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Há uma pergunta que faço frequentemente na primeira consulta de terapia de casal."Quando foi a última vez que tiveram um...
10/07/2026

Há uma pergunta que faço frequentemente na primeira consulta de terapia de casal.

"Quando foi a última vez que tiveram uma conversa sobre vocês?
Não sobre os filhos. Não sobre o trabalho. Não sobre as contas ou a organização da semana.
Sobre vocês."

A resposta raramente chega de imediato.

A intimidade não diz respeito apenas à proximidade física. Também está presente quando existe espaço para falar do que sentimos, quando continuamos interessados em perceber quem o outro é e quando sentimos que também somos escutados.

É fácil perder estes momentos no meio das exigências do dia a dia. E, quando isso acontece, muitos casais descrevem a mesma sensação. Vivem juntos, mas deixaram de se sentir próximos.

Recuperar essa proximidade não signif**a voltar a ser o casal que eram há dez anos. Signif**a voltar a criar espaço para que a relação exista para além da rotina.

E na sua relação, ainda há espaço para conversas sobre vocês?

Sei o que está a acontecer.Só não me reconheço.Há mulheres que chegam à consulta já com o diagnóstico feito, as análises...
16/06/2026

Sei o que está a acontecer.
Só não me reconheço.

Há mulheres que chegam à consulta já com o diagnóstico feito, as análises tiradas, a explicação clínica toda alinhada. E mesmo assim dizem, mas eu já não sou a mesma.

A perimenopausa mexe com o humor, com o sono, com a forma como se reage às coisas, às vezes de um modo que surpreende a própria pessoa. O que antes se geria com facilidade passa a ser difícil e desgastante.

O acompanhamento psicológico não trata as alterações hormonais. Mas trabalha a forma como processas o que estás a viver, a regulação emocional, os padrões de sono, a relação com o teu corpo nesta fase.

Fala connosco. Link na bio.

Perder um animal de estimação pode ser mais difícil do que muitas pessoas esperam e, muitas vezes, mais intenso do que a...
26/05/2026

Perder um animal de estimação pode ser mais difícil do que muitas pessoas esperam e, muitas vezes, mais intenso do que a própria pessoa imagina antes de viver essa experiência.

É o silêncio em casa, os horários que f**am estranhos, os momentos em que, sem pensar, ainda se espera que ele venha ou responda. Isso cria uma sensação de vazio muito concreta, difícil de explicar a quem nunca passou por isto.

O mais duro, muitas vezes, não é só a perda em si, é o ouvir que era só um animal, ou sentir que não há espaço para falar da dor sem ser minimizada. E isso faz com que muita gente guarde tudo para si.

Mas a verdade é simples, quando há vínculo, há luto. E esse luto merece ser levado a sério.
Não há uma forma certa de o viver, nem um tempo certo para passar. Há apenas o processo de ir aprendendo a viver com a ausência de alguém que fazia parte da vida todos os dias.

Se este processo estiver a ser difícil ou pesado, e sentir que precisa de apoio para o atravessar, estamos disponíveis para ajudar.

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Sobretudo em relações longas, há um momento em que deixamos de olhar para o outro com curiosidade.Não é algo que aconteç...
06/05/2026

Sobretudo em relações longas, há um momento em que deixamos de olhar para o outro com curiosidade.

Não é algo que aconteça de forma brusca. Vai acontecendo devagar, quase sem darmos por isso.

Começamos a saber como o outro reage, o que vai dizer, como vai estar.

A relação torna-se mais estável, mais íntima, mais segura.

Ao mesmo tempo, sem ser uma mudança evidente, a forma como o vemos vai f**ando mais definida. Menos aberta ao inesperado, mais ancorada no que já conhecemos.

E, muitas vezes, não é a relação que muda primeiro. É a forma como deixamos de olhar para ela com curiosidade.

Porque o desejo vive muitas vezes no que ainda não consegues antecipar no outro.

Se "relaxar" engravidasse, não precisávamos de médicos, precisávamos de férias!Quantas vezes já ouviste (ou disseste) qu...
15/04/2026

Se "relaxar" engravidasse, não precisávamos de médicos, precisávamos de férias!

Quantas vezes já ouviste (ou disseste) que o segredo para engravidar é "parar de pensar no assunto"? Embora pareça um conselho carinhoso, a Psicologia da Saúde revela uma realidade muito diferente.

Vamos a factos (com ciência, sem filtros):

1. O mito: "Estás muito tensa, por isso é que não acontece."
A realidade: A infertilidade é uma condição médica. Dizer a alguém para relaxar é inverter a lógica: o stress não é a causa da infertilidade, é a consequência de meses ou anos de esperança e luto repetido. Estudos mostram que o stress de quem tenta conceber sem sucesso é um dos mais altos registados na psicologia clínica.

2. O mito: "A fulana desistiu e engravidou logo."
A realidade: Casos isolados não são ciência. A biologia não espera que tu "desistas" para funcionar. O que acontece é que, ao "desistir", o casal muitas vezes reduz o stress social, mas o sucesso biológico deve-se a múltiplos fatores que nada têm a ver com "parar de querer".

3. O mito: "Tens de ser positiva, a tua mente controla o teu corpo." A realidade: Isto chama-se Positivismo Tóxico. Ninguém cura uma obstrução nas trompas ou uma baixa contagem de espermatozoides com "pensamento positivo". O que a ciência prova é que a validação da dor (aceitar que é difícil e que está tudo bem não estar bem) é muito mais saudável para a mente do que forçar um sorriso.

