Helena de Sá Leonardo

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Como brincar é importante!A brincar APRENDE-SE, INVENTA-SE, VIAJA-SE NO ESPAÇO E NO TEMPO, AMA-SE, ODEIA-SE, MATA-SE e M...
21/09/2026

Como brincar é importante!

A brincar APRENDE-SE, INVENTA-SE, VIAJA-SE NO ESPAÇO E NO TEMPO, AMA-SE, ODEIA-SE, MATA-SE e MORRE-SE.

Existirá algo mais sério?

A nossa sobrevivência, como seres humanos, está directamente ligada à capacidade de imaginar e de “fazer de conta”. É o que nos permite conceber coisas que não conhecemos, imaginar o passado em que não participamos e projectar-mo-nos no futuro.

Mas, então, quando e como começamos a brincar?

Brincar corresponde a uma actividade que pode ser mais ou menos elaborada e que, aparentemente, não tem outra utilidade e/ou objectivos imediatos que não sejam o prazer e divertimento de quem brinca. É, portanto, vivida sempre de uma forma agradável e nunca como obrigação!
A capacidade e vontade de brincar inicia-se muito cedo no bebé, adquirindo, ao longo do desenvolvimento, uma cada vez maior complexidade.
Na relação apaixonada com a mãe e com o pai encontramos o seu motor.
O adulto imita os sons, balbucios do filho, “fala à bebé”, modificando o seu tom de voz. E o bebé, pouco depois de nascer, responde em sincronia, maravilhado.
Nesta simples brincadeira, em que o prazer é mútuo, ocorrem profundas trocas afectivas que permitem ao bebé (re)conhecer-se no olhar da Mãe.
Uma maior autonomia progressiva, correspondendo a aquisições psicomotoras, permite ao bebé realizar brincadeiras cada vez mais complexas. Na relação com os pais, descobre que pode brincar com o corpo, partes do corpo e objectos.
Por exemplo, os bebés adoram “esconder-se”, escondendo os olhos, enquanto a Mãe diz “o bebé não está cá”, rindo depois a bandeiras despregadas.
E de brincar com sons, o bebé começa a brincar com as palavras…aprendeu a falar brincando.
Por volta dos 2 anos, a criança é capaz de representar cenas complexas com os seus brinquedos. Quem nunca viu um bebé a dar papa ou ralhar com um brinquedo?
Ao brincar realizam-se aprendizagem importantes sobre os objectos, os outros e o próprio, sendo esta actividade fonte de capacidades criativas.

E que mais acontece quando as crianças brincam?

Quando brincam, as crianças podem representar livremente os seus Sonhos Mais Secretos e os Desejos Impossíveis…aparecem Super-Heróis, Dragões, Princesas e, atrevidamente, tornam-se mães, pais, namorados…
Ao representar, podem desempenhar vários papéis identificando-se com os personagens, o que lhes permite conhecê-los, compreendê-los na sua função (brincar aos Pais, aos Professores). Podem encenar os conflitos familiares, colocando-se, num só tempo, de cada lado da contenda e, assim elaborar a angústia que lhe está associada.
Brincam as Preocupações de que Não Conseguem Falar, os Medos Inomináveis e os Sentimentos Mais Terríveis.
Um pequeno de 4 anos pode transformar-se num “Importante Pai”, ralhando com o seu “Insignificante Filho”. Assim, pode exprimir todo o amor e admiração e, sim, também toda a raiva, elaborando e modulando estes sentimentos.
Criando a distância que os brinquedos e a imaginação permitem, a criança representa e manipula sentimentos e fantasias que, de outro modo, seriam intoleráveis, dá sentido e organiza o seu próprio mundo interior.
Por isso, por vezes…muitas vezes, são representadas cenas de crueldade, ou em que há uma manifesta agressividade. Ao colocar “Toda a Zanga e Fúria” num “Guerreiro Implacável”, a criança já não precisa de fugir dela (ou de a negar) nem de a agir na realidade.
João dos Santos dizia “Há as crianças que brincam às guerras e há as crianças e os adultos que as fazem. Brincar às guerras vacina, provavelmente, contra a guerra. Viver a guerra dentro de si, sem a brincar, origina, provavelmente, as pessoas da guerra.”

E quando a criança não brinca?

