24/08/2026
Há coisas que, em 2026, ainda me deixam perplexo. Uma delas é continuar a ouvir profissionais de saúde falar dos ovos como se estivéssemos presos aos conhecimentos de há 30 ou 40 anos.
“Cuidado com os ovos, isso aumenta o colesterol, não coma mais do que dois ou três por semana.”
E muitas vezes a justificação termina aí.
Estudo e acompanho estes temas desde 2004. E se há uma coisa que 22 anos me ensinaram é que não tenho de defender hoje aquilo em que acreditava há 20 anos. Tenho de defender aquilo que a melhor evidência disponível hoje me permite defender.
A ciência evolui. Nós temos a obrigação de evoluir com ela.
Isto não significa que o colesterol seja irrelevante, nem que o contexto metabólico, a genética ou o risco cardiovascular devam ser ignorados.
Significa apenas que não existe fundamento para continuar a tratar o ovo como um alimento perigoso que deve ser arbitrariamente limitado na maioria das pessoas.
E aqui começa a parte desconfortável:
30 profissionais a repetir a mesma ideia não transformam essa ideia em evidência. Consenso por repetição não é ciência.
Ciência é questionar, atualizar conhecimento e aceitar que algumas coisas que aprendemos estavam incompletas ou erradas.
Afinal, o diploma não tem atualização automática de software.
Cuidar da saúde das pessoas exige conhecimento, mas também curiosidade para continuar a aprender e humildade para mudar de opinião quando a evidência muda.
Se quiseres olhar para o teu caso específico e fazer sentido de toda a informação contraditória que aí existe, fala comigo.