Retorno da Deusa

Retorno da Deusa Plataforma de autoconhecimento de 2005 até hoje. Formações/Consultas/Retiros Círculos/Terapias. Facilitadora de Rituais e Bailarina Dança Oriental

Xamanismo,Sagrado Feminino,ReikiEstelar Tarot, Fim de Vida
Investigadora Antropológica e Sociológica.

Há lugares onde a paisagem parece guardar uma memória que não pertence apenas ao presente. As antas e os dolmens da Beir...
27/08/2026

Há lugares onde a paisagem parece guardar uma memória que não pertence apenas ao presente. As antas e os dolmens da Beira Baixa são desses lugares. As pedras permanecem, silenciosas, há milhares de anos, atravessando gerações e mudanças da paisagem, como se tivessem sido colocadas ali para nos lembrar que a relação entre o ser humano, a terra e o sagrado é muito mais antiga do que aquilo que conseguimos recordar.

Entrar numa anta é entrar num espaço diferente. A luz chega de forma fragmentada, atravessa as frestas entre as grandes pedras e desenha no interior linhas luminosas que parecem unir o céu à terra. A pedra, que à primeira vista parece imóvel e pesada, ganha outra presença. O espaço torna-se recolhido, quase íntimo, e o silêncio convida à escuta.

É nesse contexto que a realização de um ritual pode adquirir um significado especial. Honrar uma anta não significa apenas olhar para um monumento antigo, mas reconhecer a sua existência, a sua permanência e a memória que representa. O cântico, dito ou entoado dentro daquele espaço, devolve-lhe voz. A oferenda expressa gratidão. A libação, derramada sobre a terra, estabelece simbolicamente uma troca: recebemos da terra e devolvemos à terra.

Não sabemos exatamente como eram todos os rituais realizados nestes lugares há milhares de anos, e é importante não confundir as práticas contemporâneas com uma reprodução histórica daquilo que então acontecia. Mas podemos criar, com respeito, gestos simbólicos que reconheçam a dimensão ancestral destes espaços.

Quando se leva uma oferenda, quando se canta, quando se permanece em silêncio ou quando se derrama uma pequena libação, o essencial não está no objeto oferecido nem na forma exterior do ritual. Está na intenção de parar, reconhecer e agradecer. Está em estabelecer uma relação consciente com um lugar que existia muito antes de nós.

E talvez seja por isso que estas pedras parecem “acender-se” quando são honradas. A anta não muda. Continua feita da mesma pedra, sustentada pela mesma terra. Mas muda a nossa maneira de a olhar. A luz que entra pelas frestas encontra a pedra, o canto encontra o silêncio e a presença humana encontra uma memória que parecia adormeci

Na Beira Alta, há lugares onde a pedra parece guardar a memória do tempo. As eiras de maciço granítico, gastas pelo sol,...
20/08/2026

Na Beira Alta, há lugares onde a pedra parece guardar a memória do tempo. As eiras de maciço granítico, gastas pelo sol, pela chuva e pelos passos de tantas gerações, permanecem como testemunhos silenciosos de um passado em que a vida seguia o ritmo das estações, das colheitas e das mãos que trabalhavam a terra.

Ali, o granito não era apenas pedra: era chão, abrigo, muro e memória. Nas eiras, o cereal era espalhado ao sol e separado da palha ao compasso do vento. Ao redor, as aldeias viviam devagar, entre vozes, animais, ferramentas e histórias contadas ao cair da tarde. Cada pedra parecia conhecer os nomes daqueles que por ali passaram.

Hoje, quando o silêncio desce sobre esses lugares, é possível imaginar esse passado ainda presente. Basta ficar algum tempo, sem pressa, e deixar que a paisagem fale. O granito aquece durante o dia e, à noite, devolve lentamente o calor guardado. As casas escurecem, os caminhos tornam-se sombras e o céu abre-se imenso sobre a serra.

Então surge outro património, invisível durante o dia: o céu.

Longe das luzes das cidades, a Via Láctea atravessa a noite como um rio de poeira luminosa. A olho nu, as estrelas parecem mais numerosas, mais próximas, quase ao alcance da mão. E, de repente, uma estrela cadente rasga a escuridão, breve, silenciosa e luminosa, como se o próprio céu se lembrasse de dançar.

Talvez seja essa a beleza profunda da Beira Alta: a possibilidade de estar entre duas eternidades. De dia, a pedra antiga, marcada pelas mãos dos homens e pelo trabalho de gerações. De noite, o firmamento, intacto e misterioso, onde a Via Láctea continua o seu caminho e as estrelas cadentes dançam por instantes.

