Minimamenteinvasiva

Minimamenteinvasiva Cirurgia ginecológica minimamente invasiva
Tratamento de endometriose, miomas, prolapso. Histeroscopia
Local: hospital da Luz

Quando uma mulher vive demasiado tempo com dor, tudo o que ela deseja é voltar a sentir previsibilidade no próprio corpo...
05/06/2026

Quando uma mulher vive demasiado tempo com dor, tudo o que ela deseja é voltar a sentir previsibilidade no próprio corpo. E é completamente compreensível querer uma solução rápida.

Mas uma das coisas que aprendi ao acompanhar mulheres com dor pélvica é que rapidez nem sempre significa precisão.

Há sintomas que parecem iguais por fora, mas que envolvem mecanismos completamente diferentes por dentro. E isso muda tudo no tratamento.

Algumas mulheres chegam à consulta convencidas de que precisam imediatamente de cirurgia. Outras acreditam que já tentaram “tudo”. E muitas vezes o primeiro passo não é avançar mais depressa. É finalmente compreender o que o organismo está a fazer há tanto tempo.

Porque quando o corpo vive anos em sofrimento, a doença deixa de afectar apenas um órgão. Afecta a forma como músculos, nervos, intestino, sono e energia passam a funcionar.

Por isso que, em alguns casos, a melhor decisão clínica exige primeiro parar para observar melhor.

03/06/2026

Na endometriose, há mulheres que passam anos entre consultas, exames e tratamentos sem conseguirem sentir uma verdadeira melhoria.

E isso acontece porque a doença é complexa e nem sempre pode ser compreendida olhando apenas para um exame isolado.

Muitas vezes, é preciso olhar para a história inteira: sintomas, evolução da dor, impacto no dia-a-dia, fadiga, sono, intestino, musculatura pélvica e qualidade de vida.

Porque ouvir a mulher continua a ser uma das partes mais importantes do diagnóstico.

Há mulheres com endometriose que organizam o dia inteiro à volta da possibilidade de sentir dor. E muitas vezes fazem is...
01/06/2026

Há mulheres com endometriose que organizam o dia inteiro à volta da possibilidade de sentir dor. E muitas vezes fazem isso sem sequer perceber.

Escolhem roupa mais confortável “por precaução”, tentam não marcar demasiados compromissos no mesmo dia, verificam mentalmente onde existe uma casa de banho por perto e até pensam se vão conseguir aguentar um jantar, uma viagem, uma reunião ou um simples passeio.

Com o tempo, o corpo passa a ocupar espaço em todas as decisões.

E isto não acontece porque a mulher é “fraca” ou porque está demasiado focada nos sintomas. Acontece porque viver muito tempo com dor faz o cérebro entrar em estado constante de antecipação.

O organismo aprende a preparar-se para a possibilidade de sofrimento antes mesmo de ele acontecer.

É uma adaptação silenciosa, mas extremamente desgastante.

Na prática, muitas mulheres deixam de organizar a vida à volta do que desejam fazer e passam a organizá-la à volta do que o corpo talvez consiga suportar.

E esse impacto nem sempre aparece nos exames, mas muda profundamente a qualidade de vida.

Por isso, tratar endometriose não significa apenas reduzir dor menstrual. Significa permitir que a mulher volte a viver sem precisar de negociar constantemente com o próprio corpo.

A saúde feminina ainda enfrenta um problema silencioso: muitas mulheres vivem anos com sintomas importantes antes de rec...
28/05/2026

A saúde feminina ainda enfrenta um problema silencioso: muitas mulheres vivem anos com sintomas importantes antes de receberem um diagnóstico adequado.

E isto não acontece apenas na endometriose.

Historicamente, o corpo feminino foi menos estudado em investigação médica, especialmente em áreas relacionadas com dor crónica, alterações hormonais e doenças pélvicas. Durante muito tempo, muitos sintomas foram desvalorizados, normalizados ou interpretados como algo “esperado”.

Na endometriose, por exemplo, estudos internacionais mostram que o atraso médio no diagnóstico pode variar entre 7 e 10 anos. Durante esse tempo, muitas mulheres adaptam a vida inteira à dor sem compreender o que realmente está a acontecer no corpo.

O resultado é uma realidade que continua a existir no consultório: mulheres que chegam exaustas depois de anos a ouvir que a dor era normal, que era ansiedade ou que “faz parte”.

Falar sobre saúde feminina também é falar sobre escuta clínica, investigação, diagnóstico precoce e validação da experiência da mulher.

Porque nenhuma mulher deveria precisar de viver anos em sofrimento para finalmente ser levada a sério.

Fonte: World Endometriosis Society / European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE)

Uma das situações mais difíceis na endometriose é quando os exames melhoram, mas a mulher continua sem se sentir verdade...
27/05/2026

Uma das situações mais difíceis na endometriose é quando os exames melhoram, mas a mulher continua sem se sentir verdadeiramente bem.

As lesões podem estar controladas. A ecografia pode parecer mais estável. Os marcadores podem mostrar evolução positiva.

E, ainda assim, a dor continua, a fadiga mantém-se e o corpo continua em alerta.

Isto acontece porque a endometriose não é apenas uma doença das lesões que conseguimos ver nos exames. É também uma doença que pode afectar o sistema nervoso, a musculatura pélvica, o sono, a energia e a forma como o corpo processa a dor ao longo do tempo.

Quando a dor se torna persistente, o organismo pode desenvolver mecanismos de sensibilização. O corpo aprende a viver em estado de defesa constante e isso faz com que os sintomas possam continuar mesmo quando a doença parece “controlada” do ponto de vista técnico.

E é precisamente por isso que tratar endometriose não é apenas olhar para exames.

