10/08/2026
TEORIAS SOBRE AS PERTURBAÇÕES DEPRESSIVAS
A HIPÓTESE BIOQUÍMICA DA DEPRESSÃO. Comecemos pela muito divulgada teoria bioquímica da depressão que, aliás, fundamenta a prescrição e promoção dos tratamentos farmacológicos, na sua forma mais popular e divulgada entre os profissionais.
A abordagem bioquímica da depressão assenta no pressuposto de que existe um problema relacionado com as monoaminas, especialmente a norepinefrina e a serotonina. Este problema teia a ver com um défice na actividade destes neurotransmissores. Segundo Stahl (2001) as razões para este défice de actividade poderiam ser várias, constituindo as quatro hipóteses biológicas mais relevantes quanto à depressão. Vejamos aquela que é a mais popular entre a classe médica e farmacêutica.
A HIPÓTESE MONOAMINÉRGICA. Sendo a mais antiga das hipóteses, é também a mais divulgada e usada como base científica por parte da propaganda farmacêutica. Nela é suposta a existência de uma deficiência dos neurotransmissores monoaminérgicos, nomeadamente na norepinefrina e serotonina, resultante de determinados processos patológicos (doença, dr**as, stresse) e provocando a diminuição, igualmente patológica, daquelas aminas: daí resultariam os próprios sintomas depressivos.
Esta hipótese tem origem em alguns dos efeitos provocados por uma categoria de fármacos chamada IMAO (INIBIDORES DA MONOAMINA OXIDASE), que nos anos 60 se utilizava no tratamento da tuberculose. Na medida em que esta droga inibia a MAO (que é uma enzima responsável pela destruição de neurotransmissores, como a norepinefrina e serotonina), logicamente se concluiu que, tendo a inibição da MAO por resultado um aumento daquelas aminas, então, é porque na depressão haverá uma situação inversa: défice nesses neurotransmissores.
CONCLUSÃO: de acordo com esta hipótese, as pessoas deprimem-se porque nos seus cérebros existe norepinefrina ou serotonina a menos. Teríamos, então, uma síndrome de deficiência de norepinefrina e/ou um síndrome de deficiência de serotonina.
Estas síndromes constituiriam, por assim dizer, a “doença” depressiva, para a qual existiria um tratamento indicado, justamente as dr**as capazes de aumentar a quantidade de aminas biogénicas (norepinefrina e/ou serotonina).
Qual o grau de sustentação para esta hipótese e suas variantes? Se nos quisermos referir a sustentação científica, a resposta parece ser obrigatoriamente: NENHUMA. No seu livro, de referência na área da psicofarmacologia clínica, "Essential Psychopharmacology: Neuroscientific Basis and Practical Applications”(2001), Stephen Stahl reconhece que, até à data não foi encontrada qualquer confirmação para aquelas hipóteses, não só no respeitante à depressão, mas igualmente no respeitante a qualquer outra desordem psicológica (o mesmo afirmam muitos outros, com destaque para Antonuccio, 2002).
Teorias de base psicológica