Isa Silvestre - Psicóloga Clínica

Isa Silvestre - Psicóloga Clínica http://www.isasilvestre.com/ Serviços de Psicoterapia, Consultoria e Orientação Vocacional. Intervenção individual ou grupo/familiar e personalizada.

Muitos conflitos nas férias começam numa expectativa silenciosa: a ideia de que a criança devia estar feliz, grata e pro...
10/08/2026

Muitos conflitos nas férias começam numa expectativa silenciosa: a ideia de que a criança devia estar feliz, grata e pronta para aproveitar tudo aquilo que os adultos prepararam.

Mas as crianças não vivem as férias da mesma forma que os adultos.

👉🏻 O adulto vê uma viagem, um passeio ou um dia de praia como um momento especial.
👉🏻 A criança pode experienciar exatamente esse momento como demasiado calor, ruído, movimento, mudança, estimulação ou cansaço.

Quando o comportamento muda, é fácil surgir a frustração.

Não necessariamente porque os pais sejam injustos, mas porque também estão cansados, investiram tempo, energia e dinheiro e desejavam que aquele momento corresse bem.

O problema começa quando esperamos que a felicidade da criança confirme que fizemos tudo da forma certa.

Porque, nessa altura, podemos deixar de olhar para aquilo que ela está realmente a sentir.

Nem sempre a criança que chora, reclama, faz uma birra ou diz que quer ir embora está a ser ingrata.

Muitas vezes, está apenas a comunicar, da única forma que consegue, que está em sobrecarga e já não consegue regular sozinha aquilo que sente.

O desafio não é desistir dos planos.

É conseguir adaptá-los às necessidades da criança quando ela já não consegue adaptar-se ao ritmo dos adultos.

Porque as melhores férias não são as que têm mais atividades nem as fotografias mais bonitas.

São aquelas em que todos regressam a casa a sentir-se mais seguros, mais próximos e mais ligados uns aos outros.

É nessa ligação que se constroem as memórias mais importantes ✨

08/08/2026

Os telemóveis fazem parte da vida dos nossos jovens. A questão não é apenas proibi-los, mas ajudá-los a construir uma relação mais equilibrada, saudável e consciente com a tecnologia.

Participei numa reportagem da e da sobre a proibição do uso de telemóveis nas escolas e sobre a importância de devolver aos recreios aquilo que os ecrãs foram, progressivamente, ocupando: espaço para brincar, conversar, movimentar-se e fortalecer as relações entre pares.

Muito obrigada pelo convite e pela oportunidade de contribuir para esta reflexão, tão necessária, sobre o bem-estar e o desenvolvimento das nossas crianças e jovens.



07/08/2026

Nem tudo o que parece ciúme é apenas ciúme. Por vezes, o ciúme transforma-se num argumento para justificar comportamentos de controlo.

Esta diferença pode mudar completamente a forma como olhamos para uma relação.

O ciúme é uma emoção humana e universal. Pode surgir perante o medo de perder a pessoa amada, a insegurança, a comparação ou o receio de não ser suficiente.

Mas sentir ciúme nunca dá o direito de vigiar, controlar, limitar, proibir ou decidir pelo outro.

Quando alguém começa a dizer com quem pode falar, que roupa pode vestir, onde pode ir, quando deve responder às mensagens, o que pode publicar ou de quem se deve afastar…

👉🏻 Já não estamos apenas a falar de ciúme.
👉🏻 Estamos a falar de controlo.

E o controlo raramente começa de forma evidente. Costuma instalar-se de forma gradual.

Muitas vezes, apresenta-se disfarçado de preocupação, proteção ou prova de amor:
"Só estou a proteger-te."
"Se me amasses, fazias isto por mim."
"Não gosto que fales com essa pessoa."
"Não precisas de me esconder nada."
"Quem não deve, não teme."
"Faço isto porque gosto demasiado de ti."

Numa relação saudável, o ciúme pode ser falado, compreendido e regulado em conjunto.

O que não pode é transformar-se numa justificação para retirar liberdade, autonomia ou segurança emocional ao outro.

O ciúme pede diálogo.
O controlo exige limites.

