Tiago Oliveira

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Tiago Oliveira Psicólogo Clínico | Neuropsicólogo | Investigação em Psicologia e Neuropsicologia | Prática Baseada em Evidências em Psicologia (PBEP)

Você já chegou ao fim de uma página e pensou: “Peraí… o que eu acabei de ler?”Às vezes, os olhos continuam seguindo as l...
07/10/2026

Você já chegou ao fim de uma página e pensou: “Peraí… o que eu acabei de ler?”

Às vezes, os olhos continuam seguindo as linhas, mas o pensamento já foi para outro lugar. E a parte curiosa é que a gente nem sempre percebe isso na hora.

Em um experimento com rastreamento ocular, pesquisadores acompanharam quatro leitores. Eles observaram que os olhos continuavam a percorrer o texto durante momentos em que a mente divagava, mas as fixações eram diferentes das observadas na leitura atenta.

Os leitores avisavam quando percebiam que tinham se distraído. De vez em quando, também eram interrompidos por uma pergunta inesperada sobre onde estava a atenção deles. Assim, os pesquisadores registraram episódios percebidos pelo próprio leitor e episódios captados pelas perguntas. O experimento ajuda a ilustrar por que podemos demorar a notar que a atenção saiu do texto, embora, sozinho, não permita generalizar a frequência disso para todas as pessoas.

Uma metanálise de 25 estudos encontrou uma associação entre divagar mais durante a leitura e compreender menos o texto. Isso não significa que uma distração ocasional seja sinal de algum problema, nem que toda dificuldade de leitura tenha a mesma explicação.

Quando acontecer com você, experimente voltar à última ideia que consegue explicar com suas palavras. Talvez seja um ponto melhor para recomeçar do que voltar automaticamente à primeira linha.

Isso acontece mais com você lendo o quê?

Artigos completos, com acesso livre:

Reichle, E. D., Reineberg, A. E., & Schooler, J. W. (2010). Eye movements during mindless reading. Psychological Science, 21, 1300–1310.https://eprints.soton.ac.uk/348426/1/348426_Reichle_Eye_20Movements_20During_20Mindless_20Reading.pdf

Bonifacci, P., Viroli, C., Vassura, C., Colombini, E., & Desideri, L. (2023). The relationship between mind wandering and reading comprehension: A meta-analysis. Psychonomic Bulletin & Review, 30, 40–59. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9971160/

O que a neuropsicologia investiga, afinal?Ela estuda as relações entre o cérebro e a forma como pensamos, sentimos e agi...
01/10/2026

O que a neuropsicologia investiga, afinal?

Ela estuda as relações entre o cérebro e a forma como pensamos, sentimos e agimos. Na prática clínica, pode ajudar a compreender questões ligadas à memória, à atenção, à linguagem e a outras capacidades que usamos no dia a dia.

Uma avaliação neuropsicológica reúne diferentes informações: a história da pessoa, as dificuldades que ela percebe, a observação clínica e os resultados de te**es. A ideia é compreender tanto as dificuldades quanto as capacidades preservadas, para ajudar a orientar os próximos passos.

Nesta página, quero conversar sobre isso com clareza: o que a neuropsicologia pode investigar, quais perguntas uma avaliação ajuda a responder e o que ainda precisamos estudar.

Quando você ouve “neuropsicologia”, qual é a primeira dúvida que vem à cabeça?

“Exercício é a minha terapia.” Já ouviste esta frase?Para algumas pessoas, movimentar o corpo traz alívio, rotina e praz...
29/09/2026

“Exercício é a minha terapia.” Já ouviste esta frase?

Para algumas pessoas, movimentar o corpo traz alívio, rotina e prazer. Mas, quando falamos de depressão, uma experiência pessoal não responde sozinha à pergunta: o exercício pode fazer parte do tratamento? E, se pode, a psicoterapia torna-se dispensável?

Uma revisão Cochrane publicada em 2026 reuniu 73 ensaios clínicos, com pelo menos 4 985 adultos com depressão. Nos estudos que compararam exercício com ausência de tratamento ou condições de controlo, houve, em média, uma redução dos sintomas depressivos a favor do exercício. A certeza dessa evidência foi baixa: o resultado é promissor, mas os métodos dos estudos deixam margem para incerteza.

E quando a comparação é com psicoterapia? Em 10 estudos, com 414 participantes, provavelmente houve pouca ou nenhuma diferença nos sintomas medidos ao fim do tratamento. Essa frase merece ser lida inteira: ela descreve um resultado médio, numa comparação relativamente pequena. Não demonstra que exercício e psicoterapia sejam a mesma intervenção, nem permite decidir o que uma pessoa deve fazer apenas com base num post.

O exercício pode ser uma opção de cuidado. A psicoterapia também. Há pessoas para quem combinar abordagens fará sentido; outras terão necessidades, possibilidades ou preferências diferentes. Além disso, a revisão encontrou pouca informação sobre quanto tempo os benefícios do exercício se mantêm.

Talvez a pergunta mais útil não seja “qual deles vence?”, mas: que cuidado faz sentido para esta pessoa, neste momento, e o que a ajudará a conseguir participar nele?

Fonte: Clegg AJ e cols. Exercise for depression. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2026;1. doi:10.1002/14651858.CD004366.pub7

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