04/08/2026
Aquilo a que chamamos popularmente de autossabotagem refere-se a uma ação ou postura do indivíduo, que diminui significativamente as chances da própria pessoa ser bem-sucedida em determinada temática ou tarefa.
Ficamos muitas vezes incrédulos, ao notar que alguém possa ter uma atitude completamente contraproducente e que, no fundo, a distancia ainda mais de um objetivo relevante para si.
A verdade é que a complexidade do ser humano pode integrar partes diferentes, com diferentes intensões e vontades, partes estas que podem, inclusive, entrar em conflito. Por outras palavras, essa tal ação que aparentemente "sabota" uma vontade principal de um indivíduo, procura (com maior ou menor consciência) impedir níveis de responsabilidade, riscos, dor emocional e vulnerabilidade.
Assim, não haver um esforço ou (não) se envolver com algo, pode derivar do receio de que expetativas sejam frustradas, ou de que o indivíduo volte a vivenciar determinadas sensações dolorosas do passado.
A dita "autossabotagem" pode surgir como um mecanismo defensivo, do sistema interno da pessoa, que a permite sentir protegida ou aliviada, a curto prazo, perante situações que o indivíduo "aprendeu" a temer. Padrões com este, comprometem, inevitavelmente, o bem-estar do indivíduo, aumentam ainda mais o medo do "erro", prejudicam a sua autoconfiança e desenvolvimento.
O acompanhamento psicoterapêutico pode ser crucial para uma melhor compreensão e gestão da dinâmica interna do indivíduo, de forma que crenças formadas ao longo da vida, não se convertam em partes extremadas, geradoras de sofrimento.
✍️ Djamila Silva