João Mourato - Psicólogo Clínico

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Eu sei, mas deixem-me explicar.Li esta frase no livro da Ana Cláudia Arantes que recomendei aqui na página e esta foi um...
28/07/2026

Eu sei, mas deixem-me explicar.

Li esta frase no livro da Ana Cláudia Arantes que recomendei aqui na página e esta foi uma das frases que mereceu uma maior reflexão e por isso decidi partilhar com vocês.

A autoestima é um autoconceito daquilo que somos, do valor que temos, da forma como nos vemos e às nossas capacidades.

Desta forma é natural que ter uma baixa autoestima é, para muitos, sinónimo de um grande sofrimento. Acham-se incapazes, inferiores e pequenos quando se comparam e aos seus feitos com os dos outros. Por ser assim, repetem coisas para si mesmos como "ninguém gosta realmente de mim" e, por isso, em vez de procurarem amor, procuram aprovação.

É aqui que as coisas se complicam.

O facto de alguém ter uma baixa autoestima, implica, paradoxalmente, viver como se toda a gente estivesse a olhar para si e a julgar os seus fracassos e a forma como sente as suas emoções. Por outras palavras, essa pessoa vive de uma forma em que parece que o mundo gira completamente à sua volta.

Este é o paradoxo: quanto mais a pessoa acredita que toda a gente ao seu redor a julga, quanto mais inferior se sente mas, ironicamente, mais se coloca como o centro das atenções, implicando um foco excessivo em si mesmo.

“Não somos tão especiais ao ponto de todos pensarem que não somos bons o suficiente. O mundo não está a girar em torno do nosso umbigo, ou apesar dele” (Arantes, 2019).

No fim de contas, resume-se a isto. Na tentativa de mostrar o seu valor, alguém com baixa autoestima age como se o mundo estivesse sempre contra ela, como se ela fosse o centro de tudo.

Felizmente, mesmo não sendo perfeitos, todos somos capazes de mudar, rever as nossas crenças e desafiarmo-nos a viver de outra forma, crescendo com as nossas limitações ao mesmo tempo que aprendemos a colocar de lado esta maneira de viver que, verdadeiramente, não nos ajuda em nada em adaptar à realidade em que vivemos.

Espero que vos tenha feito sentido de alguma coisa maneira.

Desenvolver o autoconhecimento é uma parte fundamental de qualquer processo psicoterapeutico. Como tal é comum, a dada a...
17/07/2026

Desenvolver o autoconhecimento é uma parte fundamental de qualquer processo psicoterapeutico. Como tal é comum, a dada altura dedicar algum tempo a tentar responder às questões: quem sou eu? O que estou aqui a fazer e para que? Existe uma resposta certa? A resposta certa é certa para mim? 

Parece confuso e é. No entanto existem diferentes caminhos que nos levam a estas respostas e um deles, talvez não tão óbvio para muitas pessoas é que, uma das melhores maneiras de entender a vida é falar sobre a morte. 

Escolhi recomendar este livro porque para mim fez precisamente isso, mudou a forma como perceciono a vida, não só a minha mas a de todos os que me rodeiam. Não me revejo necessariamente em todos as ideias defendidas no livro mas ao ler "obrigou-me" a remexer várias gavetas que, pensei eu, estavam muito bem arrumadas na minha mente.

Quando terminei a leitura percebi que muitas gavetas guardavam coisas que já não me fazem sentido e por isso já não me são úteis. No lugar delas já tenho uma boa ideia do que quero lá colocar mas reservo algum tempo para continuar a descobrir. 

Num mundo onde parece que cada vez mais  pessoas nos oferecem respostas imediatas e soluções sobre como devemos viver a nossa vida, este livro é uma lufada de ar fresco que desafia a maneira como vemos a vida (e a morte) e relembra que os caminhos fáceis nem sempre nos levam longe. 

Espero que gostem deste livro da Ana Claudia Quintana Arantes, acho que realmente vale a pena, boas leituras!

O novo local onde me podem encontrar.
24/11/2025

O novo local onde me podem encontrar.

Esta sugestão de leitura tem como intuito convidar-vos a ver como é ser-se psicólogo sendo pessoa e como é ser-se pessoa...
20/05/2025

Esta sugestão de leitura tem como intuito convidar-vos a ver como é ser-se psicólogo sendo pessoa e como é ser-se pessoa enquanto se é psicólogo. 

É uma leitura divertida e triste. Leve e pesada. Caótica e esclarecedora. Honesta e não politicamente correta.

Diria que cativa naturalmente quem tem interesse em saúde mental, seja pelo lado profissional ou pelo da pessoa que fez/faz psicoterapia mas não deixa de ser um excelente cartão de visita para quem não é uma coisa ou outra mas tem curiosidade em saber mais.

É um livro com o qual me identifiquei bastante, quer a nível pessoal como profissional. Muitas intervenções, reflexões e aprendizagens ressoaram como familiares e, para além disso, as muitas dúvidas e ambivalências presentes nas relações que se vão estabelecendo através do vínculo com as pessoas que acompanho.

Nesse sentido, é muito reconfortante ser relembrado que existem mais pessoas nessa posição, a enfrentar o mesmo tipo de desafios, a aprender a gerir o sentem e pensam à volta de um sigilo que implica guardar muitas histórias apenas para nós próprios e, com elas, a maneira como ressoam em nós próprios, enquanto pessoas.