Reconhecer esta diferença pode ser o primeiro passo para construir relações mais seguras, mais livres e emocionalmente mais saudáveis.

📩 Se sente que vive numa relação onde o medo, a culpa ou o controlo ocupam demasiado espaço, a psicoterapia pode ajudá-lo/a a compreender o que está a acontecer, a recuperar a sua segurança emocional e a reforçar a sua autonomia. Envie-me uma mensagem privada para saber mais.

Há relações que quase nunca aparecem nas redes sociais e são profundamente felizes.E há relações que parecem perfeitas e...
05/08/2026

Há relações que quase nunca aparecem nas redes sociais e são profundamente felizes.
E há relações que parecem perfeitas em todas as fotografias, mas vivem em silêncio, distância, tensão ou solidão a dois.

As férias costumam tornar esta diferença mais evidente.

Porque, muitas vezes, não sentimos apenas a pressão de viver momentos felizes. Sentimos também a pressão de mostrar esses momentos.
👉🏻 O jantar perfeito
👉🏻 A praia ao fim da tarde
👉🏻 A viagem em casal
👉🏻 O sorriso certo
👉🏻 A legenda certa
👉🏻 A fotografia que parece provar que está tudo bem

Mas uma relação não se mede pelo que publica.

Mede-se pelo que acontece quando o telemóvel é pousado.
👩🏻‍❤️‍👨🏻 Pela forma como conversam quando ninguém está a ver.
👩🏻‍❤️‍👨🏻 Pela forma como acolhem o cansaço um do outro.
👩🏻‍❤️‍👨🏻 Pela liberdade de dizer: "Hoje preciso de algum espaço", sem que isso seja sentido como rejeição.
👩🏻‍❤️‍👨🏻 Pela capacidade de reparar uma discussão, em vez de apenas a evitar.
👩🏻‍❤️‍👨🏻 Pelo cuidado que permanece, mesmo nos dias menos bonitos.

Comparar a sua relação com aquilo que vê nas redes sociais é comparar duas realidades diferentes.
Quando olhamos apenas para os melhores momentos da vida dos outros, é fácil esquecer que estamos a comparar a nossa realidade completa com um pequeno recorte da realidade deles.

Porque as redes sociais mostram um instante. Nunca a história completa.
Não mostram as conversas difíceis.
Os silêncios.
As dúvidas.
Os pedidos de desculpa.
Nem o esforço diário que qualquer relação exige para continuar a crescer.

Nas férias, talvez a pergunta mais importante não seja: "Parecemos um casal feliz?"
Talvez seja esta: "Quando ninguém está a olhar, continuamos a sentir-nos seguros, próximos e verdadeiramente ligados um ao outro?"

É nessa resposta, e não nas fotografias, que vive a qualidade de uma relação.

📩 Se sente que a sua relação tem vivido mais silêncio, distância ou desgaste do que presença e ligação emocional, a terapia de casal pode ser um espaço para compreender o que está a acontecer e reconstruir essa ligação emocional. Envie-me uma mensagem privada para saber mais.

03/08/2026

Estive no Bom Dia Alegria, na , com a querida .oficial. 🧡

Falámos sobre um tema que toca muitas famílias nesta altura do ano: as férias em casal e em família.

Muitas vezes acreditamos que as férias vão resolver o cansaço acumulado, diminuir os conflitos e aproximar-nos automaticamente de quem mais gostamos. Mas a realidade pode ser diferente: as férias não transformam as relações. Muitas vezes, tornam mais visível aquilo que o ritmo acelerado do resto do ano foi escondendo.

O maior desafio não é ter férias perfeitas, mas conseguir estar:
✨ Verdadeiramente presente
✨ Abrandar
✨ Ajustar expectativas
✨ Respeitar que cada pessoa descansa de forma diferente
✨ Criar espaço para a escuta, para a partilha e para a ligação.

As melhores férias raramente são as mais perfeitas. São aquelas em que nos sentimos verdadeiramente presentes, connosco e com quem amamos.

Um agradecimento muito especial à .oficial, pela forma genuína, sensível e acolhedora como conduz estas conversas, e a toda a equipa da pelo convite e pela oportunidade de continuar a promover a literacia em saúde psicológica junto de tantas famílias.