Então, como podemos ser humanos de verdade para estas mulheres?
A ciência do suporte social é simples: menos conselhos, mais escuta. Em vez de tentares ser o médico ou o "guru" do relaxamento, tenta ser apenas o amigo.

- "Lamento que estejas a passar por isto."

- "Estou aqui para te ouvir, sem julgamentos e sem receitas mágicas."

- "Como te posso apoiar hoje?"

Às vezes, a maior ajuda que podes dar é validar que a luta dela é real, legítima e que ela não tem de a carregar com um sorriso forçado.

A conversa já acabou mas tu ainda lá estás.Voltas a pensar no que aconteceu.Dás voltas à conversa.No que disseste.No que...
26/03/2026

A conversa já acabou mas tu ainda lá estás.

Voltas a pensar no que aconteceu.
Dás voltas à conversa.
No que disseste.
No que devias ter dito.

E quanto mais pensas…
mais te custa sair daí.

Na ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso), trabalhamos de outra forma.

Em vez de tentar parar ou controlar o que te passa pela cabeça,
aprendes a lidar com isso de outra maneira.

A ideia não é “pensar positivo”
nem deixar de ter estes pensamentos.

É conseguir que estejam presentes
sem mandarem nas tuas decisões.

Mesmo com dúvida ou desconforto,
continuas, um passo de cada vez,
na direção do que é importante para ti.

Esses pensamentos podem continuar a aparecer.
Mas não têm de definir o que fazes a seguir.

E podes começar a avançar, mesmo assim.

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Hoje não vou falar da “força da mulher”.Porque há mulheres que hoje não se sentem fortes.Hoje abriste o telemóvel e enco...
08/03/2026

Hoje não vou falar da “força da mulher”.
Porque há mulheres que hoje não se sentem fortes.

Hoje abriste o telemóvel e encontraste fotografias de barrigas, bebés e frases bonitas sobre maternidade.
E, no meio disso tudo, voltou aquele aperto que só tu conheces.

Aquele medo silencioso de que talvez nunca aconteça.
A sensação de que pode haver algo de errado contigo.
E aquela comparação constante com os outros, como se para toda a gente fosse simples, menos para ti.

A infertilidade quase nunca aparece nas publicações do Dia da Mulher.
Mas ela está lá.
Nas consultas, nos exames, nas noites mal dormidas, nas perdas que quase ninguém vê e nas esperas que parecem não ter fim.

Hoje também penso em ti.

Em ti que continuas a tentar.
Em ti que já estás cansada de tentar.
Ou em ti que já nem sabes bem qual será o teu caminho.

Ser mulher não se mede pela capacidade de ter um filho.
Hoje também é para ti.

́demental

Hoje fala-se de amor.Na prática clínica, vejo muitas relações onde o sentimento existe, mas a convivência tornou-se difí...
14/02/2026

Hoje fala-se de amor.

Na prática clínica, vejo muitas relações onde o sentimento existe, mas a convivência tornou-se difícil.

Conversas que escalam rapidamente.
Silêncios prolongados.
Assuntos que nunca chegam a ser realmente resolvidos.

O problema aparece quando ninguém sabe como continuar a conversa sem magoar o outro.

A terapia de casal serve para pegar nessas conversas que nunca acabam bem e trabalhá-las com tempo, método e acompanhamento.

Não é para decidir quem tem razão, mas sim perceber o que está a acontecer entre os dois, porque é que reagem assim, e o que podem fazer diferente.

Com estrutura.
Com responsabilidade.
Sem atalhos.

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́demental ̧õessaudáveis

Nem tudo vai f**ar bem. E é importante dizê-lo.O que aconteceu na zona de Leiria (e o que está a acontecer em tantas out...
05/02/2026

Nem tudo vai f**ar bem. E é importante dizê-lo.
O que aconteceu na zona de Leiria (e o que está a acontecer em tantas outras zonas do país), não foi só uma tempestade.
Foram casas destruídas.
Memórias perdidas.
Negócios arruinados.
Pessoas que, num instante, perderam o chão. Pessoas que perderam a vida...
Para muita gente, isto não vai passar rápido.
Não se resolve com pensamento positivo.
Há quem vá f**ar com medo quando chove
e quando faz vento mais forte.
Há quem vá demorar meses a recuperar.
Há quem vá carregar isto no corpo e na mente.
É o que f**a depois.
Muitas pessoas estão agora mais tensas.
Mais cansadas.
Mais fechadas.
Com dificuldades em dormir.
Ninguém f**a igual depois disto.
Não é fingir que está tudo bem que ajuda.
É ter espaço para sentir.
Apoio real.
Tempo.
Comunidade.
E, quando necessário, ajuda profissional.
Se foste afetado(a), não tens de ser sempre forte.
Se não foste, não minimizes.
Empatia não é dizer “vai passar”.
É f**ar. Ouvir. Ajudar. Respeitar.

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Infertilidade é acordar com esperança e adormecer com medo.É viver por ciclos e aguentar muita coisa em silêncio.Na psic...
19/01/2026

Infertilidade é acordar com esperança e adormecer com medo.

É viver por ciclos e aguentar muita coisa em silêncio.

Na psicoterapia, não se pede “positividade”.
Trabalha-se a culpa, a ansiedade e a pressão à volta do processo, para que possas continuar a viver a tua vida sem f**ares reduzida ao diagnóstico.

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