António Venâncio - Psicólogo Clínico / Psicoterapeuta

António Venâncio - Psicólogo Clínico / Psicoterapeuta Psicologia Clínica / Psicoterapia Psicoterapia Transpessoal

Há vezes em que o ego f**a preso ao que foi,a repetir cenas antigas,a tentar compreender o que já passou.E a alma chama ...
21/02/2026

Há vezes em que o ego f**a preso ao que foi,
a repetir cenas antigas,
a tentar compreender o que já passou.

E a alma chama para a frente.

Outras vezes,
o ego quer avançar depressa,
saltar etapas,
deixar para trás o que ainda dói.

E a alma pede escuta.

A alma não tem direção fixa.
Move-se para onde a vida ainda não aconteceu.

Por isso o seu tempo não se conta.
Reconhece-se.

O tempo da alma
não se mede em relógios,
mede-se em verdade.

Nem todo o silêncio é ausência, mas há silêncios que retiram espaço ao vínculo.Há pessoas para quem falar não é simples,...
31/01/2026

Nem todo o silêncio é ausência, mas há silêncios que retiram espaço ao vínculo.

Há pessoas para quem falar não é simples, implica expor-se, perder controlo, tocar em zonas internas onde vivem medo, vergonha ou uma dor antiga. Quando isso acontece, a relação deixa de ser "encontro" e transforma-se num campo de defesas.

O problema não é o silêncio em si, mas quando o silêncio impede o conflito, bloqueia a diferenciação e empurra o outro para o lugar de intérprete, cuidador ou "bruxo".

Muitas relações mantêm-se assim, pela sobrevivência e não pela presença. Vive-se à espera que algo mude sem nunca ser dito.

Comunicar num vínculo adulto não é impor verdades nem despejar as emoções, é sustentar a tensão sem fugir. É tolerar a própria sombra no olhar do outro e aceitar que a clareza pode ferir a fantasia, mas protege o que é real.

Quando alguém não consegue falar, muitas vezes não é frieza nem mistério, mas é uma forma de organização psíquica que aprendeu muito cedo que calar era mais seguro do que sentir.
Mas o preço a pagar por isto é demasiado alto.

É preciso presença para errar,
Presença para frustrar,
Presença para dizer não sei, tenho medo, isto não consigo.

O que não se diz também atua entre nós, muitas vezes atua de forma mais violenta do que qualquer palavra.

É num espaço imperfeito e real, que a relação deixa de sobreviver e começa finalmente a ser como o pinóquio, "de verdade"

A busca do perfeito é quase sempre uma defesa contra o humano. Contra a falha, a demora, o desencontro, a frustração. A ...
25/01/2026

A busca do perfeito é quase sempre uma defesa contra o humano. Contra a falha, a demora, o desencontro, a frustração. A IA encaixa demasiado bem nessa fome antiga: responde sempre, ajusta-se, não cobra, não se cansa. E isso pode soar a cuidado, quando na verdade pode ser apenas ausência de risco.

O problema não é a IA ajudar. O problema é o alívio fácil tornar-se anestesia, e a disponibilidade permanente tornar-se uma forma elegante de evitar a falta. A pessoa sente-se acompanhada, mas não é realmente encontrada. Sente-se compreendida, mas não é atravessada por um vínculo que a obrigue a transformar-se.

A transformação profunda não nasce de uma resposta “boa”. Nasce de um encontro que tem limites, em que o outro existe, falha, repara, sustenta e não se adapta a tudo. É aí que a psique começa a metabolizar o que antes era insuportável, porque deixa de estar sozinha consigo mesma.

Se a IA for usada como ferramenta, pode abrir portas. Se for usada como substituto de relação, oferece a ilusão de ligação sem custo. E a psique, mais cedo ou mais tarde, cobra essa factura.

05/01/2026
Os Tipos Psicológicos: Compreender a Diversidade da Psique HumanaA teoria dos Tipos Psicológicos, desenvolvida por Carl ...
22/01/2025

Os Tipos Psicológicos: Compreender a Diversidade da Psique Humana

A teoria dos Tipos Psicológicos, desenvolvida por Carl Gustav Jung, oferece-nos um mapa para compreender as diferenças na forma como cada pessoa percebe e interage com o mundo. Segundo Jung, todos nós possuímos uma combinação única de atitudes e funções que moldam os nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos.

As Atitudes: Introversão e Extroversão

As atitudes refletem a direção predominante da energia psíquica:

Extroversão é uma orientação para o mundo externo, valorizando as interações, os estímulos e a ação.

Introversão, por sua vez, é uma orientação para o mundo interno, privilegiando a reflexão, a introspeção e a profundidade emocional.

Estas duas formas de estar são como âncoras que equilibram as nossas experiências de vida.

As Funções Psicológicas

Jung identificou quatro funções principais, divididas em dois grupos:

- Funções de percepção (como percebemos o mundo):

Sensação: Conecta-nos ao presente, focando no concreto e nos factos.

Intuição: Explora o invisível, captando possibilidades e padrões.