Uma criança que não brinca está profundamente doente, assaltada por desconfianças e medos poderosos.
Sendo a capacidade de brincar reflexo e motor de todo o desenvolvimento emocional e cognitivo, podemos considerar que o sofrimento psíquico na criança é sempre correspondido por perturbações na forma como brinca (ou não brinca).
Enquanto brincam, as crianças, (re)organizam constantemente suas experiências, aprendendo sobre Si Próprias e sobre “Tudo o que Existe no Mundo”. Preservam a saúde mental através de um diálogo entre o mundo interno em desenvolvimento e as progressivas exigências da realidade.
Mas, para isso, é condição necessária que, ao longo do desenvolvimento tenha havido a constância de uma Presença Benevolente Envolvida nas brincadeiras com a criança, ensinando-lhe a alegria e ajudando-a a lidar com as decepções e as frustrações.
Só a partir da reciprocidade das Relações Primordiais é possível o “Brincar Sozinho” e com Outras Crianças, tornar-se cada vez mais autónomo e criativo.
Quando a vida, mal começa, se enche de ausências e experiências traumáticas, originadoras de angústias não representáveis, temos a aprendizagem de brincar comprometida e, concomitantemente, toda a vida psíquica. Então, a criança não brinca a tristeza nem a agressividade, isto é, não as representa fora de si própria. É ela própria Tristeza, Agressividade, Doença.

Assim acontece com a Joana, de 6 anos que, tendo sido agredida, destrói os brinquedos, em vez de brincar com eles.
O pedro, 7 anos, na sua hiperactividade, foge do brincar, por não poder elaborar ansiedades muito profundas.
A Tersa, 10 anos, menina bem-comportada, com excelentes resultados escolares, estuda mas não brinca. Sente-se triste…
O tratamento psicológico destas crianças é Sempre uma “Terapia do Brincar”.
Por vezes, é necessário começar do Princípio, com jogos muito simples, outras vezes é preciso ajudar na elaboração de uma problemática que se repete incessantemente na brincadeira.
Se “Brincar é, em si próprio, uma terapia” (Winnicott, 1971), quando há uma criança em sofrimento é fundamental alguém que, brincando com ela, lhe forneça meios para elaborar as suas angústias e encontrar soluções para os seus conflitos. Nessa relação, a criança percebe que os seus sentimentos são aceites, que pode representar a sua dor e dar-lhe significado.
Na psicoterapia, o terapeuta, através das brincadeiras que a criança dirige e dos brinquedos que escolhe, torna-se o “espaço mental”, em que “experiências difíceis” são interpretadas e ligadas em Histórias com Significados.
HSL

19/09/2026

Convite à leitura! “EXPERIÊNCIAS PSICANALÍTICAS PARA LÁ DO DIVÔ, um artigo de Tomás Miguez no último número da RPP

“A clínica psicanalítica realiza-se habitualmente num contexto de consultório, usando o divã. Para além de um tratamento, a Psicanálise constitui-se como uma teoria sobre a dimensão psíquica do ser humano e um método de investigação. Será assim natural que se assista a um número crescente de intervenções psicanalíticas em diversos contextos, para além do consultório e do divã. Estas intervenções são muito importantes na formação e identidade do psicanalista. Neste artigo, proponho uma reflexão sobre três experiências psicanalíticas fora do consultório:
1. Linha Viral Solidariedade, uma linha telefónica criada pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise no decorrer da pandemia, aberta à população em geral, na qual se procurava conter as ansiedades inerentes à situação traumática da pandemia.
2. O Psicanalista na Comunidade, uma experiência comunitária de apoio a pacientes psicóticos, na qual se evidencia a importância da compreensão do funcionamento psicótico e da contra-transferência.
3. Consultas no Cazaquistão a mulheres que foram raptadas durante a sua adolescência.”

Link na story de hoje

Vol 46 nº1 (2026)
Revista Portuguesa de Psicanálise 46(1) 41-66

https://rppsicanalise.org/index.php/rpp/article/view/280

17/05/2026

May 17 is the International Day Against Homophobia, Transphobia, and Biphobia (IDAHOBIT. On this day in1990, the World Health Organization officially removed homosexuality from the list of mental disorders.

After centuries of hatred, persecution, and stigmatization — often reinforced by scientific and psychiatric pathologization — this marked a historic turning point achieved through the sustained struggles of LGBTQ+ movements, activists, researchers, and many voices committed to dignity, reflection, and social change.

It was not only a medical decision. It was also an ethical, political, and human recognition: diversity is not a disease.

Remembering this date means defending respect, singularity, and the right to exist without fear or shame.

17/05/2026
17/05/2026

Jovens com visões mais tradicionais da masculinidade relataram mais comportamentos de delinquência num estudo com 231 rapazes com 18 e 19 anos realizado por investigadores do ISPA - Instituto Universitário.

Leia mais: https://www.publico.pt/2174262

30/09/2025

“(The poet) “seeks in himself every kind of love of suffering, of madness”
G. Partridge, Psychoanalytic Review, 1930
Cartoon by Robert Mankoff

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25/12/2024

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