Isa Carreira - Psicóloga Clínica

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Habitar quem és com mais liberdade.

⁓ Um lugar para sentir e pensar em profundidade.
⁓ A mudança acontece na relação.

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A culpa pode ser dolorosa.
Mas, muitas vezes, é também uma forma de nos protegermos de algo ainda mais difícil de suport...
24/09/2026

A culpa pode ser dolorosa.
Mas, muitas vezes, é também uma forma de nos protegermos de algo ainda mais difícil de suportar: a impotência.

Se fui eu que fiz?
Se tivesse escolhido diferente?
Se tivesse percebido antes?
Se tivesse dito outra coisa?
Se tivesse feito mais?

A culpa cria, assim, uma espécie de ilusão de controlo: se fui responsável pelo que aconteceu, talvez pudesse ter feito diferente. Mantém viva a fantasia de que temos sempre o poder de mudar o rumo das coisas.

E, enquanto permanecemos presos à pergunta “o que é que eu fiz de errado?”, podemos evitar outra, muito mais difícil: “E se, apesar de tudo o que fiz ou deixei de fazer, isto simplesmente não estivesse nas minhas mãos?”. Essa pergunta obriga-nos a encarar aquilo que custa aceitar: os limites do nosso poder, a imprevisibilidade do outro, a perda, o acaso, a separação.

Não é que toda a culpa seja ilusão. Há culpa que aponta para algo real: um erro, um dano, uma falha que merece ser reconhecida e, se possível, reparada.

Há uma diferença entre assumir responsabilidade e acreditar que somos responsáveis por tudo.

Deixar de precisar de nos culpar não é deixar de reconhecer a nossa parte. Significa aceitar que nem tudo dependeu de nós.

Não é simples. E talvez seja uma das formas mais difíceis, e mais humanas, de fazer o luto da fantasia de controlo.

15/09/2026

Nem sempre é o que temos que nos move.

Às vezes, é precisamente aquilo que falta.

E talvez seja essa falta, nunca totalmente preenchida, que nos mantém em movimento.

Porque é que seguimos tendências?Talvez porque, no fundo, ninguém queira sentir que está completamente de fora. Há qualq...
11/09/2026

Porque é que seguimos tendências?

Talvez porque, no fundo, ninguém queira sentir que está completamente de fora. Há qualquer coisa de profundamente humano em olhar para aquilo que os outros fazem e querer experimentar também. Podemos chamar-lhe influência, moda ou necessidade de acompanhar o tempo. Mas talvez exista algo mais primário por detrás disso: o desejo de pertencer.

Desde muito cedo que descobrimos quem somos também através do olhar do outro. Identificamo-nos, imitamos, apropriamos-nos de traços, experimentamos versões de nós próprios. Porque identificar-se não é o mesmo que deixar de ser quem somos.

A questão talvez esteja em perceber se seguimos uma tendência porque ela nos permite brincar com uma possibilidade nossa ou porque sentimos que precisamos dela para sermos reconhecidos.

E é aqui que acho particularmente interessante a IA. Não apenas pelo que pode produzir, mas pelo espaço que pode abrir para a fantasia. Esta fotografia não é uma fotografia minha nos anos 80. Nunca fui esta mulher, neste consultório, neste tempo. Mas pude imaginar-me lá. E, às vezes, imaginarmo-nos diferentes permite-nos descobrir qualquer coisa sobre quem somos.

Talvez seja aí que a tecnologia, quando usada com curiosidade, possa ser interessante: não para substituir a experiência humana, mas para nos permitir explorar a nossa imaginação, brincar com possibilidades e dar forma ao que antes existia apenas na nossa fantasia.

No fundo, talvez continuemos a fazer aquilo que fazemos desde sempre: olhar para o mundo, experimentar o que vemos e, através disso, descobrir quem somos.

Há emoções que aprendemos a mostrar.Há outras que aprendemos a esconder.E, às vezes, passamos tantos anos a tentar senti...
30/07/2026

Há emoções que aprendemos a mostrar.
Há outras que aprendemos a esconder.

E, às vezes, passamos tantos anos a tentar sentir aquilo que era esperado de nós que acabamos por perder intimidade com aquilo que realmente sentimos.

Que emoções aprendeste a esconder para poderes ser aceite?

