Lapsis Centro Psicoterapeutico

Lapsis Centro Psicoterapeutico Somos pioneiros, inovadores mantemos uma qualidade que só quem foi, ou é nosso paciente, pode avaliar.

Na Lapsis entendemos a criança como um todo, e todas as valências que passam pela psicoterapia, psicomotricidade, terapia da fala, grupos terapêuticos consoante a idade da criança, pedopsiquiatria, terapia familiar e apoio aos pais, são colocadas ao serviço de um único interesse: o bem estar mental da criança e da família.

A psicoterapia, na primeira pessoa, é um encontro comigo própria. É o espaço onde me permito parar, escutar o que sinto ...
29/05/2026

A psicoterapia, na primeira pessoa, é um encontro comigo própria. É o espaço onde me permito parar, escutar o que sinto e ressignif**ar aqueles pensamentos que tantas vezes evito. É mais do que falar, é compreender, é confrontar, é reconstruir. Ao longo do processo de psicoterapia, vou-me descobrindo nas minhas fragilidades e também na minha força. É um caminho que nem sempre é confortável, mas é verdadeiro. E, pouco a pouco, vou aprendendo a ser mais consciente, mais inteira e mais livre dentro de mim.

Será que temos medo de olhar verdadeiramente para quem somos? Talvez uma das maiores dificuldades humanas possa ser a de...
25/05/2026

Será que temos medo de olhar verdadeiramente para quem somos? Talvez uma das maiores dificuldades humanas possa ser a de suportar aquilo que descobrimos quando deixamos de fugir de nós próprios. Na alegoria da caverna de Platão, os homens vivem presos nas sombras, tomando ilusões por realidade. Para além da ignorância, o problema é também o do conforto da ilusão. Porque sair da caverna signif**a abandonar aquilo que nos é dado como certo e enfrentar uma verdade capaz de colocar em causa aquilo em que acreditávamos.
Séculos mais tarde, Sigmund Freud mostra-nos que também dentro de nós existem cavernas. Reprimimos medos, desejos, violências e fragilidades, empurrando-os para zonas escondidas da consciência. Mas aquilo que recusamos ver nunca desaparece verdadeiramente. Permanece no escuro, à espera de regressar sob a forma de ansiedade, vazio, obsessão ou destruição. De tal modo que, muitas vezes, aquilo de que fugimos acaba por nos dirigir silenciosamente.
Ora, de acordo com Carl Jung, a sombra é tudo aquilo que rejeitamos em nós ou que em nós está por ser potenciado: impulsos, medos, desejos, capacidades. Quanto mais tentamos parecer moralmente perfeitos ou racionalmente controlados, mais essa sombra cresce no interior. Na realidade, ela não desaparece por ser ignorada; torna-se apenas mais invisível e mais poderosa. Talvez grande parte da violência humana nasça precisamente da incapacidade das pessoas de reconhecer a própria escuridão e o seu caminho de iluminação ou transformação.
Pois bem, no Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, essa cegueira manifesta-se mesmo assim: coletiva. No fundo, Saramago evidencia como os seres humanos raramente compreendem plenamente o que fazem, vivem dentro de ilusões, escondem-se em rotinas, recusam encarar a fragilidade e a violência. E talvez a verdadeira tragédia seja perceber que sempre estivemos cegos sem o saber.
Friedrich Nietzsche sentia que a modernidade se afastava cada vez mais da vida profunda. Ao falar da tensão entre o apolíneo e o dionisíaco, Nietzsche descreve um mundo excessivamente racional, organizado e controlado, mas ao mesmo tempo distante da intensidade humana. Em nome da ordem e da produtividade, reprimimos o instinto, o desejo, o caos, o corpo e a emoção, e aquilo que nos faz crescer. No entanto, aquilo que é reprimido nunca desaparece. Continua vivo debaixo da superfície, como uma força subterrânea que mais cedo ou mais tarde definha-se como uma flor que não pode ver o sol.
Poetas como Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire desceram precisamente a esse lado escondido da existência. Procuraram na vertigem, no excesso e na inquietação uma verdade mais funda do que aquela que a sociedade permitia mostrar. E talvez tenham percebido algo que hoje se tornou ainda mais evidente: vivemos rodeados de imagens, ruídos, estímulos e distrações, mas cada vez mais afastados de nós próprios.
Pois bem, a caverna de Platão já não é um lugar escuro; tornou-se um excesso de luz, ecrãs e representações que nos impedem de olhar em silêncio para aquilo que realmente somos. É talvez neste ponto que a frase de Rimbaud ganha toda a sua profundidade: “Eu é um outro.” O sujeito humano nunca coincide plenamente consigo mesmo. Existe sempre em nós uma alteridade interior, uma dimensão desconhecida, fragmentada e por vezes inquietante que escapa ao controlo da consciência. Tanto assim que aquilo que recusamos reconhecer em nós próprios é frequentemente projetado, vivido ou procurado no outro. Talvez seja precisamente daí que nasce a importância dos vínculos humanos: descobrimo-nos através do amor, do conflito, da perda, da projeção, do reconhecimento e da comunhão. O outro não é apenas alguém exterior a nós; habita também o interior da nossa própria identidade.
Nesse sentido, ganha uma profundidade particular a frase atribuída a Jesus: “os cegos veem, e aqueles que veem f**am cegos.” A verdadeira cegueira talvez não pertença àqueles que reconhecem a própria fragilidade, mas àqueles que acreditam possuir uma lucidez absoluta. Porque quem admite a própria escuridão pode começar a transformar-se; mas quem vive convencido da sua clareza torna-se incapaz de questionar-se.
Talvez, por isso, a maior cegueira humana não seja a falta de visão, mas recusar ser consciente, recusar sentir. Inventamos distrações, certezas, ideologias, moralidades e entretenimentos para evitar o confronto com aquilo que nos habita mais profundamente: o medo, a solidão, o desejo, a fragilidade, a morte, mas também a responsabilidade de existir, a esperança, a gratidão, a alegria e a possibilidade de comunhão.
No fundo, permanece a pergunta essencial: será que os seres humanos querem realmente ver, ou preferem continuar protegidos pelas suas sombras?
Dr. Paulo Nuno Pereira
Dr. Bernardo d'Almeida

