24/08/2026
“Se não estás bem, pede ajuda.”
É uma das mensagens mais importantes que podemos transmitir quando falamos de saúde mental.
Mas o julgamento de Lindsay Clancy obriga-nos a acrescentar outra pergunta: e o que acontece depois de alguém pedir ajuda?
Nos meses anteriores à morte dos seus três filhos, Lindsay procurou cuidados de saúde mental, foi acompanhada por diferentes profissionais e recebeu tratamento psiquiátrico.
Ela pediu ajuda.
E este é um dado importante porque nos obriga a pensar na prevenção para além do momento em que alguém consegue dizer “eu não estou bem”.
Depois desse pedido vêm a avaliação clínica, a diferenciação diagnóstica, a avaliação de risco, a intervenção adequada e a continuidade dos cuidados.
No caso de Lindsay, o seu estado mental no momento dos crimes é precisamente uma das questões centrais do julgamento. A defesa sustenta que se encontrava em psicose pós-parto. A acusação contesta essa interpretação e têm sido apresentadas avaliações periciais diferentes.
Não me cabe, enquanto psicóloga que nunca avaliou Lindsay, diagnosticá-la à distância. E muito menos determinar a sua responsabilidade criminal.
Mas tentar compreender o seu estado mental também não signif**a desresponsabilizá-la.
Cora, Dawson e Callan morreram. São as vítimas desta história e nenhuma discussão sobre saúde mental deve apagar essa realidade.
Ao mesmo tempo, compreender os fatores que antecederam uma tragédia não signif**a justificá-la.
Podemos reconhecer aquilo que aconteceu às três crianças e, simultaneamente, perguntar se uma mulher que procurou repetidamente ajuda recebeu uma resposta capaz de reconhecer e acompanhar adequadamente a gravidade daquilo que estava a acontecer.
Não sabemos ainda se existiram falhas nos cuidados prestados a Lindsay. Seria irresponsável afirmá-lo.
Mas é legítimo, e necessário, fazer a pergunta.
Porque a prevenção também se constrói estudando aquilo que aconteceu depois de alguém ter pedido ajuda.
Nos últimos dias, a morte prematura de Hayden Panettiere, aos 36 anos, voltou também a trazer a saúde mental materna para a conversa pública. Hayden tinha falado abertamente sobre a sua experiência com depressão pós-parto e ou