17/04/2026
Fazer e manter amizades na idade adulta não é apenas uma questão de disponibilidade, vibe ou acesso/exposição, mas sim sobretudo um efeito da organização social dos afetos. O amor romântico e a família continuam o eixo central do investimento emocional e não temos grande hipótese sem ser amizades low maintenance, empurradas para a periferia, intermitentes e que acabam a saber a pouco.
A prática relacional do “catch-up” com amigues (encontros espaçados e centrados na atualização biográf**a “o que tens feito?”, “o que mudou?”) onde apenas resuminos eventos e reagimos às sínteses narrativas do outro não é ingrediente suficiente para amizades intimas que respondem às nossas necessidades emocionais. Relações que assentam maioritariamente em atualização tendem a evoluir em paralelo, não em coconstrução de experiencias, vivencias e sim, identidades.
Com a centralidade do amor romântico e seus efeitos na distribuicao do nosso tempo, atenção e energia, torna-se difícil criar condições para construir a nossa aldeia. Descentrar o romântico implica reconhecer que vínculos não românticos podem e, insisto, devem ocupar um lugar igualmente central. Isto exige intencionalidade: não apenas “arranjar tempo”, mas factualmente produzi-lo e ... protegê-lo.
Jantares, treinos, tardes a partilhar tarefas, troca de "favores" (faz-me os impostos e eu trato-te da revisão e manutenção do carro) ou, havendo recursos, viagens grandes como nestas fotos, mas pequenas também. Tal como na parentalidade a gestão de birras e a troca de fraldas cria tanto ou mais vínculo que os momentos de brincadeira, também as amizades crescem tanto na experiência partilhada de momentos intensos (partilhar 7 noites de samba ou subir a trilha dos 2 irmãos 🙂) como na banalidade do quotidiano (ir ao supermercado, gerir orçamentos do revolut ou partilhar as neuras de uma noite mal dormida 🤷♀️).
(Continua nos comentários)
Obrigada a quem me banhou em dicas do Rio. Fomos felizes também por vossa causa: LiTabuas MReis