Entre as eiras de granito e os céus profundos, o passado não desaparece. F**a pousado na pedra, escondido nos caminhos, no silêncio das aldeias e na memória daqueles que ainda sabem levantar os olhos para o céu.

Persefónia Ritos, Mistérios e Travessias de Perséfone Quando os dias começam a encurtar e a luz do verão cede lugar aos ...
18/08/2026

Persefónia
Ritos, Mistérios e Travessias de Perséfone

Quando os dias começam a encurtar e a luz do verão cede lugar aos tons dourados do outono, inicia-se a antiga travessia de Perséfone. Filha da terra fértil e rainha dos mundos subterrâneos, Perséfone representa o ciclo eterno da vida, da morte e do renascimento, a passagem entre a abundância e o recolhimento, entre a luz e a sombra.

Persefónia –um encontro dedicado à celebração desta transição sagrada, inspirando-se nos mitos, mistérios e tradições ancestrais que marcaram a entrada no tempo da introspeção e da transformação.

Seremos convidadas a percorrer caminhos de descoberta através de rituais, arte, música, e a vivências que honram os ciclos da natureza e da alma.

Mais do que um evento, a Persefónia é um espaço de encontro entre mundos: o visível e o invisível, o antigo e o contemporâneo, o individual e o coletivo.

Celebra a coragem de descer às profundezas de ti mesma para encontrar sabedoria, renovação e sentido.

À medida que o ano se inclina para a escuridão, reunimo-nos para recordar que cada descida contém uma promessa de regresso, e que em cada sombra permanece a semente da luz.

Dia 26 de setembro

Das 14.00h ás 18.30h

Vagas limitadas

17/08/2026
As Marafonas de Monsanto Guardiãs do InvisívelNas pedras antigas de Monsanto, onde o tempo parece ter aprendido a caminh...
14/08/2026

As Marafonas de Monsanto Guardiãs do Invisível

Nas pedras antigas de Monsanto, onde o tempo parece ter aprendido a caminhar devagar, vivem pequenas bonecas sem rosto que guardam segredos que ninguém consegue explicar por inteiro. As Marafonas.

Feitas de madeira e pano, erguidas sobre uma pequena cruz, vestidas de cores e silêncio, não têm olhos para ver, boca para falar ou ouvidos para escutar. E talvez seja precisamente por isso que parecem saber tanto.

Diz a tradição que, em tempos antigos, quando a aldeia se encontrava cercada, as mulheres de Monsanto teriam colocado as suas bonecas sobre as muralhas e feito-as parecer dançar. Lá de baixo, os sitiantes teriam visto movimento e abundância onde existia apenas resistência. Assim, aquilo que parecia uma simples boneca tornou-se uma arma feita de imaginação, transformando o medo em esperança.

Mas pertencem a mistérios mais antigos.
Protegem as casas, afastam o mau-olhado, guardam as mulheres, acompanham os casamentos e chamam a fertilidade. Colocadas junto ao leito, tornam-se silenciosas sentinelas entre o mundo dos vivos e aquilo que não se vê.

Talvez o seu segredo esteja precisamente na ausência de um rosto. Sem olhos, não julgam.
Sem boca, não revelam os segredos daqueles que as possuem.
Sem ouvidos, não carregam consigo as palavras que escutam.

Observam-nos de outro lugar, onde o tempo não passa da mesma maneira e onde as histórias dos antepassados ainda permanecem suspensas nas paredes de pedra.
Recordam-nos algo mais profundo: a união entre o céu e a terra, entre o visível e o invisível, entre aquilo que somos e aquilo que procuramos compreender. Ela é uma guardiã, quando o vento passa pelas pedras de Monsanto ao cair da noite, quando as sombras se alongam junto ao castelo e a aldeia mergulha no silêncio, é fácil imaginar que aquelas pequenas figuras ainda conhecem o antigo segredo.
Talvez não tenham rosto porque não pertencem inteiramente ao nosso mundo.
Talvez não falem porque algumas coisas só podem ser compreendidas em silêncio.
Talvez as marafonas permaneçam entre a matéria e a memória, para nos lembrar de uma verdade muito antiga: há quem não precise de olhos para ver, nem de palavras para proteger.

Eleusis Deixar o bulício contemporâneo de Atenas e seguir em direção a Elêusis foi, repetir os passos dos antigos peregr...
13/08/2026

Eleusis
Deixar o bulício contemporâneo de Atenas e seguir em direção a Elêusis foi, repetir os passos dos antigos peregrinos que outrora percorreram a Via Sagrada. A paisagem urbana dá lugar a montanha, a mente desliga-se do presente. Um recuo no tempo, ecoam os cânticos antigos de quem procura respostas.