A mente como espaço: do aprisionamento psíquico ao universo interiorPodemos pensar o desenvolvimento emocional a partir ...
27/04/2026

A mente como espaço: do aprisionamento psíquico ao universo interior
Podemos pensar o desenvolvimento emocional a partir de uma ideia simples e profunda: a mente humana como um espaço interno em construção. O sofrimento psíquico grave corresponderia a uma mente sem espaço suficiente para conter emoções, pensar experiências e simbolizar conflitos. Pelo contrário, a saúde emocional seria uma mente habitável, capaz de acolher afectos, tolerar ambivalências e criar sentido. A maturidade psicológica implica assim uma mente multidimensional, onde passado, presente e futuro coexistem de forma integrada.
Na realidade, não nascemos com esse espaço mental já constituído. Este constrói-se progressivamente na relação com quem cuida. Através da rêverie descrita por Wilfred Bion, da continência emocional, do espelho afectivo, da previsibilidade e do brincar, a criança aprende que os estados internos podem ser sentidos sem destruir, pensados sem esmagar e transformados em signif**ado. Quando este processo falha, a mente tende a f**ar comprimida, rígida ou fragmentada.
Com efeito, numa primeira dimensão psíquica, a experiência mental é linear e, por conseguinte, aprisionada. Predomina o imediato: tudo ou nada, presença ou abandono, impulso ou colapso. A ausência é vivida como desaparecimento total e a frustração como catástrofe. Trata-se de um estado próximo do “terror sem nome” de Bion, onde existe angústia impensável e caos sem representação. É também semelhante ao Inferno de Dante na Divina Comédia: repetição, circularidade e sofrimento sem transformação.
Na segunda dimensão, surge alguma organização psíquica. A criança começa a distinguir dentro e fora, tolera pequenas esperas, reconhece o regresso do objecto amado e inicia sentimentos de culpa e reparação. Continua a existir fragilidade, mas já não há caos total. Esta etapa aproxima-se do Purgatório de Dante, sofrimento com sentido, esforço gradual e possibilidade de crescimento.
Na terceira dimensão aparece verdadeiro espaço mental. Desenvolvem-se interioridade, memória simbólica, imaginação e capacidade de manter internamente alguém ausente. A criança pode sentir saudade sem colapsar, amar e zangar-se com a mesma pessoa, brincar simbolicamente e esperar. Existe agora um mundo interno vivo e habitável. É a mente criativa, profunda e relacional.
Numa quarta dimensão, o espaço interno integra também o tempo psíquico. O passado pode ser compreendido, o presente vivido e o futuro imaginado sem terror. Surge capacidade contemplativa, sentido existencial e observação de si sem destruição narcísica. Este nível aproxima-se do Empíreo em Dante e do conceito de “O” em Bion: contacto com uma verdade emocional profunda que ultrapassa explicações simplistas.
Neste percurso, o self transitivo desempenha um papel central. Podemos entendê-lo como a função relacional que permite a passagem entre dimensões psíquicas. No campo mãe-bebé, a criança internaliza experiências de contenção e vai adquirindo profundidade mental. Quando essa relação é suficientemente boa, forma-se espaço interno. Quando falha de forma persistente, o sujeito pode permanecer preso a estados achatados, impulsivos ou vazios.
A psicopatologia pode então ser pensada como colapso dimensional. Na ansiedade extrema, a pessoa cai temporariamente para estados lineares de ameaça. Na depressão, o mundo interno perde vitalidade e torna-se rígido. No trauma, o tempo congela e a experiência f**a sem simbolização. Já a criatividade madura implica circulação flexível entre profundidade interna e integração temporal.
A psicoterapia, nesta perspectiva, consiste em expandir dimensões internas. Ajuda a criar distância entre impulso e acto, transformar sensação em símbolo, suportar paradoxos, integrar a história vivida e recuperar esperança. Em vez de apenas reduzir sintomas, a terapia amplia o espaço mental.
Assim, podemos resumir: o Inferno não é um lugar, mas uma mente sem espaço. O Purgatório é uma mente em construção. O Paraíso é uma mente habitável. E o Empíreo é uma mente reconciliada consigo própria, com os outros, com o ser.
Crescer, no fundo, é passar de uma linha aprisionada para um universo interior total.
Dr. Bernardo Corrêa D'Almeida
Imagem: pixabay.com

