Débora Bento Correia - Psicóloga Clínica

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“Se não estás bem, pede ajuda.”É uma das mensagens mais importantes que podemos transmitir quando falamos de saúde menta...
24/08/2026

“Se não estás bem, pede ajuda.”

É uma das mensagens mais importantes que podemos transmitir quando falamos de saúde mental.

Mas o julgamento de Lindsay Clancy obriga-nos a acrescentar outra pergunta: e o que acontece depois de alguém pedir ajuda?

Nos meses anteriores à morte dos seus três filhos, Lindsay procurou cuidados de saúde mental, foi acompanhada por diferentes profissionais e recebeu tratamento psiquiátrico.

Ela pediu ajuda.

E este é um dado importante porque nos obriga a pensar na prevenção para além do momento em que alguém consegue dizer “eu não estou bem”.

Depois desse pedido vêm a avaliação clínica, a diferenciação diagnóstica, a avaliação de risco, a intervenção adequada e a continuidade dos cuidados.

No caso de Lindsay, o seu estado mental no momento dos crimes é precisamente uma das questões centrais do julgamento. A defesa sustenta que se encontrava em psicose pós-parto. A acusação contesta essa interpretação e têm sido apresentadas avaliações periciais diferentes.

Não me cabe, enquanto psicóloga que nunca avaliou Lindsay, diagnosticá-la à distância. E muito menos determinar a sua responsabilidade criminal.

Mas tentar compreender o seu estado mental também não signif**a desresponsabilizá-la.

Cora, Dawson e Callan morreram. São as vítimas desta história e nenhuma discussão sobre saúde mental deve apagar essa realidade.

Ao mesmo tempo, compreender os fatores que antecederam uma tragédia não signif**a justificá-la.

Podemos reconhecer aquilo que aconteceu às três crianças e, simultaneamente, perguntar se uma mulher que procurou repetidamente ajuda recebeu uma resposta capaz de reconhecer e acompanhar adequadamente a gravidade daquilo que estava a acontecer.

Não sabemos ainda se existiram falhas nos cuidados prestados a Lindsay. Seria irresponsável afirmá-lo.

Mas é legítimo, e necessário, fazer a pergunta.

Porque a prevenção também se constrói estudando aquilo que aconteceu depois de alguém ter pedido ajuda.

Nos últimos dias, a morte prematura de Hayden Panettiere, aos 36 anos, voltou também a trazer a saúde mental materna para a conversa pública. Hayden tinha falado abertamente sobre a sua experiência com depressão pós-parto e ou

Falar sobre obesidade é gordofobia? Não.E acho importante dizê-lo precisamente porque, quando discutimos temas complexos...
20/08/2026

Falar sobre obesidade é gordofobia? Não.

E acho importante dizê-lo precisamente porque, quando discutimos temas complexos, os extremos raramente nos ajudam.

Reconhecer a obesidade enquanto uma condição complexa, multifatorial e associada a determinados riscos para a saúde não é incompatível com combater o preconceito e a discriminação dirigidos às pessoas com excesso de peso.

O problema começa quando passamos de falar sobre saúde para fazer juízos sobre pessoas. Quando presumimos aquilo que alguém come, quanto se mexe, se “se deixou engordar”, se tem ou não força de vontade ou até se é saudável apenas porque olhámos para o seu corpo.

E há uma diferença enorme entre um profissional de saúde abordar o peso no contexto de uma avaliação clínica individualizada e alguém comentar o corpo de outra pessoa sem conhecer a sua história, muitas vezes sem sequer lhe ter sido pedida opinião.

Também sabemos que envergonhar alguém pelo peso não é uma intervenção de saúde. O estigma associado ao peso pode ter consequências psicológicas, sociais e até afastar pessoas dos próprios cuidados de saúde.

Por isso, não precisamos de negar a importância da saúde para combater a gordofobia. Precisamos de conseguir falar sobre ambas com mais nuance.

Um corpo pode ser objeto de cuidado sem alguma vez deixar de ser digno de respeito ❤️

Até o descanso parece ter entrado para a lista das coisas que temos de fazer bem.Temos de desligar. Aproveitar. Dormir. ...
12/08/2026

Até o descanso parece ter entrado para a lista das coisas que temos de fazer bem.