E desse lado… as férias aproximam-vos mais ou acabam por trazer à superfície o cansaço que o resto do ano foi escondendo? ☺️

Está de férias... mas continua a antecipar problemas, a responder mentalmente a mensagens, a rever conversas, a pensar n...
03/08/2026

Está de férias... mas continua a antecipar problemas, a responder mentalmente a mensagens, a rever conversas, a pensar no que ficou por fazer e no que vai encontrar quando regressar.

O corpo saiu da rotina. Mas o cérebro ainda continua a funcionar como se o perigo ou a pressão estivessem presentes.

É frequente acontecer quando passamos demasiado tempo em modo de alerta constante, de responsabilidade permanente e de resposta imediata. O descanso chega, mas o sistema nervoso continua preparado para responder.

E depois surge a culpa:
👉🏻 "Devia estar a aproveitar mais."
👉🏻 "Não consigo desligar."
👉🏻 "Tenho tudo para estar bem e, mesmo assim, não consigo relaxar."

Descansar não é carregar num botão. É um processo de transição.

Por isso, os primeiros dias de férias nem sempre sabem a descanso. Muitas vezes, são dias de descompressão.

O corpo começa a abrandar antes de a mente conseguir acompanhar.

Isso não significa que esteja a passar mal as férias.
Pode significar apenas que passou demasiado tempo a sobreviver, em vez de viver.

Talvez descansar não exija mais esforço.
Talvez precise de menos exigência, menos culpa e mais tempo.

🔁 Partilhe esta mensagem com alguém que precise de ouvir que desligar também leva tempo.

📩 Se descansar se tornou difícil, mesmo quando finalmente tem tempo para parar, a psicoterapia pode ajudar a compreender os fatores que mantêm o seu sistema nervoso em estado persistente de alerta. Envie mensagem privada para marcar consulta.

Talvez esteja a ver viagens, praias, jantares, corpos descontraídos, grupos de amigos, casais, famílias, planos e fotogr...
30/07/2026

Talvez esteja a ver viagens, praias, jantares, corpos descontraídos, grupos de amigos, casais, famílias, planos e fotografias cheias de leveza.

E talvez, sem dar por isso, comece a medir a sua vida a partir dessas imagens:
💭 "Porque é que não tenho esses planos?"
💭 "Porque é que a minha vida parece mais parada?"
💭 "Porque é que toda a gente parece estar melhor do que eu?"

No verão, a comparação tende a intensificar-se, porque há mais exposição ao que os outros escolhem mostrar: descanso, beleza, liberdade, diversão, companhia, tempo, relações e família.

Mas, muitas vezes, não estamos apenas a comparar férias.

Estamos a comparar sensações:
👉🏻 A sensação de ter companhia, de ter liberdade, de pertencer, de ser desejado/a ou de estar a viver "como era suposto".

E isso pode doer.
Não porque seja inveja, mas porque aquilo que vê nos outros pode tocar em partes de si que já estavam mais sensíveis: solidão, cansaço, insegurança, frustração, falta de descanso, desejo de mudança ou a sensação de estar atrasado/a.

A comparação tende a mostrar aquilo que parece faltar.
Mas raramente mostra a realidade completa:
👉🏻 Não mostra os conflitos, a ansiedade, as dificuldades financeiras, a exaustão, as discussões antes da fotografia ou o vazio que também pode existir depois.

Ainda assim, o impacto emocional pode ser muito real.

Por isso, em vez de usar a comparação para se atacar, talvez possa perguntar-se:
🚨 "Que necessidade minha ficou mais evidente?"
🚨 "Estou a desejar aquela vida ou aquilo que imagino que essa vida me faria sentir?"
🚨 "Esta comparação está a mostrar-me uma necessidade de descanso, pertença, afeto, liberdade ou reconhecimento?"

A comparação não precisa de ser apenas uma fonte de vergonha.
Também pode ser uma fonte de informação.

Às vezes, a comparação revela desejos que foram silenciados e necessidades emocionais que ficaram demasiado tempo em segundo plano.

📩 Se sente que a comparação está a aumentar a ansiedade, a sensação de insuficiência ou a dificuldade em reconhecer o seu próprio valor, a psicoterapia pode ajudar a compreender o que estas emoções estão a tentar comunicar. Envie-nos uma mensagem privada para agendar a sua consulta.

