14/07/2026
O medo, o apego e a morte
O medo da morte está relacionado essencialmente com 4 factores:
1. O processo até à morte é, quase sempre, doloroso (DOR)
2. A morte representa o desconhecido (MEDO, Ignorância)
3. Todo os que amamos e tudo o que amamos ficam no mundo (APEGO)
4. Temos um enorme apego à fisicalidade, à vida e ao mundo (EGO e Instinto de sobrevivência)
Como seres espirituais, vivemos uma experiência passageira que se vai repetindo.
De vez em quando trago este assunto à tona, não só porque me deparo com ele na minha profissão mas porque a urgência em desmistificá-lo e falar sobre ele é muita.
A morte física é natural, certa e inevitável porque diz respeito ao corpo, como toda e qualquer matéria no planeta. A morte do corpo físico faz parte do ciclo natural da vida de todos os seres vivos deste planeta no qual, de momento, habitamos, pois a Natureza é cíclica.
Muitos de nós têm medo da morte em si, da forma como se apresentará e da dor que poderá implicar. Outros temem, ou lamentam, o aparente fim da consciência individual, do EGO que nos definiu, da memória, dos pensamentos e das emoções. No fundo desejamos a permanência da capacidade de pensar, sentir e crescer, como individualidades separadas.
Não fomos programados dessa maneira, não há ciências ou religiões ou vãs filosofias que nos tranquilizem quando se aproxima o fim. Para as filosofias orientais o tema da reencarnação não representa um castigo, mas sim um ciclo natural de renascimentos (samsara). Este ciclo vai-se repetindo até à iluminação que representa um estado de supraconsciência. Segundo as teorias de Teilhard de Chardin sobre a reencarnação, cada pessoa escolhe o seu próprio caminho e sua próxima vida, indo do ponto Alfa ao ponto Ómega. A existência da reencarnação está provada, na literatura mundial encontram-se milhares de casos com evidências objectivas que a comprovam, tanto em crianças que relatam experiências de vidas passadas com detalhes impressionantes, quanto por meio da hipnose em outras pessoas.
A morte é tão somente o parto do espírito, ao abandonar o corpo, como o nascimento é o parto do corpo quando o espírito a ele se liga. Ambos através de cordões umbilicais de matéria mais ou menos densa. A nossa memória enquanto matéria, está enclausurada em neurotransmissores, na biologia do cérebro…e o cérebro tem a ver apenas com processos mentais, individualizados. Devido a este sofware há uma perda de memória mais ampla, de um Consciência Global, Universal e quem sabe, de outras vidas,necessária para o compromisso que aceitámos realizar aqui na terra.
A morte é transversal e uma consequência da fisicalidade do corpo, e é natural que assim seja. Mas é um momento que deve ser encarado com naturalidade e serenidade e que graças também à medicina, pode ser muito pacífico e praticamente indolor.
Sendo seres espirituais, a sabedoria da alma permanece, não morre e aceita as condições da encarnação provisória para continuar a aprender a lidar com os conflitos a ela inerentes...
O medo da morte muitas vezes vem acompanhado de um profundo desconhecimento do mundo metafísico e na inexistente educação espiritual, já que como vou dizendo a religião e a espiritualidade nada têm que ver.
Por mais ansiedade e medo que o assunto 'morte' possa causar, é necessário retirar as capas duras que o revestem, para vermos com claridade que terminada a nossa missão espiritual o espírito e o corpo terminam o seu acordo. E por algum motivo quando o corpo morre já não o associamos à pessoa, dizemos 'deixou o corpo', porque a força anímica espiritual subiu ao todo e o corpo regressa à terra para voltar a ser outro tipo de matéria.
Afinal o dia da nossa morte será apenas mais um dia da nossa vida.
Fontes:
Dr. Manuel Sans Segarra
https://www.facebook.com/reel/4174551919476482
https://www.facebook.com/watch/?mibextid=wwXIfr&v=827590972654066&rdid=e7zJI76vuoxW82M4