Temos de desligar. Aproveitar. Dormir. Estar presentes. Fazer coisas de que gostamos. Recuperar energia.

E, idealmente, regressar das férias descansados, motivados e prontos para tudo.

Mas nem sempre acontece assim.

Podemos estar de férias e continuar cansados. Podemos precisar de alguns dias para abrandar. Podemos não aproveitar todos os momentos. Podemos ter pensamentos sobre trabalho quando supostamente deveríamos estar “desligados”.

O descanso não é um teste que precisamos de passar.

E talvez uma das formas mais genuínas de descansar seja precisamente deixarmos de exigir alguma coisa desse tempo 🤍

21/07/2026

Há uma coisa que me chamou profundamente a atenção neste vídeo.

Não foi a transformação física. Foi ver todos estes homens emocionarem-se.

Há uma tendência para acreditarmos que a autoimagem é um tema sobretudo feminino. Falamos das rugas, do peso, das estrias e da enorme pressão estética que recai sobre as mulheres. Mas, entretanto, muitos homens continuam a viver em silêncio as suas próprias inseguranças.

E talvez seja precisamente por isso que este vídeo emociona. Porque aquelas lágrimas dificilmente falam apenas de cabelo. Falam, muitas vezes, de anos a evitarem espelhos. De fotografias onde preferiam não aparecer. De comparações silenciosas. Da sensação de já não reconhecerem a pessoa que viam ao espelho. E, finalmente, do alívio de voltarem a sentir-se confortáveis consigo próprios.

Mas acredito que falem de outra coisa ainda maior. Da falta de espaço que os homens tiveram para dizer que isto lhes doía.

Durante muito tempo, ensinou-se aos homens que não deviam ligar à aparência. Que mostrar insegurança era sinal de fraqueza. Que um homem “a sério” aguenta, relativiza e segue em frente.

Mas a questão é: a autoestima não tem género.

A necessidade de nos sentirmos bem connosco próprios não tem género.

E a vulnerabilidade também não.

Se tantos homens choram quando voltam a gostar daquilo que veem ao espelho, talvez a pergunta nunca tenha sido “porque é que choram?”.

Talvez a pergunta seja: Porque é que quase nunca lhes perguntámos como se sentiam antes?

Vídeo original: . Obrigada pela partilha, que inspirou esta reflexão.

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Liberdade de Pensamento.Mas talvez a maior ameaça à nossa liberdade não seja a falta d...
14/07/2026

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Liberdade de Pensamento.

Mas talvez a maior ameaça à nossa liberdade não seja a falta de direito a pensar. Seja a falta de hábito de questionar os pensamentos que já damos por certos.

Porque nem tudo aquilo em que acreditamos nasceu connosco. Muitas das ideias que orientam a nossa vida foram sendo construídas ao longo dos anos.
“Tenho de agradar a toda a gente.”
“Descansar é sinal de preguiça.”
“Se falhar, vou desiludir os outros.”
“Tenho de dar conta de tudo.”
“Toda a gente está melhor do que eu.”

Repetimo-las tantas vezes que deixam de parecer pensamentos. Passam a parecer verdades.

E é precisamente aí que perdemos uma parte da nossa liberdade. A liberdade de pensamento não é pensar o que nos apetece.

É conseguir parar e perguntar: este pensamento representa aquilo em que acredito… ou apenas aquilo que aprendi a acreditar?

Foi essa vontade de ajudar as pessoas a questionarem os pensamentos que, tantas vezes, conduzem as suas emoções e decisões que me levou a escrever A Minha Terapia Diária.

Porque, por vezes, a mudança não começa quando encontramos uma resposta. Começa quando temos coragem de colocar uma pergunta diferente.

Se esta reflexão fez sentido para si, guarde-a.

Talvez haja um dia em que precise de voltar a lembrar-se de que nem todos os pensamentos merecem ser acreditados.

💭 Que pensamento tem repetido tantas vezes que já o trata como uma verdade absoluta?

Esta não foi uma viagem a dois. Foi uma viagem com amigos.Mas, no meio de tantas conversas, gargalhadas, passeios e mome...
10/07/2026

Esta não foi uma viagem a dois. Foi uma viagem com amigos.

