31/07/2026
“Pela vida, pela emergência!”
Tem-se assistido, de forma recorrente, à divulgação de notícias e comunicados que alimentam um clima permanente de ruído em torno da atividade do INEM. Com frequência, são destacados temas de reduzida relevância operacional, sustentados por interpretações parcelares ou por informação que não traduz a realidade do terreno. A insistência neste tipo de abordagem suscita a perceção de que, mais do que contribuir para um debate sério sobre a emergência médica, se procura manter uma narrativa de conflito permanente que serve para responder a agendas próprias.
Importa igualmente reconhecer que este ambiente de especulação também é favorecido pela insuficiente informação disponibilizada aos profissionais por parte do Conselho Diretivo sobre matérias estruturantes. Uma comunicação interna mais clara, atempada e transparente contribuiria para um melhor esclarecimento dos profissionais e reduziria o espaço para interpretações incorretas, rumores e desinformação.
Um dos exemplos mais recentes é a divulgação da ideia de que o INEM irá “perder 44 ambulâncias SIV”. Esta afirmação não corresponde ao que está efetivamente em análise.
O que está em em análise é a adequação do tipo de viatura à missão efetivamente desempenhada pelas equipas SIV. Na prática, o principal valor acrescentado destas equipas reside na avaliação clínica, na prestação de cuidados diferenciados e na estabilização do doente no local da ocorrência. Em grande parte das ativações, o transporte do doente é assegurado por uma ambulância dos bombeiros, em articulação com a equipa SIV e de acordo com as necessidades operacionais do Sistema Integrado de Emergência Médica. Assim, a utilização de uma viatura ligeira permite responder de forma mais ajustada à missão clínica da equipa, sem comprometer a qualidade e a diferenciação da assistência prestada à população. Na prática a maioria das vezes no socorro a ambulância SIV não transporta nenhum doente, ao mudar para veículo ligeiro o cidadão consegue usufruir das suas vantagens, não estando em risco o transporte do doente.
Esta abordagem está, igualmente, alinhada com uma proposta apresentada pela APEMERG, que defende a adequação dos meios de emergência à sua missão operacional, privilegiando a eficiência, a sustentabilidade e a melhor utilização dos recursos disponíveis.
Esta evolução permitirá reduzir os custos de aquisição, manutenção e exploração, aumentar a disponibilidade operacional dos meios, potenciar um maior raio de intervenção no mesmo tempo útil, melhorar a eficiência da resposta e adaptar os recursos às necessidades efetivas da população.
A evolução do Sistema Integrado de Emergência Médica deve assentar na evidência, na experiência operacional e na utilização racional dos recursos públicos.
A discussão sobre o futuro dos meios de emergência deve privilegiar soluções que reforcem a capacidade de resposta às populações, em detrimento de narrativas que possam gerar preocupação injustificada ou desinformação.
O foco deve permanecer onde sempre deveria estar: garantir uma resposta de emergência médica cada vez mais eficaz, sustentável e adequada às reais necessidades dos cidadãos.