Psicóloga Clínica_Susana Martinho de Oliveira

Psicóloga Clínica_Susana Martinho de Oliveira Psicóloga Clínica & Psicoterapeuta
Formação & Supervisão
Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde
Especialista em Trauma

17/08/2026

Portugal tem o dobro de perturbação de stress pós traumático (PTSD) do que Espanha: 5,3% aqui. 2,2% lá.

E a pergunta que f**a é: porquê?
A resposta nunca é simples.
Porque Portugal realmente sofre mais traumas em geral: 69% de exposição vs 54% em Espanha.

Portugal sofre mais acidentes, mais violência, mais eventos traumáticos que afetam as pessoas próximas.
Mas há algo mais profundo...

Quando um português é exposto a certos tipos de trauma, particularmente violência sexual ou relacional, o impacto é drasticamente maior, com maior probabilidade de adoecimento com PTSD.

Em Portugal: Se uma pessoa for vítima de violação, a probabilidade de vir a sofrer de PTSD é de quase 7 em cada 10 (68,7%).
No mundo: A média global é de apenas 2 em cada 10 (19,0%).
Em Espanha: Também cerca de 2 em cada 10 (20,5%).
Na Irlanda do Norte: Cerca de 5 em cada 10 (47,8%).

Isto não é fraqueza portuguesa nem acaso!
Isto é história que ficou escrita no corpo nacional e cultural: a Guerra Colonial (1961-1975), a ditadura (1926-1974), a transição democrática, e a elevada sinistralidade associada a acidentes de viação no país.

Vivemos eventos que reprogramaram o sistema nervoso de uma população inteira, que aprendeu que a confiança pode ser destruída.
Quando falamos de trauma, não falamos só de trauma pessoal isolado.

🌿Se reconheces isto na tua história, se sentiste que Portugal carrega isto de forma diferente, tu não estás sozinho/a

👉 Envia isto a alguém que precise de ouvir isto.

📍Segue .psicologa, porque o próximo capítulo responde à pergunta que ficou aqui, e mostra porque é que as mulheres portuguesas sofrem ainda mais neste contexto.🤍

31/07/2026

O bruxismo, as enxaquecas crónicas, o aperto no peito que não passa, a tensão que vive na mandíbula, a ansiedade sem razão aparente, as dores que os exames não conseguem explicar.

Muitos adultos vivem com estes sintomas durante décadas. Vão a médicos, fazem exames, tomam medicação e ouvem sempre a mesma frase: "Não tem nada. É só stress." Mas tem uma história inteira que o corpo guardou porque a mente não pôde contar.

Cada vez que uma criança "engoliu o choro", o corpo fez algo extraordinário: recrutou músculos específicos para interromper a emoção antes de ela sair. Foi uma escolha inteligente e a única possível para se manter amada.
Só que esses músculos nunca receberam o sinal de "podes soltar." e continuaram a fazer o mesmo trabalho, dia após dia, ano após ano, muitas vezes durante décadas.

É por isso que muitas dores adultas não têm nome. Não é porque não tenham origem, mas é porque a origem está guardada num tempo em que ainda não havia palavras.

É por isso que no seu livro, o psiquiatra Bessel Van der Kolk escreveu que “o corpo não esquece” e isso tem a ver com as memórias implícitas, não conscientes.

📍Mas há uma boa notícia: o que o corpo aprendeu a fazer, também pode aprender a desfazer. Se aprendeu a apertar, pode aprender a soltar. Se aprendeu a engolir, pode aprender a expressar. Se aprendeu que sentir era perigoso, pode aprender (hoje, com segurança e no ritmo certo) que sentir é seguro.

🌿Este é o trabalho lento e profundo da psicoterapia com o corpo. Não é apenas conversar sobre o passado. É devolver ao corpo o que ficou suspenso.

👉Guarda este capítulo, ou partilha com alguém que carrega dores que ninguém consegue nomear. 🤍​
No próximo acto: quando estas marcas se tornam trauma e o que fazer com isso.

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