28/07/2026

Ser forte demasiado cedo pode parecer uma qualidade. Mas, muitas vezes, foi uma necessidade.

Muitas vezes parece maturidade.
Parece responsabilidade.
Parece autonomia.
Parece capacidade de dar conta de tudo.

Mas é importante perguntar: que partes da infância, da adolescência ou da vulnerabilidade ficaram sem espaço?

Quando uma pessoa aprende, desde muito cedo, que precisa de aguentar, ajudar ou não incomodar, pode crescer com dificuldade em reconhecer as próprias necessidades: descanso, apoio, limites e cuidado.

Não porque não tenha necessidades. Mas porque aprendeu, muito cedo, que expressá-las podia ser perigoso, pesado ou inconveniente para os outros.

Na vida adulta, isto pode manifestar-se de formas silenciosas:
👉🏻 dificuldade em pedir ajuda
👉🏻 culpa ao descansar
👉🏻 sensação de ter de resolver tudo sozinho/a
👉🏻 desconforto em depender de alguém
👉🏻 medo de ser "demais"
👉🏻 dificuldade em parar antes de chegar ao colapso

A força que protegeu durante muito tempo pode, mais tarde, transformar-se numa prisão.

Em psicoterapia, o objetivo não é deixar de ser forte.

É descobrir que a força não precisa de existir à custa do próprio abandono.

Há pessoas que não precisam de ser mais resilientes.

Precisam, finalmente, de sentir que não têm de aguentar tudo sozinhas. 🤍

🔖 Guarde este reel. Pode ajudá-lo a reconhecer padrões que durante muito tempo pareceram força, mas que também tiveram um custo.

🔁 Partilhe-o com alguém que aprendeu demasiado cedo que pedir ajuda não era uma opção.

27/07/2026

Estive no para comentar a reportagem do Repórter Sábado e refletir sobre um tema que exige conhecimento, rigor e sensibilidade: o impacto da depressão na capacidade para trabalhar e a importância de avaliações clínicas cuidadas, integradas e fundamentadas.

A depressão major é uma doença mental grave que pode comprometer profundamente o funcionamento diário de uma pessoa. O sofrimento psicológico nem sempre é visível, mas isso não o torna menos real.

Quero deixar um agradecimento especial à jornalista pelo convite e, sobretudo, pela excelente reportagem. Dar voz a histórias como esta contribui para aumentar a literacia em saúde mental, combater o estigma e promover uma reflexão séria sobre a forma como olhamos para quem vive com doença mental.

Foi um privilégio poder contribuir para esta conversa, ao lado da jornalista , do advogado Paulo Graça e do Dr. Duarte Nunes Vieira, em representação da Ordem dos Médicos, reforçando que, em saúde mental, ouvir, compreender e avaliar com tempo, rigor e conhecimento pode fazer toda a diferença.

Muito obrigada ao por este debate.

Há acontecimentos que nos deixam sem palavras.Quando uma tragédia envolve uma criança, é natural sentirmos tristeza, rev...
27/07/2026

Há acontecimentos que nos deixam sem palavras.

Quando uma tragédia envolve uma criança, é natural sentirmos tristeza, revolta e uma necessidade quase imediata de encontrar respostas.

Mas há algo que não devemos perder pelo caminho: a empatia por quem está a viver uma dor inimaginável e o respeito pelo tempo necessário para que os factos sejam apurados.

Este carrossel não procura explicar o que aconteceu, nem atribuir responsabilidades.

Procura lançar uma reflexão que considero essencial: que sociedade estamos a construir para as nossas crianças? E como podemos protegê-las melhor?

Falar de proteção é falar de responsabilidade. É falar de condições para cuidar, de adultos presentes, de instituições seguras e de uma cultura que coloca o bem-estar das crianças no centro das decisões.

Que esta tragédia nos convide a refletir, não apenas sobre o que aconteceu, mas sobre aquilo que cada um de nós pode fazer para construir um ambiente mais seguro para todas as crianças.

Porque proteger uma criança é uma responsabilidade coletiva.

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