Mas, no meio de tantas conversas, gargalhadas, passeios e momentos partilhados, dei por mim a pensar numa coisa que vejo tantas vezes em consulta: a facilidade com que um casal deixa de existir para dar lugar apenas à equipa que gere uma casa, uma agenda, uma família e uma infinidade de responsabilidades.

Quando nos tornamos pais, é natural que os filhos ocupem o centro das nossas prioridades. O problema não está nisso. O problema é quando a relação f**a, sistematicamente, para o fim da lista.

E isso acontece mais vezes do que imaginamos.

A investigação mostra que cerca de 2 em cada 3 casais referem uma diminuição da satisfação conjugal durante a transição para a parentalidade. Não porque deixem de se amar, mas porque o cansaço, a sobrecarga e a falta de tempo acabam por ocupar o espaço que antes era da relação.

Ao mesmo tempo, estudos sugerem que os casais que conseguem reservar tempo para estarem juntos de forma regular apresentam uma menor probabilidade de separação.

Repare que não estou a falar de viagens. Nem de hotéis. Nem de grandes gestos. Estou a falar de intenção.

De continuarmos a criar momentos em que voltamos a ser duas pessoas que se escolhem, para além de todas as funções que desempenham diariamente.

Pode ser um jantar. Uma caminhada. Um café. Uma conversa sem telemóveis. Uma viagem com amigos, onde, no meio de tudo, também existe espaço para nos reencontrarmos enquanto casal.

Porque cuidar da relação não é colocar os filhos em segundo lugar.

É fortalecer a base sobre a qual a família se constrói.

E, talvez por isso, uma das maiores demonstrações de amor que podemos dar aos nossos filhos seja mostrar-lhes que o amor também se cuida 🤍

Quando foi a última vez que estiveram verdadeiramente juntos… sem falar da logística da família?

Portugal foi eliminado do Mundial.Mas para muitos de nós, aquilo que custa não é apenas a derrota.É a sensação de fim.O ...
07/07/2026

Portugal foi eliminado do Mundial.
Mas para muitos de nós, aquilo que custa não é apenas a derrota.

É a sensação de fim.
O fim de uma era.
O fim do último Mundial de Cristiano Ronaldo.

E talvez seja por isso que esta eliminação tenha um peso diferente. Porque Cristiano nunca foi apenas um jogador.

Foi símbolo.
Foi referência.
Foi identidade.
Foi, durante muitos anos, um dos maiores embaixadores de Portugal no mundo.

Num país pequeno em dimensão, mas imenso em história, Cristiano ajudou a levar o nome de Portugal ainda mais longe. Fez com que o mundo olhasse para nós. Fez com que milhões de portugueses sentissem orgulho, pertença, admiração e esperança.

Deu-nos golos, conquistas, recordes, lágrimas, noites inesquecíveis e momentos que f**aram gravados na memória coletiva. Mas deu-nos também algo menos mensurável: a sensação de que Portugal podia estar à altura dos maiores.

Crescemos a vê-lo representar o país com uma intensidade rara.
Vimo-lo ganhar.
Vimo-lo falhar.
Vimo-lo insistir.
Vimo-lo cair e voltar a levantar-se.
E, de certa forma, fomos crescendo com ele.

Por isso, quando chega o fim de um ciclo como este, não sentimos apenas a despedida de um atleta num Mundial. Sentimos a despedida de uma presença que marcou gerações inteiras.

Há figuras que deixam de pertencer apenas à sua profissão. Tornam-se símbolos de um país, de uma época, de uma parte da nossa história. Cristiano é uma dessas figuras.

E talvez hoje a dor não seja só pela eliminação.
Talvez seja também pela consciência de que nunca mais viveremos um Mundial da mesma forma.

Porque há histórias que não terminam apenas no apito final.
Terminham dentro de nós, quando percebemos que um capítulo irrepetível chegou ao fim.

Obrigada Cristiano Ronaldo .
Por tudo o que deste ao futebol.
Por tudo o que deste a Portugal.
Por nos teres posto no mundo com orgulho, ambição e grandeza.
E por teres sido, para tantos de nós, muito mais do que um jogador.

Ontem não acabou apenas um Mundial.
Acaba uma era.

