A Psicóloga

A Psicóloga Psicóloga, Terapeuta Familiar e de Casal Cláudia Morais é Psicóloga e Terapeuta Familiar. Publica textos e vídeos no blogue "A Psicóloga".
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Colabora com regularidade com a imprensa e com a televisão em temas relacionados com a família e o casamento. É autora dos livros "Os 25 Hábitos dos Casais Felizes", "Continuar a Ser Família Depois do Divórcio", "Sobreviver à Crise Conjugal" e "O Amor e o Facebook". Escreve para o Simply Flow by Fátima Lopes.

28/05/2026

"Isso é um problema teu."

Será?

Uma relação não é uma fusão. Ninguém tem de carregar os sentimentos do outro, resolver a ansiedade do outro, assegurar o bem-estar do outro.

Mas a solução não é virar costas.

Responder com atenção e afeto não é resolver. É f**ar. É não desaparecer quando o outro está em baixo. É mostrar que aquilo que a pessoa sente não faz dela um fardo.

Isso é o que faz uma relação ser um porto seguro.

Há cada vez mais uma ideia muito instalada de que numa relação feliz ninguém se passa, ninguém diz nada feio, ninguém co...
27/05/2026

Há cada vez mais uma ideia muito instalada de que numa relação feliz ninguém se passa, ninguém diz nada feio, ninguém comete erros sérios.

Spoiler: Não é.

As relações que compensam têm conflitos e nesses conflitos podem ser ditos disparates que magoam de forma desnecessária. Mas há a capacidade quase de reparar. De reconhecer as tentativas de reaproximação. De aceitar uma mão estendida mesmo quando chega meio torta. De interromper a espiral antes que a desconexão seja irreversível.

Reconhecem-se? Sentem mais dificuldade em fazer tentativas de reparação ou em acolhê-las? 👇

21/05/2026

Se cresceu numa casa onde os conflitos eram sentidos como perigosos, o seu sistema nervoso aprendeu a reagir antes de pensar.

Aprendeu a fechar-se, a atacar ou a desaparecer. Foi o que funcionou numa altura em que não havia outra opção.

Mas é possível aprender a discutir sem destruir a relação. É possível treinar. E começa por perceber o que é que a raiva nos está a tentar dizer, antes de a deixar tomar conta de tudo.

Já alguma vez saiu de uma discussão com a sensação de que ganhou na argumentação mas perdeu coisas muito mais importantes? 👇

20/05/2026

É uma das coisas que pode acontecer em silêncio nas relações longas. Há muita funcionalidade, quase como numa "linha de montagem", muita familiaridade, mas pouca intimidade emocional. Isso traz uma solidão acompanhada que pode ser difícil de reconhecer, quanto mais de nomear e resolver.

Os filhos, o trabalho, a logística sobrepõem-se à leveza e à profundidade que só acontecem se tivermos tempo, se nos demorarmos na atenção que prestamos ao outro, se trouxermos curiosidade e disponibilidade para ouvir em vez de pressa. Não é fácil, não. Requer intenção e disciplina, como quase tudo o que é verdadeiramente importante na vida.

18/05/2026

Antes que me interpretem mal: não estou a dizer que as mulheres são umas sofredoras e que os homens que não lhes ligam nenhuma.

Falo sobre um padrão que aparece com mais frequência em consulta e que, por isso, merece ser reconhecido. Reconhecer um padrão não é negar os outros. É ser honesta sobre o que os dados e a clínica mostram com mais frequência.

Na investigação sobre satisfação conjugal, as mulheres tendem a ser o chamado "barómetro emocional" da relação, isto é, são habitualmente as primeiras a perceber que alguma coisa não está bem, e as que mais persistem em tentar resolver. Quando deixam de o fazer, raramente é por indiferença. É por esgotamento de um esforço que não foi correspondido.