Sempre que precisar de um pouco mais de sentido (parafraseando a ), este livro é uma boa ajuda e espero que para vocês também seja.

Natal rima com estar no sofá a ver séries e como vocês já estão fartos de ver o sozinho em casa, venho trazer-vos o ingr...
22/12/2024

Natal rima com estar no sofá a ver séries e como vocês já estão fartos de ver o sozinho em casa, venho trazer-vos o ingrediente que faltava para esta altura do ano.
Aqui ficam mais três sugestões com especial foco no . Espero que gostem e, como sempre, fico à espera do vosso feedback e, caso tenham, das vossas sugestões cinematográficas 🎥.

Apesar do Natal ser uma época querida para muitas pessoas, associada à família, partilha, amor e bem-estar, sabemos que ...
13/12/2024

Apesar do Natal ser uma época querida para muitas pessoas, associada à família, partilha, amor e bem-estar, sabemos que não é necessariamente assim para todos.

Quando perdemos alguém que amamos isso causa em nós uma sensação de vazio e uma dor intensa que é muito difícil de gerir, principalmente numa altura em que vemos cadeiras vazias onde outrora estavam pessoas de quem agora sentimos falta.

No processo de luto acontece que, por muitas vezes, sentimos que manter a dor viva é a única maneira de honrar a pessoa que perdemos.

Mas será mesmo assim? Será que prolongar a dor é uma prova de amor?

À medida que o tempo vai passando, podemos e devemos fazer o esforço de encontrar outras formas de manter o amor pela pessoa que perdemos, de poder falar sobre ela de uma forma que nos ajude a manter aquela pessoa em nós, no nosso coração, de uma maneira mais saudável.

Muitas pessoas acreditam que voltar a ser feliz é uma falta de respeito para com quem perdemos, uma maneira de desonrar a sua memória, então isolam-se, suprimem as suas emoções e negligenciam a sua natural necessidade de apoio

Isto não podia estar mais errado.

Neste Natal, permitir-te sentir: Aceitar, acolher, expressar e troquem o (auto) julgamento pela partilha de memórias, pelo cultivo de novos hábitos, por hobbies, jogos e procura de apoio, amigos, familiares ou grupos de apoio.

A todos, um feliz Natal.

De forma geral, as pessoas têm dificuldade em lidar com o sofrimento, seja seu ou dos outros. Estou certo que todos nós ...
01/07/2024

De forma geral, as pessoas têm dificuldade em lidar com o sofrimento, seja seu ou dos outros. Estou certo que todos nós já respondemos “está tudo bem e contigo?” em momentos caóticos onde sabemos que ter alguém com quem desabafar até dava algum jeito. Infelizmente o automatismo desta resposta está bastante presente mas não temos que estar reféns disso para sempre.

Iniciar um processo terapêutico traz à pessoa um maior conhecimento em relação a si própria, aos outros e ao mundo que, anteriormente, não tinha. Isto coincide muitas vezes com o despertar para a existência de problemas que, não sendo propriamente novos nem originados em consulta, ganham uma nova dimensão e importância trazidas pela tomada de consciência promovida por este processo, que a pessoa adquire quando se permite questionar e ser questionada sobre a origem dos seus sentimentos, comportamentos, crenças, valores e sonhos de um ponto de vista diferente, de uma lente que não a sua.

Muitas vezes é como descalçar um sapato tendo um espinho encravado há anos e proceder a removê-lo. Sim, é quase certo que virá mais dor no imediato. Virá mais dor do que talvez foi sentido até aqui, mas a ferida não infectará se for tratada. A correria no dia-a-dia, o stress, a falta de sono, comer as emoções com fast food, o trabalho fora de horas podem anestesiar a dor sentida pelos espinhos que temos mas certamente não resolve nada, apenas nos distrai daquilo que é mais importante, tornando-nos permeáveis a reacções desproporcionais, a uma maior reatividade e sensibilidade que, por vezes é tão levada ao extremo que torna a interação com os outros uma experiência algo tão desgradável que tendemos para a evitar.

Todas as crianças precisam de amor, atenção, segurança e conexão.Infelizmente parece que muitos de nós, adultos, se foi ...
01/06/2024

Todas as crianças precisam de amor, atenção, segurança e conexão.
Infelizmente parece que muitos de nós, adultos, se foi esquecendo da criança que um dia foi, encontrando gradualmente um conforto espinhoso na ausência dessas necessidades e , talvez por isso, tenhamos desaprendido o que significa dar e receber este "colo".
No entanto ignorar as nossas necessidades nunca fará com que elas desapareçam e essa insuficiência tende a voltar às nossas vidas sob a forma de padrões relacionais que se revelam desajustados, insuficientes e por vezes tóxicos, influenciando negativamente o contacto com o outro e, inevitavelmente, com as crianças.
Apesar de serem elas os seres dependentes, muitas vezes parece que o processo se inverte e somos nós os aprendizes.
É importante acolher as emoções das crianças e, por vezes, isso acontece em simultâneo com acolhermos as nossas próprias emoções
As crianças merecem que tentemos.

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