22/07/2026
Vamos voltar a apresentar-nos?
Sou psicóloga há 25 anos.
Não sou a psicóloga que era no início, claro. Continuo com a mesma curiosidade, vontade de estudar e de servir o melhor que consiga as pessoas que me procuram. Agora mais segura, mais madura, mais compassiva e mais desafiadora.
Olho para aquela miúda que, três anos depois de sair da faculdade, estava a enviar manuscritos para as editoras para editar o seu primeiro livro e sinto muito orgulho. Sou a pessoa tímida e introvertida que entrava muda e saía calada das salas de aula. Mas também sou a que aprendeu a empurrar-se para fora da zona de conforto.
Se alguém dissesse à Cláudia de seis anos que, aos vinte e poucos, estaria a falar sobre terapia de casal na televisão ou a colocar perguntas difíceis a pessoas com o dobro da sua experiência de vida, seria difícil de acreditar.
Nas consultas também sou a mãe, a mulher e a filha. Não trago a minha vida pessoal como exemplo de sucesso ou do que deveria ser feito. Trago-a como exemplo de vulnerabilidade e imperfeição. Para criar conexão, para acolher, para incentivar.
Se me virem na rua, provavelmente não estarei a sorrir — às vezes até posso fazer cara de má. Mas começo quase sempre as minhas consultas com um sorriso intencional, que traduz o gosto pelo que faço.
Há dias muito duros, em que o sofrimento de quem está do outro lado se acumula deste lado, como uma esponja. Mas também há muita satisfação. Há a imensa sorte de exercer uma profissão em que me sinto útil e em que tenho o privilégio de assistir a mudanças reais na vida das pessoas. Há humor. Há riso. Há diversão.
Há uns anos, uma senhora dizia-me que o marido se tinha queixado porque "os psicólogos só dizem o que as pessoas querem ouvir". Rimo-nos as duas na consulta. Tanto ela como eu sabíamos que isso não era verdade.
É frequente que as pessoas que acompanho me digam que saem da consulta com "dores de cabeça". Pudera. São muitas perguntas reflexivas, muitas tentativas de olhar para as coisas de forma profunda, mas também muitos incentivos a olhar para os outros com curiosidade.
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