16/05/2023
O meu agressor
Olá alma,
Hoje quero partilhar contigo uma história de arrepiar que eu vivo na pele, já desde a passagem de ano de 2017.
O meu objetivo em partilhar é me libertar desta energia, curar. Entregar luz a esta história, que tenho vivido quase exclusivamente na minha intimidade.
Nesse ano de 2017 decidi passar uma passagem de ano diferente. Decidi sair da minha zona de conforto e ir para um local novo, com pessoas que eu nunca tinha visto antes. Passei a passagem de ano num retiro de toma de ayahuaska e meditação e cura. Foi uma das experiências mais gratif**antes que tive na minha vida. Amigos que fiz naquele fim de semana, são alguns dos meus melhores amigos hoje e relembro a todos aqueles que ali conheci com muito carinho e alegria. Foram dias maravilhosos de partilha e cura. Foi uma experiência que mudou a minha vida de todas as maneiras.
Alguns fins de semana depois, alguma da malta do retiro decidiu juntar-se em Lisboa (fantástico) e fomos jantar e conviver novamente. Entre eles estava um rapaz um par de anos mais novo que eu, que também tinha estado no retiro, mas apenas um dia, motivo pelo qual eu apenas o vi um par de vezes e não falei sequer com ele.
Desde então, começou da parte dele uma insistência invulgar, que eu na altura não valorizei, nem nunca sonhei que pudesse tomar as proporções que tomaria. Ele era um rapaz simpático, muito tímido, muito conhecido professor de artes marciais a nível internacional, meditador experiente. Tudo me dizia que seria uma pessoa equilibrada, apesar da insistente presença de várias formas. Percebi que haveria interesse da parte dele, mas fiz o que faço, sou simpática/amiga e só. Certo dia quando ele percebeu que assim seria desapareceu de repente (pensava eu), como que num tom chateado.
Desde então tudo começou a correr mal para mim. Tive 2 anos péssimos a todos os níveis. Terminou o relacionamento que tinha na altura; os projetos/parecerias que encontrei foram instáveis; financeiramente passei por dificuldades como nunca antes ou depois; tive dois acidentes de carro em um ano (num deles levava o meu filho), felizmente ambos pouco graves, sendo que em 20 anos de carta nunca antes ou depois tive mais nenhum… O que tu te lembres, acontecia-me. Tornei-me a pessoa mais azarada do mundo.
Certo dia uma amiga minha disse-me: “Cláudia tens que ir ao Sr. X e perceber o que se está a passar porque isso não é normal". Eu nunca tinha visitado alguém como ele. Ele olhou para mim, para as cartas dele e disse: “É o amor”. Explicou-me que aquele menino estava a usar de formas espirituais para me prejudicar. Sabendo de tudo o que me tinha acontecido, a minha reação foi perguntar como é que é possível que alguém possa interferir no livre arbítrio de outra pessoa desta forma, alterando completamente a sua vida e resultados. Ele respondeu: “Um dia vais perceber” explicando que se isto me está a acontecer foi porque a minha alma autorizou, faz parte do meu caminho.
Saí mais confundida que esclarecida, mas ele garantiu-me que tudo o que fosse pesado já não me poderia chegar. Disse que ele continuaria a tentar por muito mais tempo (o que é verdade, ainda me persegue, ainda ontem o vi), mas que seriam coisas pequenas já. Pediu-me para ignorar o mais possível, e aproximar-me da minha espiritualidade, meditar, orar, mas nunca retaliar. Ainda hoje o vou vendo passar num carro ao meu lado, no outro lado da avenida… E, de vez em quando, quando me sinto mais cansada (baixa energia), ainda ouço a voz que me diz/grita ao ouvido “cala essa boca! Não estás cá a fazer nada! Atira-te daí abaixo! Salta agora!...”
Durante estes anos, na tentativa de me defender destes ataques aprendi muito. Hoje compreendo um bocadinho melhor o que há entre o céu e a terra. Hoje vejo muito mais, sei muito mais.
Não é de ânimo leve que te digo que agradeço ter conhecido esta alma. Foi o empurrão que eu precisava para despertar muitos conhecimentos em mim, muita força que eu não sabia ter. De facto compreendo porque fez parte do meu caminho. O meu irmão não me falhou no contrato que tínhamos. Tudo isto me incentivou a ganhar muita consciência. A ser quem sou.
Por este motivo, e eu sei que lês tudo o que escrevo, eu mais do que te perdoo, eu sou grata. Não era o que eu queria de ti, mas foi o que eu precisava. Também te peço que me perdoes por algum momento em que possa ter sido menos considerativa com os teus sentimentos. Fiz o melhor que sabia. Espero sinceramente que a minha presença na tua vida te tenha inspirado, ou venha a inspirar, tanto crescimento como tu na minha. Desejo que algum dia te consigas ver, pelo menos, como eu te vejo a ti.
Livre viagem, alma amada.