Portugal venceu ontem a Croácia por 2–1. Na noite em que se cumpria exatamente um ano da morte de Diogo Jota.21 era o nú...
03/07/2026

Portugal venceu ontem a Croácia por 2–1. Na noite em que se cumpria exatamente um ano da morte de Diogo Jota.

21 era o número que usava na Seleção. E o seu último golo por Portugal tinha sido marcado precisamente frente à Croácia, com o equipamento alternativo.

Talvez sejam apenas coincidências. E é importante dizê-lo: reconhecer o simbolismo de um acontecimento não signif**a transformá-lo numa prova de que existe uma mensagem, um destino ou uma explicação sobrenatural.

Mas também não precisamos de desvalorizar aquilo que estas coincidências despertam em nós.

O cérebro humano procura padrões, ligações e narrativas. Fazemo-lo diariamente, mas essa procura tende a tornar-se ainda mais intensa perante a perda, a imprevisibilidade e acontecimentos emocionalmente difíceis de integrar.

Quando alguém morre, sobretudo de forma tão repentina, f**amos perante uma história que parece ter sido interrompida sem um final que faça sentido. E talvez por isso determinados números, datas, músicas, lugares ou acontecimentos adquiram um signif**ado especial.

Não porque alterem o que aconteceu. Mas porque nos permitem construir uma ponte entre a ausência e a memória.

No luto, continuar ligado a quem morreu não signif**a necessariamente não aceitar a perda. Muitas vezes, signif**a encontrar uma nova forma de transportar essa pessoa connosco: através das histórias que contamos, dos gestos que repetimos, dos símbolos que reconhecemos e dos signif**ados que escolhemos preservar.

Talvez o resultado de ontem tenha sido apenas isso: um resultado.

E, ainda assim, durante alguns instantes, para muitas pessoas, o 2–1 pareceu contar uma história muito maior do que o próprio jogo.

Porque há coincidências que não mudam a realidade.

Mas que, por momentos, nos ajudam a suportá-la 🤍

Uma mudança física pode ter um impacto real e positivo na nossa autoimagem.Podemos voltar a reconhecer-nos ao espelho, s...
02/07/2026

Uma mudança física pode ter um impacto real e positivo na nossa autoimagem.

Podemos voltar a reconhecer-nos ao espelho, sentir mais confiança, recuperar conforto, mobilidade ou saúde. Negar esse impacto seria tão redutor como afirmar que a autoestima depende apenas da aparência.

Mas mudar o corpo não transforma, automaticamente, a forma como pensamos e sentimos sobre nós.

É possível emagrecer e continuar a sentir que nunca é suficiente.
É possível receber elogios e passar a depender deles para confirmar que estamos bem.
É possível conquistar o corpo que desejávamos e viver com medo permanente de o perder.
É possível treinar regularmente e manter uma relação de castigo com o exercício.
É possível cuidar da alimentação e, ainda assim, comer com culpa, ansiedade ou necessidade de compensação.

Porque a autoestima não se constrói apenas a partir daquilo que vemos ao espelho. Constrói-se também através da forma como interpretamos o que vemos, das palavras que usamos connosco e das condições que colocamos ao nosso próprio valor.

“Vou sentir-me bem quando perder peso.”
“Vou usar aquela roupa quando o meu corpo mudar.”
“Vou deixar-me fotografar quando estiver melhor.”
“Só posso descansar depois de compensar aquilo que comi.”

Quando adiamos a vida até o corpo corresponder a uma determinada expectativa, a meta pode mudar, mas a sensação de insuficiência acompanha-nos.

Isto não signif**a que seja errado querer mudar o corpo.

Podemos desejar uma mudança sem nos odiarmos. Podemos procurar melhorar a saúde sem transformar os cuidados num castigo. Podemos sentir-nos mais confiantes depois de uma transformação física e, simultaneamente, trabalhar a relação que temos connosco.

O corpo pode mudar mais depressa do que a nossa narrativa interna.

Por isso, além de perguntarmos “o que quero mudar no meu corpo?”, talvez seja importante perguntarmos: como quero aprender a relacionar-me comigo durante e depois dessa mudança?

Porque podemos mudar por fora e continuar a falar connosco da mesma forma por dentro.

E nenhum corpo será suficientemente confortável enquanto a nossa voz interior continuar a ser um lugar hostil 🤍

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