Entrando no complexo arqueológico, o primeiro grande marco que nos liga ao passado é o Poço Kallichoron. A imaginação evoca instantaneamente Deméter, a deusa dos cereais e fertilidade, exausta, disfarçada de idosa, sentada à beira daquela mesma abertura de pedra, chorando o rapto da sua filha Perséfone por Hades, o senhor do submundo. A dor de uma mãe fez a terra secar e as colheitas morrerem. O sofrimento dá origem aos rituais.
Encaixada na encosta rochosa, a entrada da caverna sagrada Plutonion, é um portal visual e psicológico. A temperatura desce, o calor da Ática desaparece, substituído por um ar fresco que sobe das profundezas da terra, que os antigos chamam de boca do Hades. Dali emerge Hades na sua carruagem para raptar Perséfone, por ali ela desce todos os outonos e regressa todas as primaveras. O silêncio é material, vincula-nos, diante daquela rocha ancestral, aquele trono.
Caminhando até ao coração do santuário, chegamos as ruínas do Telesterion, a grande sala onde os Mistérios Eleusinos eram celebrados. Hoje apenas fundações e bases das colunas cortadas pelo tempo.
Após dias de caminhada e jejum (30 kilómetros), os iniciados chegavam e purificavam-se nas águas, ofereciam libações aos Deuses e quebravam a fome bebendo o kykeon, uma infusão sagrada que alterava a perceção.
Milhares de pessoas entravam nesta sala de escuridão total e avassaladora, o Telesterion, e aí os sacerdotes davam início aos ritos, coisas feitas (a ingestão da bebida sagrada), coisas faladas (evocações, invocações e cânticos), coisas mostradas (a encenação do reencontro de Deméter e Persephone) e no fim o reencontro com a morte e a vida, no eterno resgate da fé. A tríade sagrada sempre presente como semente de um ciclo que se repete, numa busca de verdade.
Fechei os olhos e foi como se milénios não tivessem passado e a terra conhece -se os meus passos.

Delfos e as Pitonisas Antes de ApoloMuito antes de Delfos se tornar o mais famoso santuário de Apolo da Grécia Antiga, o...
06/08/2026

Delfos e as Pitonisas Antes de Apolo

Muito antes de Delfos se tornar o mais famoso santuário de Apolo da Grécia Antiga, o local era considerado um espaço sagrado ligado às divindades primordiais da Terra. Segundo antigas tradições, o primeiro culto de Delfos era dedicado a Gaia, a deusa da Terra, símbolo da fertilidade, da sabedoria ancestral e das forças naturais. Em algumas versões do mito, a deusa Têmis, associada à justiça divina e à ordem cósmica, sucedeu Gaia como guardiã do oráculo.

Nesta fase mais antiga, acreditava-se que o poder profético emanava diretamente das profundezas da terra. Sacerdotisas transmitiam as mensagens divinas, mulheres escolhidas para interpretar essa sabedoria primordial.
O nome Pítia ficou associado ao período de Apolo, mas certas tradições sugerem que existiam previamente sacerdotisas-oráculo, antes da chegada de Apolo, que comunicavam as respostas das divindades ctónicas (ligadas ao mundo subterrâneo e à Terra).

O centro desse antigo culto era protegido pela serpente Píton, associada às forças telúricas e ao poder profético da Terra. A serpente simboliza renovação, o conhecimento oculto e a ligação entre o mundo humano e o divino, entre outros aspectos.

Na mitologia grega, Apolo chegou a Delfos, matou Píton e toma posse do santuário. O local passou a ser dedicado ao deus da luz, da música e da profecia. Para preservar a memória do antigo guardião, a principal sacerdotisa do templo continuou a ser chamada Pítia, em referência às forças antigas.

O antigo culto feminino ligado às divindades da Terra foi gradualmente substituído por um culto centrado em Apolo, uma divindade olímpica. Muitos elementos do passado permaneceram, como o papel central da sacerdotisa e a crença de que o poder oracular surgia das profundezas de terra de Delfos, através de fumos ou gases intra terrenos.

O oráculo tornou-se o mais prestigiado do mundo grego, preservou vestígios de um passado em que a Terra tinha uma voz e se faziam peregrinações para a escutar.

Este umbigo do mundo, este omphalos escolhido por Zeus, permanece, forte como um convite, mais do que conhecer o futuro, estava presente e escrita a frase "conhece-te a ti mesmo!"