O silêncio que se segue é um dos sinais mais mal lidos nas relações. Confunde-se com estabilidade. Com aceitação. Com maturidade, até.

Não é nenhuma dessas coisas.

É o "barulho" de alguém que está "ali", mas já não está a tentar.

Já viveram ou reconheceram este momento?

14/05/2026

Já perguntou "Será que estou a exagerar?" só porque ele ficou em silêncio quando precisava de falar sobre alguma coisa? 🤔

Já ajustou o que sentia para não assustar a outra pessoa?

Isto é o que acontece quando se passa tempo suficiente com alguém que aprendeu a "anestesiar" quando as emoções f**am demasiado intensas.

A outra pessoa não faz isto para magoar. Faz porque, em algum momento da vida, sentir foi sinónimo de perigo. Então, o sistema nervoso aprendeu a fazer uma coisa simples: afastar-se antes que doa.

O problema é que esse mecanismo não f**a em pausa só porque está numa relação romântica.

🔁 Quanto mais precisa, mais a outra pessoa recua. Quanto mais o outro recua, mais ansiosa(o) f**a. Quanto mais ansiosa(o) f**a, mais a outra pessoa se fecha.

E a certa altura já não sabe se o problema é dele(a)… ou seu.

Vivemos na era das red flags. 🚩Fazemos listas do que não toleramos. Identif**amos padrões. Saímos antes de nos magoarmos...
12/05/2026

Vivemos na era das red flags. 🚩

Fazemos listas do que não toleramos. Identif**amos padrões. Saímos antes de nos magoarmos demasiado.

E há aqui muita sabedoria, mas não quando se torna uma armadura contra tudo o que é simplesmente humano. 🤷‍♀️

Há coisas que não são toxicidade. São atrito. São dois mundos a tentar ocupar o mesmo espaço sem se destruírem.

A irritação que aparece ao fim de um dia longo. O silêncio que não é frieza, é exaustão. A discussão que volta sempre ao mesmo lugar porque ainda não encontrou as palavras certas para se resolver.

Nenhuma destas coisas signif**a que se fez uma má escolha de parceiro.

O que a evidência nos diz, e que raramente aparece nos feeds, é isto: os casais que duram não são os que discutem menos. São os que aprenderam a voltar um para o outro depois de se magoarem. 🎯

A reparação não é romântica, mas é ela que sustenta tudo o resto.

11/05/2026

A outra pessoa pode ser genuinamente boa, presente, afetuosa, divertida. O problema não está no caráter. Está na estrutura.

John Gottman, um dos pioneiros na investigação sobre casais, descreve a partilha de responsabilidades como um dos pilares menos visíveis, mas mais determinantes, da estabilidade conjugal a longo prazo.

Não é sobre perfeição. É sobre saber que há dois adultos a segurar a mesma vida.

07/05/2026

Não é fraqueza, é adaptação.

É o que se aprendeu a fazer para sobreviver e que funcionou.

Só que o corpo não sabe que o perigo já passou. Continua em alerta, continua à espera do próximo problema, continua a trabalhar para se manter seguro.

E isso cansa de uma forma que é difícil de explicar a quem nunca viveu assim. 🧠💛

Acredito que muitas pessoas terminam relações que poderiam ter sido salvas. Porque foram mal aconselhadas, porque tinham...
06/05/2026

Acredito que muitas pessoas terminam relações que poderiam ter sido salvas. Porque foram mal aconselhadas, porque tinham expectativas irrealistas, ou por influência de uma cultura que romantizou o divórcio como sinónimo de coragem.

Mas também defendo a clareza e a honestidade.

E a verdade é que às vezes, por mais que uma pessoa se dedique, não chega. Uma relação precisa de duas pessoas dispostas a fazer com que ela resulte, não de uma que carregue tudo sozinha enquanto a outra já foi.

Estes são alguns dos sinais que fazem soar o meu alarme. E que talvez façam soar os vossos também. Acrescentariam mais algum?

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