos cuidados de saúde. O seu interesse contemporâneo decorre não apenas da tradição clínica, mas também da acumulação progressiva de ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises que procuram avaliar a sua eficácia em diferentes condições. A evidência actualmente disponível não permite apresentar a Auriculoterapia como terapêutica universal ou substitutiva dos tratamentos convencionais, mas sustenta a sua utilização como intervenção coadjuvante em determinadas áreas clínicas muito estudadas, particularmente na dor, sono e ansiedade.

Na área da dor, a evidência é particularmente relevante. Zhang et al. (2025), numa revisão sistemática e meta-análise de 24 estudos envolvendo 2131 doentes submetidos a cirurgia, observaram que a Auriculoterapia esteve associada à redução da intensidade da dor pós-operatória e, de forma especialmente relevante, à diminuição do consumo total de opióides. Os autores classif**aram a evidência relativa à redução do consumo de opióides como de qualidade moderada, embora salientem a heterogeneidade entre estudos. (PubMed⁠) Estes dados justif**am considerar a Auriculoterapia sobretudo no contexto de analgesia multimodal e não como substituição da analgesia farmacológica.

Resultados igualmente favoráveis têm sido encontrados na dor músculo-esquelética crónica. Lee et al. (2025), numa revisão sistemática e meta-análise de ensaios randomizados, verif**aram benefícios da acupressão auricular sobre a intensidade dolorosa, incapacidade funcional e limiar de dor à pressão. Os autores, contudo, salientam que a certeza da evidência varia consoante o outcome analisado e que são necessários estudos metodologicamente mais robustos. (PubMed⁠) Assim, a aplicação clínica tem boa evidência enquanto complemento de estratégias de reabilitação, exercício terapêutico, educação e tratamento dirigido e apropriado.

A insónia e as perturbações do sono constituem outro domínio promissor. Jun et al. (2024), numa meta-análise envolvendo 23 ensaios randomizados e 1689 participantes, encontraram redução signif**ativa do índice Pittsburgh Sleep Quality Index com acupressão auricular. Quando associada aos cuidados habituais, a intervenção apresentou resultados superiores aos cuidados habituais isoladamente e sem relatos de eventos adversos. (PubMed⁠) Mais recentemente, uma network meta-analysis publicada em 2026, incluindo 25 estudos e 2106 doentes com insónia primária, encontrou resultados favoráveis para várias modalidades de Auriculoterapia. (PubMed⁠)

Também na ansiedade existe evidência clínica relevante. Hu et al. (2024) analisaram 25 estudos, envolvendo 1909 participantes, e encontraram uma redução signif**ativa dos níveis de ansiedade associada à acupressão auricular. Os autores concluem que a acupressão auricular pode ser considerada uma intervenção suplementar. (PubMed⁠)

Em populações clínicas mais complexas, a Auriculoterapia tem igualmente sido investigada como complemento dos cuidados convencionais. Por exemplo, uma meta-análise de 2025 envolvendo 1073 doentes oncológicos submetidos a quimioterapia encontrou melhoria da insónia, ansiedade, depressão e fadiga com acupressão auricular, quando comparada com cuidados habituais ou estimulação simulada. (PubMed⁠)

Este tipo de resultado reforça o potencial da Auriculoterapia em cuidados integrativos.

Do ponto de vista científico, um dos aspectos mais interessantes reside na crescente investigação dos mecanismos de neuromodulação auricular. A inervação do pavilhão auricular por ramos do trigémio, plexo cervical e ramo auricular do nervo vago permite formular mecanismos plausíveis envolvendo modulação nociceptiva, sistema nervoso autónomo, tronco cerebral e redes centrais relacionadas com o stress e o sono.

Em síntese, a literatura contemporânea permite considerar a Auriculoterapia uma intervenção complementar plausível em clínica e geralmente de baixo risco quando adequadamente utilizada e apoiada por evidência clínica crescente em algumas áreas específ**as. A sua validade como coadjuvante parece actualmente mais consistente na analgesia, particularmente peri-operatória e músculo-esquelética, nas perturbações do sono e na redução de determinados estados de ansiedade. O posicionamento cientif**amente mais adequado não consiste em substituir os cuidados médicos convencionais, mas em integrar a Auriculoterapia, quando indicada, em modelos de tratamento multimodal e centrados no doente.