- Funções de julgamento (como tomamos decisões):
Pensamento: Baseado na lógica e na análise objetiva.

Sentimento: Orientado pelos valores e pela harmonia emocional.

Cada pessoa possui uma função dominante que guia as suas decisões e perceções, enquanto as outras funções desempenham papéis auxiliares.

O Propósito dos Tipos Psicológicos

A compreensão dos tipos psicológicos não é uma tentativa de rotular ou limitar as pessoas, mas sim de reconhecer as suas diferenças e complementaridades. Este entendimento promove a aceitação, tanto de nós próprios como dos outros, ajudando-nos a trabalhar com as nossas forças e a desenvolver as áreas menos exploradas da nossa psique.

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Joseph Campbell, conhecido pelo seu trabalho sobre mitologia e o caminho do herói, destaca nesta frase uma verdade unive...
15/01/2025

Joseph Campbell, conhecido pelo seu trabalho sobre mitologia e o caminho do herói, destaca nesta frase uma verdade universal que ressoa com a psicologia analítica de Carl Jung.

A caverna simboliza o desconhecido, o lugar onde residem os medos mais profundos e os aspetos ocultos da psique – o que Jung chamou de Sombra.
Entrar na caverna é enfrentar esses medos, mergulhar no inconsciente e, muitas vezes, descobrir os recursos e tesouros necessários para a transformação pessoal.

Este é um convite à reflexão: o que representa a 'caverna' na vida de cada um?
Que medos precisam ser enfrentados para encontrar o tesouro da integração e do crescimento?

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Explorando a jornada do herói sob uma perspectiva junguiana, percebemos que esta aventura épica não é apenas uma sucessã...
13/12/2024

Explorando a jornada do herói sob uma perspectiva junguiana, percebemos que esta aventura épica não é apenas uma sucessão de eventos externos, mas um mergulho profundo na alma humana. Ser junguiano, tal como a própria jornada do herói, é mais do que possuir conhecimento teórico; é uma transformação interior e uma atitude destemida. Assim como o herói enfrenta desafios e explora territórios desconhecidos, a atitude junguiana convida-nos a confrontar as nossas vulnerabilidades e medos mais profundos. É um chamado para nos aproximarmos do limiar da nossa própria dor e, mesmo assim, perseverarmos, buscando compreensão e crescimento.

Tal como as obras de Homero retratam as extraordinárias viagens de Ulisses, esta jornada interior desafia-nos a enfrentar o desconhecido e a emergir transformados, tal como o herói grego. Todos podemos embarcar nesta jornada heróica, independentemente da nossa formação ou papel; trata-se de estar pronto para explorar e aceitar todas as partes de nós mesmos. É uma odisseia pessoal que nos desafia e transforma, permitindo-nos emergir mais fortes e mais autênticos. Assim, o herói dentro de cada um de nós manifesta-se na coragem de mergulhar nas profundezas da experiência humana, sempre em busca de signif**ado e conexão.

# ̧ão

Esta citação de Carl Jung leva-nos a refletir sobre a complexidade do processo psicoterapêutico de autoconhecimento e tr...
09/12/2024

Esta citação de Carl Jung leva-nos a refletir sobre a complexidade do processo psicoterapêutico de autoconhecimento e transformação pessoal. Quando ele menciona "fogo" e "veneno", refere-se aos desafios e à dor que fazem parte da experiência humana. Ninguém pode tocar nessas questões profundas sem ser infectado de alguma forma, pois elas revelam os nossos pontos vulneráveis.

Jung sugere que o verdadeiro "médico" não é apenas aquele que observa de fora, mas sim aquele que se integra ao processo de crescimento e transformação dos seus pacientes. Isso implica que a verdadeira profundidade na compreensão do outro exige uma conexão genuína e um envolvimento ativo, reconhecendo que cada um de nós carrega as suas próprias feridas e batalhas internas.

Assim, esta citação convida-nos a considerar que o caminho para a consciência e a autenticidade é marcado pelo confronto das nossas próprias vulnerabilidades, apoiando o outro na sua jornada, num processo que nunca é linear e que exige coragem e compaixão.

Hoje refletimos sobre uma profunda observação de Carl Jung que nos convida a contemplar a interação entre o consciente e...
02/12/2024

Hoje refletimos sobre uma profunda observação de Carl Jung que nos convida a contemplar a interação entre o consciente e o inconsciente no processo de tratamento e autodescoberta. Esta dinâmica revela que, ao seguir um caminho de cura indicado pelo inconsciente, a responsabilidade de analisar, escolher e decidir cabe ao nosso consciente.

É interessante perceber que, se a decisão estiver correta, o inconsciente oferece-nos sonhos que indicam progresso. Caso contrário, proporciona-nos a oportunidade de corrigir o rumo através de ajustes subtis. Este diálogo contínuo entre o consciente e o inconsciente torna-se, assim, uma interação essencial para o nosso crescimento e equilíbrio interior.

Se estiver a embarcar numa jornada de cura, recorde-se de que escutar o inconsciente pode abrir portas para transformações signif**ativas.
Como tem estado a dialogar com o seu inconsciente?

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