Há em nós uma estranha insistência.Voltamos aos mesmos lugares, mesmo quando jurámos nunca mais regressar. Repetimos enc...
23/07/2026

Há em nós uma estranha insistência.

Voltamos aos mesmos lugares, mesmo quando jurámos nunca mais regressar. Repetimos encontros, silêncios, escolhas e despedidas como se a vontade não fosse a única a decidir.

Costumamos chamar-lhe azar, falta de discernimento ou simplesmente “eu sou assim”.

A psicoterapia de orientação psicanalítica convida-nos a colocar outra pergunta: e se aquilo que se repete não for um erro, mas uma tentativa de dar forma àquilo que permanece inconsciente?

O inconsciente não fala a linguagem da lógica. Repete, insiste, desvia, interrompe e esquece. Faz-nos tropeçar precisamente onde jurávamos nunca mais voltar.

Aquilo que insiste em regressar, apesar de todos os esforços para o afastar, talvez não seja um castigo. Talvez seja um convite à escuta, não para silenciar o sintoma, mas para escutar aquilo que, através dele, insiste em querer ser dito.

Talvez seja aí que aquilo que parecia apenas repetição possa começar a fazer sentido.

Escolher um psicólogo é muito mais do que marcar uma consulta. É escolher a pessoa a quem vais confiar partes da tua his...
20/07/2026

Escolher um psicólogo é muito mais do que marcar uma consulta. É escolher a pessoa a quem vais confiar partes da tua história, das tuas dúvidas, das tuas dores e, muitas vezes, dos teus maiores medos.

Por isso, antes de iniciares um processo psicoterapêutico, há algo que merece a tua atenção. Confirma se o psicólogo com quem vais contactar está inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses.

O novo identificador OPP foi criado precisamente para isso: para que possas reconhecer, de forma simples, que estás perante um profissional habilitado para exercer Psicologia, sujeito a critérios rigorosos de formação, competência e responsabilidade ética.

A Psicologia é uma profissão regulada. E essa regulação existe para proteger quem procura ajuda.

Porque fazer Psicoterapia não é dar conselhos, partilhar opiniões ou dizer-te como viver a tua vida. É criar um espaço seguro, ético e cientificamente sustentado, onde possas compreender-te melhor, crescer ao teu ritmo e sentir-te acompanhado com respeito, competência e humanidade.

Porque quando decides cuidar de ti, também mereces saber quem está do outro lado. 🧡

Hoje é dia de celebrar esta bonita missão que tenho em mãos todos os dias. A missão de acolher aqueles que me escolhem e...
04/09/2025

Hoje é dia de celebrar esta bonita missão que tenho em mãos todos os dias. A missão de acolher aqueles que me escolhem e me pedem ajuda, aqueles que só querem um lugar seguro para serem vistos e compreendidos, a missão de desmistificar a Psicologia e a Saúde Mental. 🧡

(4 de Setembro - Dia Nacional do Psicólogo)

Numa era em que as aparências parecem ser sobrevalorizadas, será que não andamos na contramão do que realmente somos? Re...
01/08/2025

Numa era em que as aparências parecem ser sobrevalorizadas, será que não andamos na contramão do que realmente somos?

Redes sociais, pressões externas e expectativas sociais empurram-nos para moldes que não são a-gosto! Antes um verdadeiro des-gosto quando percebemos que a nossa essência se vê aflita para se expressar perante a fantasia (regrada) de uma vida certa de se viver, de uma forma certa de ser.

Talvez tenhamos de aprender (ainda) a integrar as lentes da subjectividade e perceber que o “certo e errado” será sempre um ponto de vista condicionado pela experiência e história de cada um.

Sempre que nos afastamos de nós, adoecemos! Por isso, o meu desejo é que hoje (e sempre) possas ser a-gosto, viver a-gosto e escolher o teu ‘a-gosto’, não o dos outros. 🩵

Eu sei que dizes “sim” quando queres dizer “não”.Dás força quando tu é que estás no limite.Mas quem é que te carrega, qu...
30/07/2025

Eu sei que dizes “sim” quando queres dizer “não”.
Dás força quando tu é que estás no limite.

Mas quem é que te carrega, quando és tu que estás a cair?

Pensa mais em ti! Cuidar de ti não é egoísmo, é a base de tudo, é amor-próprio.

Quando estiveres com 3% de bateria, pára. Respira. Repõe-te. Tu também mereces o carinho que andas a espalhar por aí.

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