Referências essenciais:
Hu N, Soh KL, Japar S, Li T. Ear-Marking Relief: A Meta-Analysis on the Eff**acy of Auricular Acupressure in Alleviating Anxiety Disorders. Complement Med Res. 2024;31(3):266–277. doi:10.1159/000537734. (PubMed⁠)

Jun L, Xiong L, Wen Y, Yongxiang W. Effectiveness of applying auricular acupressure to treat insomnia: a systematic review and meta-analysis. Front Sleep. 2024;3:1323967. doi:10.3389/frsle.2024.1323967. (PubMed⁠)

Lee TKW, Chang JR, Hao D, Fu SN, Wong AYL. The Effectiveness of Auricular Acupressure on Chronic Musculoskeletal Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. J Integr Complement Med. 2025;31(1):25–35. doi:10.1089/jicm.2023.0630. (PubMed⁠)

Zhang G, Xu G, Tang Y, et al. The analgesic effectiveness of auriculotherapy for acute postoperative pain: A systematic review and meta-analysis. Complement Ther Med. 2025;88:103112. doi:10.1016/j.ctim.2024.103112. (PubMed⁠)

Eff**acy of auriculotherapies for primary insomnia: a systematic review and network meta-analysis. 2026. Análise de 25 estudos e 2106 participantes. (PubMed⁠)

A revisão sistemática publicada por Lee et al., PubMed, envolvendo 496 participantes, encontrou melhoria da intensidade ...
14/08/2026

A revisão sistemática publicada por Lee et al., PubMed, envolvendo 496 participantes, encontrou melhoria da intensidade dolorosa, limiar de dor à pressão e incapacidade funcional por via do tratamento de Auriculoterapia.

É particularmente interessante estudar a Auriculoterapia em:
* lombalgia;
* cervicalgia;
* gonalgia;
* dor do ombro;
* artrose;
* dor miofascial.

Neste grupo, o conceito de ponto auricular reactivo poderá ser clinicamente tão ou mais interessante do que a aplicação automática de terapêutica anti-algica padrão.

Pois a estimulação periférica vai interferir com:

nocicepção periférica → tronco cerebral → vias descendentes inibitórias → modulação espinal da dor.

É plausível ainda a participação de mecanismos endógenos opioides, autonómicos e de controlo descendente da nocicepção, embora os mecanismos exactos dependam da técnica utilizada - i.e., o raciocínio clínico e a respectiva decisão terapêutica vão influenciar o grau de resultado do respectivo tratamento de Auriculoterapia.

Os meus pacientes conhecem bem este recurso terapêutico coadjuvante nos seus tratamentos, sempre que tal se justifique.

E você? Já conhece ou já experimentou receber tratamento de Acupunctura Auricular?

Contacte-nos: 93.840.12.77

Uma revisão sistemática e meta-análise dedicada especif**amente à Auriculoterapia encontrou resultados muito superiores ...
14/08/2026

Uma revisão sistemática e meta-análise dedicada especif**amente à Auriculoterapia encontrou resultados muito superiores na aplicação da Auriculoterapia em relação a terapêuticas de controlo em índices subjectivos de stress e em alguns parâmetros fisiológicos. (PubMed⁠; 2026)

Esta área é particularmente importante porque pode ligar o:
stress → actividade simpática → sono → tensão muscular → dor → percepção emocional

Surge, assim, um modelo integrativo no qual a Auriculoterapia pode actuar sobre redes regulatórias, em vez de se procurar necessariamente uma correspondência “órgão-ponto”.

Os meus pacientes conhecem bem, pois muitos deles, a maioria, também beneficia de tratamento complementar pela Auriculoterapia durante os tratamentos de Acupunctura.

E você, também já fez? Caso pretenda, encontra-nos em Lagos: NaturBoticae - Medicina Natural Integrativa
Ou numa de várias Clínicas da Região do Algarve.
📞 93.840.12.77

> - disse-o Confúcio. Depois completou:
13/08/2026

> - disse-o Confúcio. Depois completou:

 # Esclarecimento Técnico e ClínicoNos últimos dias chegou ao meu conhecimento que alguns utilizadores de ferramentas de...
05/08/2026

# Esclarecimento Técnico e Clínico

Nos últimos dias chegou ao meu conhecimento que alguns utilizadores de ferramentas de “Inteligência Artificial” receberam respostas segundo as quais seria “proibida” a utilização de pontos de Acupunctura ou de determinadas formulações fitoterapeuticas…

Desculpem, mas andamos a roçar o absurdo com esta vertigem de tudo fazer depender da decisão de um algoritmo que somente responde “certo” ou “errado” se a pergunta for “bem” ou “mal” formulada.

Tal como submeter avaliações clínicas suportadas em perguntas, observação, palpação, auscultação, história clínica e familiar, queixas e sintomas, correlação de dados, avaliação de exames complementares ao juízo inquisitório de um qualquer GPT que, sabe-se lá que tipo ou qualidade de pergunta se lhe foi feita. E , coitada da máquina, terá de responder ao que lhe foi perguntado com o viés apresentado.

