27/09/2016
Cuida do teu coração cuidando das tuas gengivas
As pessoas que apresentam algum grau de doença das gengivas correm um risco aumentado de padecer uma doença cardiovascular (cifra muito preocupante porque uma grande percentagem da população tem algum problema de gengivas e/ou periodontal, de acordo com um estudo conjunto das sociedades espanholas de Cardiologia e Periodontologia).
"O cuidado da saúde periodontal é fundamental na prevenção de doença cardiovascular",
A American Heart Association recomenda o cuidado das gengivas como uma das estratégias de prevenção da cardiopatia isquémica (ataque cardíaco, trombose, acidente vascular cerebral, etc).
"As pessoas com periodontite têm não só um importante fator de risco na sua saúde dental, mas também no seu coração e os vasos sanguíneos", diz o professor William Watt Kerr de Medicina Clínica da Universidade da Califórnia nos Estados Unidos.
A Dra. Rubilar da Argentinian Heart Foundation, diz que "estudos recentes demonstram que a doença periodontal encontra-se no mesmo grau de importância que os fatores de risco bem conhecidos como hipertensão, tabagismo, colesterol elevado ou diabetes".
Qual é a ligação entre as gengivas e o coração?
As gengivas podem infetar-se. Esta infeção pode ir para outras partes do corpo. No que diz respeito ao coração, os estudos indicam que as próprias bactérias ou elementos produzidos pela infeção, ingressam no sangue e depositam-se sobre as paredes internas das artérias coronárias. Isto pode causar coágulos sanguíneos e estes causar um ataque cardíaco.
Existem muitos estudos que evidenciam que as bactérias da doença de periodontal promovem o desenvolvimento de lesões ateroscleróticas e, assim, aumentam o risco de ocorrência de eventos cardiovasculares. O maior risco está no avanço silencioso, tanto da doença gengival assim como da do coração.
Rubilar comenta que "Quando há sangramento pela doença periodontal há uma maior mobilização de fatores inflamatórios, incluindo bactérias e toxinas, que são capazes de mobilizar uma placa ateromatosa (depósitos de colesterol na parede de uma artéria) e, portanto, entupir completamente uma artéria coronária".
Nestes estudos, o Journal of Dentistry relata: "A doença periodontal contribui para infarto agudo do miocárdio mesmo em pacientes não diabéticos nem fumadores, independentemente de outros fatores. Estes resultados implicam que a periodontite pode emergir como um novo alvo para reduzir o risco futuro de infarto do coração"(ver artigo)
A Organização Mundial de Saúde (OMS) adicionou a saúde oral nas políticas sanitárias preventivas. A União Europeia também promove o desenvolvimento de políticas de saúde para as doenças crónicas, incluindo nelas as doenças buco-dentárias mais comuns, como a das gengivas e/ou periodontal.
No mesmo sentido, a Direcção-Geral de Saúde Pública dos Estados Unidos, afirma que uma boa saúde bucal é essencial para manter a saúde geral do indivíduo.
O mecanismo de ação
Para além das bactérias, há outros fatores descobertos nos últimos anos.
Aqui estão alguns:
1) Uma proteína envolvida na inflamação das gengivas pode aumentar a placa que contem os vasos sanguíneos, de acordo com um estudo apresentado na Aterosclerose da American Heart Association, Trombose e Biologia Vascular (Sessões Científicas de 2012, em Chicago).
A Proteína CD36, encontra-se em células sanguíneas e muitos outros tipos de células. A pesquisa mostrou que a CD36 pode aumentar os efeitos prejudiciais de colesterol "mau" ou lipoproteína de baixa densidade (LDL).
2) A revista PLoS One de julho 2015 publicou um artigo de Rathnayake N et al, em conjunto com PAROKRANK (Periodontite e sua relação com a artropatia coronária), cujas conclusões são as seguintes: "Os resultados ilustram a importância de se considerar a influência das condições bucais na análise dos níveis de biomarcadores inflamatórios ". O estudo foi realizado na Suécia durante um ano e meio, em que todos os participantes foram submetidos a jejum de uma hora antes do exame dental. Primeiro saliva e depois amostras bacterianas foram coletadas e, em seguida, efetuou-se o exame oral dos dentes presentes, lesões dos tecidos moles, cárie dentária e condição periodontal, incluindo a profundidade de sondagem (bolsa), sangramento à sondagem e placa bacteriana. Também se registaram a mobilidade e a furcação (separação das raízes dos molares).
Por conseguinte, os mecanismos de ação parecem ser mais do que um.
No entanto, há quem defenda que ainda não existe uma demonstração conclusiva.
"Segundo uma nova declaração científica publicada na revista Circulation que pertence à American Heart Association “não foi demonstrado que a doença periodontal causa a doença aterosclerótica cardíaca ou acidente vascular cerebral e o tratamento da doença periodontal não tem demonstrado que previna doenças cardíacas ou acidentes vasculares".
Na verdade, é diferente afirmar-se que a doença periodontal PRODUZA doença cardíaca ou AUMENTE o RISCO de produzi-la.
O que é importante referir é que a conduta a seguir é clara: cuidar da nossa boca.
Sinais de alerta
Preocupe-se com o estado das suas gengivas para agir rapidamente e evitar danos irreversíveis.
São sinais de doença gengival:
A hemorragia
A vermelhidão
A inflamação
A dor
O mal hálito
O mau gosto
A hipersensibilidade ao frio
Os dentes móveis
Os dentes a mudar de posição ou separados
O qué fazer em caso de sentir algum destes sintomas?
Consulte o seu Médico Dentista.
Uma boa higiene oral com uma escova apropriada para o seu caso, fio dental e bochechos.
Controle a sua saúde bucal cada 6 meses ou com a periodicidade recomendada pelo seu Médico Dentista.
Desinfete a laser as suas gengivas.
O que não deve fazer: ficar ansioso (ou mesmo paranóico). Hoje sabe-se mais sobre as doenças, o tratamento e a sua cura.
"Nunca antes a ciência e a medicina foram tão rápidas quando se trata de descobrir e identificar a origem e oferecer tratamento para uma nova doença" (Françoise Barré-Sinoussi, França, 1947 Prêmio Nobel de Medicina de 2008).
Tradução Dr. A. Berlangieri