19/09/2023
“A metáfora da carruagem, que Gurdjieff menciona em alguns livros, é uma analogia muito útil e precisa do ser humano.
A carruagem é basicamente composta de três partes: o carro (o corpo), o cavalo (as emoções), e o cocheiro (o intelecto).
Quase todos os seres humanos se identificam com uma dessas três partes.
Seja acreditando ser o cocheiro que dirige o corpo e as emoções com os próprios pensamentos, seja acreditando ser o cavalo movendo o corpo e 'dançando' ao som dos pensamentos, seja acreditando ser o carro, arrastado pelas emoções e comandado pelos pensamentos.
Em todo o caso, todos esses processos são igualmente automáticos.
E é apenas a identificação com um ou outro desses centros que cria uma sensação e ‘ilusão’ de livre arbítrio, por não deixar distância suficiente pra que percebamos os ciclos e padrões repetitivos dele.
Há uma quarta parte na carruagem que é apenas um potencial, e essa quarta parte é o amo (a consciência).
O amo não se envolve com nenhuma das outras partes. Ele está apenas sentado, e observando o passeio e o trabalho das demais partes.
Todo o trabalho interior é uma maneira de criar essa quarta parte, de observar não apenas o trabalho de um dos centros enquanto se está semiconscientemente identificado com outro deles, mas de observar o trabalho dos três centros sem se identificar com nenhum, de observar pensamentos, corpo e emoções sem associar exclusivamente seu sentido mais íntimo de Eu com nenhum desses movimentos.
Só pura observação, pura presença, sem imaginação e interpretação.”
(Jeremy Cristopher).
“Se a nossa consciência dorme, quanta consciência podemos ter sobre o que fazemos, falamos e decidimos?
Como o treinador pode dar instruções adequadas aos cavalos se ele não sabe para onde ir?
Precisamos ouvir a voz do passageiro (alma) e assumir o controle, conduzindo os cavalos na direção desejada.
Pense em quantas ações e pensamentos você realiza sem usar a sua consciência.
Sem autoconhecimento, sem entender o trabalho e as funções da sua máquina (física, mental ou emocional), o homem não pode ser livre, e não pode governar a si próprio. Assim, ele sempre será um escravo.” - George Gurdjieff