A pesquisa não é errada. O erro está na iliteracia no acto de pesquisar erradamente ou na má interpretação do dados por si só já enviesados.

Dou como exemplo a afirmação intransigente de que o GPT proíbe realizar Acupunctura na cabeça e na face em doentes com patologia oftalmológica, bem como afirmações de que determinadas fórmulas da Medicina Chinesa seriam prejudiciais em pessoas com arritmias.

Considero importante prestar um esclarecimento público, sustentado na prática clínica, na literatura científ**a, na Ciência e nos princípios da Medicina Chinesa:

— A Inteligência Artificial constitui actualmente uma ferramenta extraordinária de apoio à pesquisa, ao estudo e à organização da informação. E reconhecendo-lhe um enorme potencial. Contudo, como qualquer instrumento de apoio à decisão, apresenta limitações, sobretudo quando lhe é solicitado emitir recomendações clínicas individualizadas.

Os modelos de linguagem não efectuam um diagnóstico médico nem um diagnóstico segundo a Medicina Chinesa. Produzem respostas probabilísticas (hipóteses) frequentemente orientadas por critérios de prudência. Em consequência, tendem por vezes a transformar recomendações de precaução em aparentes contra-indicações absolutas ou, pior, a más formulações da pergunta, em respostas totalmente fora do contexto inicial que o utilizador pretendia e que, sem critério nem filtro, aceita tudo o que lhe seja apresentado.

Na Medicina Chinesa, porém, não existem tratamentos universais nem proibições generalizadas. Existe sempre um princípio fundamental: tratar o doente e não apenas a doença.

A selecção de pontos de Acupunctura depende do diagnóstico energético, da constituição do indivíduo, da evolução clínica, das patologias associadas, da terapêutica convencional em curso e da experiência do profissional.

Assim, afirmar genericamente que um doente com patologia oftalmológica não pode receber pontos na cabeça ou na face não corresponde ao ensino clássico nem à prática clínica contemporânea.

Idêntico raciocínio se aplica à fitoterapia chinesa.

As fórmulas, tal como qualquer outra prescrição fitoterápica, não podem ser classif**adas como “boas” ou “más”.

Algumas plantas podem exigir precauções ou vigilância devido a possíveis interacções medicamentosas ou a determinadas condições clínicas, sim. Mas na prática clínica responsável, distinguimos claramente três conceitos distintos:

- Indicação terapêutica, quando existe benefício expectável para determinado padrão clínico.
- Precaução, quando determinados factores aconselham adaptação da terapêutica ou maior vigilância.
- Contra-indicação absoluta, quando existe um risco claramente estabelecido que impede a utilização da técnica ou da substância.

Confundir estes três conceitos conduz inevitavelmente a conclusões erradas e vai privar os doentes de intervenções potencialmente benéf**as.

Ao longo de mais de duas décadas de actividade clínica, docente e científ**a, aprendi que nenhuma resposta pode substituir o raciocínio clínico. A Medicina Chinesa é, por natureza, uma medicina profundamente individualizada. Dois doentes com o mesmo diagnóstico biomédico podem necessitar de tratamentos completamente diferentes.

É precisamente esta individualização que distingue a verdadeira prática clínica da simples aplicação de protocolos genéricos (e como estes as tão tão em voga nas redes, não é? na boca dos influênciadores tudo é preto ou branco, que pena).

Por esse motivo, recomendo que qualquer informação obtida através de sistemas de Inteligência Artificial seja encarada como um ponto de partida para reflexão e nunca como um diagnóstico ou uma decisão terapêutica definitiva. As decisões clínicas devem permanecer fundamentadas na avaliação directa, no exame objectivo, no conhecimento científico actualizado e na experiência do profissional habilitado.

A Inteligência Artificial representa um extraordinário avanço tecnológico. Todavia, continua a ser um instrumento de apoio ao conhecimento humano e não um substituto do juízo clínico.

A prudência nunca deverá ser confundida com proibição, nem a existência de uma precaução transformada numa contra-indicação absoluta.

É esta distinção que preserva o rigor científico, protege os doentes e honra a boa prática clínica.

Consultas o vosso Naturopata, confiem no vosso Acupunctura e no Especialista em Medicina Chinesa, no vosso Médico de Família, no Homeopata e no Osteopata. Vão às Ervanárias. É pelos frutos que se reconhece a árvore, nunca o oposto.

Pensem nisto.

Victor Varela Martins, PhD MC
Especialista em Medicina Natural Integrativa

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Lagos
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