04/08/2026
Celebrar Lammas, ou Lughnasadh, entre Grécia e Portugal, é descobrir que as tradições da primeira colheita falam uma lin...
03/08/2026

Celebrar Lammas, ou Lughnasadh, entre Grécia e Portugal, é descobrir que as tradições da primeira colheita falam uma linguagem universal. Uma celebração com raízes celtas, para agradecer a abundância, reconhecer o ciclo da vida e da morte e preparar a descida em direção ao outono.
Atenas, a cidade da Deusa Atena, cada pedra recorda que a verdadeira colheita não é apenas a do trigo, mas também a da sabedoria. Da Acrópole, observamos a civilização que fez da procura do conhecimento uma forma de culto. Um convite para colher os frutos das escolhas, dos estudos e das experiências acumuladas ao longo do ano. Tal como o cereal amadurece ao sol, também a consciência amadurece através do tempo e da reflexão.
Em Knossos, (Creta), memória mais antiga da humanidade, palácio labiríntico (simbolo da jornada interior, ensina que toda a iniciação exige entrar no desconhecido. Reconhecer o trabalho realizado e a coragem para continuar a percorrer caminhos complexos. Os antigos cultos minoicos, ligados à fertilidade da terra e aos ritmos da natureza, ecoam aqui.

Delfos trouxe outra dimensão. No santuário de Apolo, onde a Pítia pronunciava os seus oráculos, a célebre inscrição "Conhece-te a ti mesmo" ganha um significado especial. Após o crescimento exuberante do verão, chega o momento de discernir o que deve ser preservado e o que precisa ser deixado para trás. A colheita não é só sobre reunir o que floresceu, mas compreender o seu significado. Em Delfos, o oráculo recordou-me que a verdadeira abundância nasce da lucidez.

Em Eleusis encontrei a correspondência mais profunda. Os Mistérios de Eleusis em torno do mito de Deméter e Perséfone, ensinam-nos sobre os ciclos da natureza e da alma. Quando Perséfone desce ao mundo subterrâneo, a terra, Deméter, em dor e luto, deixa de produzir; quando Perséfone regressa, a fertilidade renasce. O eterno movimento de perda e reencontro revela que toda a colheita contém já a semente do inverno e toda a escuridão guarda a promessa de um novo florescimento.

Os Mistérios Eleusinos não prometiam escapar à morte, mas aprender a atravessar simbolicamente. A iniciação ensinava que viver implica aceitar a transformação contínua. Lammas marca precisamente este limiar: o verão ainda oferece os seus frutos, mas a luz começa lentamente a diminuir. A abundância existe lado a lado com a consciência da impermanência.

Percorrer Atenas, Knossos, Delfos e Eleusis durante Lammas, foi uma peregrinação iniciática. Somos tod@s participantes num ritmo maior do que nós próprios. Semear, cuidar, colher, agradecer, deixar partir e recomeçar, gestos sagrados que unem culturas separadas pela geografia, mas próximas na compreensão de que a Terra e a alma seguem o mesmo compasso.

Depois de celebrar Lammas entre Atenas, Knossos, Delfos e Eleusis, compreendi que nenhuma peregrinação termina quando o avião regressa a casa. As pedras dos templos permanecem na memória, mas os mistérios apenas se tornam vivos quando encontram lugar no quotidiano. Assim regressada a Portugal, coloquei o pão, símbolo da primeira colheita e do trabalho transformado em alimento, rodeado por antigas foices que recordam a ceifa e o momento em que aquilo que amadureceu é finalmente recolhido, agradeci a abundância, aceitar que toda a colheita implica transformação e confiar que cada fim contém já a promessa de um novo começo.
Os mistérios não pertencem apenas aos antigos santuários, fazem parte do eterno ciclo da semente, da colheita e do renascimento.
E quão simbólico que neste dia de verão, a chuva acaricia a terra, quente do borbulhar da vida.

Roda de Saias: Entre MarésAgradecemos a entrega, a autenticidade e a coragem com que cada mulher ocupou o seu lugar na r...
20/07/2026

Roda de Saias: Entre Marés

Agradecemos a entrega, a autenticidade e a coragem com que cada mulher ocupou o seu lugar na roda. Cada palavra, cada silêncio, cada emoção e cada gesto contribuíram para tecer uma experiência única de união, reconhecimento e fortalecimento coletivo.

Que o contacto com as águas oceânicas femininas tenha despertado em cada uma a memória da sua própria sabedoria cíclica, da sua capacidade de renovação e da força tranquila que habita o seu ser. Que os arquétipos femininos que explorámos continuem a inspirar caminhos de autoconhecimento, aceitação e transformação.

Levamos connosco a beleza deste encontro e o privilégio de testemunhar tantas mulheres a honrarem a sua essência, a sua história e o seu poder criador.

Com o coração cheio de gratidão, celebramos cada uma de vós e a energia que juntas cocriámos.

Carla e Irene

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Lisbon

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