É perceber:
- Como a mulher vive o dia-a-dia;
- Quanto a doença continua a limitar a rotina;
- Como está a qualidade do sono;
- O impacto emocional;
- A fadiga;
- A relação com o próprio corpo.

Porque, na prática, um exame melhor não significa automaticamente qualidade de vida recuperada.

E ouvir isto em consulta também faz parte do tratamento.

Quando falamos de endometriose, muitas vezes o que as pessoas veem é apenas uma pequena parte da história.Viver com endo...
22/05/2026

Quando falamos de endometriose, muitas vezes o que as pessoas veem é apenas uma pequena parte da história.

Viver com endometriose implica aprender a reconhecer limites do corpo e respeitá-los.

E isso não é desistir. É cuidar de si própria da forma mais responsável possível. Porque, muitas vezes, continuar em frente também significa saber quando parar.

Recentemente estive no IRCAD France, em Estrasburgo. Durante a minha aula, tive a oportunidade de abordar um tema partic...
21/05/2026

Recentemente estive no IRCAD France, em Estrasburgo. Durante a minha aula, tive a oportunidade de abordar um tema particularmente desafiante na cirurgia pélvica: as complicações da bexiga na laparoscopia, desde a anatomia e factores de risco até estratégias de correcção e outcomes cirúrgicos.

Foram dias intensos de partilha, discussão científica e treino prático ao lado de colegas de diferentes países, num ambiente de enorme rigor técnico e aprendizagem contínua.

A medicina evolui através de formação constante, troca de experiência e compromisso diário em melhorar segurança cirúrgica e qualidade dos cuidados prestados às mulheres com doença pélvica complexa.

ginecologistalisboa

20/05/2026

Na endometriose, o tamanho das lesões nem sempre explica a intensidade da dor.

Há mulheres com doença aparentemente pequena que sofrem bastante, e outras com lesões extensas que apresentam poucos sintomas.

Isto acontece porque a dor depende de muitos factores: localização das lesões, inflamação, envolvimento nervoso e a forma como cada organismo responde à doença.

Por isso, na prática clínica, os exames são importantes, mas a experiência do doente também é.

Escutar o que ela sente faz parte do diagnóstico e do tratamento.

Uma das características mais difíceis de compreender na endometriose é que a dor nem sempre se apresenta da mesma forma....
18/05/2026

Uma das características mais difíceis de compreender na endometriose é que a dor nem sempre se apresenta da mesma forma. Muitas mulheres relatam que, ao longo dos anos, os sintomas mudam: a dor que antes aparecia apenas durante a menstruação passa a surgir em outras fases do ciclo, pode tornar-se mais difusa ou manifestar-se em diferentes zonas da pélvis.

E isso não significa necessariamente que a doença esteja “pior”, significa, muitas vezes, que o corpo está a reagir de formas diferentes ao longo do tempo.

Durante muito tempo acreditou-se que a dor na endometriose era causada apenas pelas lesões visíveis nos órgãos pélvicos. Hoje sabemos que o processo é muito mais complexo.

A endometriose é uma doença inflamatória crónica. A inflamação local pode activar nervos e desencadear sinais de dor que se tornam cada vez mais sensíveis.

Com o tempo, o sistema nervoso pode desenvolver aquilo que chamamos de sensibilização central, um fenómeno em que o cérebro e os nervos passam a amplificar os sinais de dor.

Isto significa que o corpo aprende a reagir de forma mais intensa a estímulos que antes não causavam dor. É também uma das razões pelas quais a dor pode persistir ou mudar de padrão, mesmo quando as lesões estão controladas.

Estudos recentes mostram que a dor associada à endometriose pode resultar da combinação de vários mecanismos: inflamação local, envolvimento de nervos, alterações no sistema nervoso central e até interação com outros órgãos da pélvis.

Por isso, algumas mulheres descrevem sintomas que vão além da dor menstrual. Dor pélvica persistente, desconforto intestinal, dor lombar, dor durante as relações ou fadiga intensa.

Compreender esta complexidade é essencial. Porque tratar a endometriose não significa apenas remover lesões ou controlar o ciclo menstrual, significa também compreender como o corpo processa a dor.

Quando falamos de envelhecimento, pensamos muitas vezes na pele, nas articulações ou na saúde cardiovascular. Mas existe...
15/05/2026

Quando falamos de envelhecimento, pensamos muitas vezes na pele, nas articulações ou na saúde cardiovascular. Mas existe uma parte do corpo que raramente entra nesta conversa e que também muda com o tempo: a saúde pélvica.

O pavimento pélvico, os órgãos pélvicos e os tecidos que os sustentam sofrem alterações naturais ao longo da vida. Alterações hormonais, gravidez, partos, cirurgias, variações de peso e o próprio processo de envelhecimento podem influenciar o funcionamento desta região.

Com o passar dos anos, algumas mulheres podem começar a notar sinais como sensação de peso pélvico, perdas urinárias, alterações na função intestinal ou desconforto nas relações. Outras sentem apenas pequenas mudanças que, por serem progressivas, acabam por ser normalizadas.

Mas é importante lembrar: o facto de algo ser frequente não significa que seja inevitável ou que não tenha solução.

A saúde pélvica merece a mesma atenção que damos a outras áreas do corpo. Avaliação médica, fisioterapia do pavimento pélvico, exercício físico adequado e acompanhamento regular podem ajudar a prevenir problemas maiores e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Cuidar da saúde pélvica não é apenas tratar sintomas quando aparecem. É também antecipar, preservar função e garantir conforto ao longo das diferentes fases da vida.

Porque envelhecer faz parte da vida, mas viver com qualidade deve fazer parte desse processo.

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