04/04/2026
01/04/2026

RETIFICAÇÃO: Há um erro na narração, o pai de Torquato se chamava Dr. Heli da Rocha Nunes. O Segredo Filosófico da Cajuína: Uma Análise Profunda com Baruch E...

Culpa, autoridade internalizada e transformaçãoA experiência humana é profundamente marcada pelas relações de autoridade...
18/03/2026

Culpa, autoridade internalizada e transformação
A experiência humana é profundamente marcada pelas relações de autoridade e de cuidado que encontramos ao longo da vida. Figuras como a mãe, o pai, líderes religiosos, professores ou terapeutas podem tornar-se referências internas mais ou menos duradouras. Na psicologia, este fenómeno é conhecido como internalização: pessoas signif**ativas passam a existir dentro de nós sob a forma de vozes, expectativas e modelos de relação.

Quando a autoridade vivida é muito rígida ou autoritária, essa internalização pode assumir a forma de um superego muito exigente. A pessoa passa a carregar dentro de si um juiz interno severo, que critica de forma moral e implacável e produz sentimentos persistentes de culpa. Mesmo quando alguém decide seguir um caminho diferente — por exemplo, deixar um determinado estado de vida ou questionar valores herdados — essa voz interior pode continuar a funcionar como se nada tivesse mudado, de forma mais ou menos avassaladora. Assim, a culpa não nasce necessariamente de uma falta real, mas da permanência interior de normas e expectativas profundamente assimiladas.

Nestes casos, podem surgir dois movimentos psicológicos em simultâneo. Por um lado, pode emergir a revolta contra a autoridade, semelhante à reação de um filho perante um pai autoritário. A revolta é uma tentativa de recuperar autonomia e identidade. Por outro lado, a própria autoridade pode permanecer interiorizada, gerando conflito interno: uma parte da pessoa deseja liberdade, enquanto outra continua a julgar e a condenar. Esta tensão ajuda a compreender por que motivo muitas pessoas, mesmo depois de tomarem decisões conscientes, continuam a sentir culpa ou insegurança moral.

A psicoterapia procura precisamente trabalhar estas dinâmicas internas. Como afirmava o psicanalista português Coimbra de Matos, “uma terapia sem amor não é terapia”. O “amor” de que ele fala não é sentimentalismo, mas uma atitude clínica de profundo respeito, empatia e interesse pela pessoa. Essa atitude cria uma relação diferente daquela que muitas pessoas viveram em contextos de autoridade rígida. Em vez de julgamento, surge compreensão; em vez de condenação, aparece curiosidade e abertura. Com o tempo, essa experiência pode também ser interiorizada, oferecendo à pessoa uma nova forma de se relacionar consigo própria — menos acusadora e mais humana.

Neste contexto, torna-se possível compreender outra afirmação de Coimbra de Matos: “devemos aprender a errar e a errar cada vez melhor.” Muitas pessoas que cresceram sob forte exigência moral vivem com um medo intenso de errar. O erro é sentido como uma falha grave ou motivo de vergonha. A maturidade psicológica, porém, implica reconhecer a inevitabilidade do erro humano e aprender com ele. “Errar melhor” signif**a errar com mais consciência, sem destruir a própria autoestima e transformando a experiência em crescimento.

Aqui entra também a dimensão do perdão. Psicologicamente, um perdão sem amor tende a ser vazio, podendo até funcionar como um escape. Um perdão meramente formal — baseado apenas em regras ou obrigações — pode resolver a situação exterior, mas não transforma a experiência interior. A culpa permanece ativa se a pessoa continua a sentir-se julgada ou rejeitada. O perdão autêntico envolve o reconhecimento da falha, mas também a preservação da dignidade da pessoa. Integra empatia, compreensão da fragilidade humana e a manutenção do vínculo relacional. Só assim o perdão adquire verdadeira força transformadora.

Deste ponto de vista, o processo terapêutico pode ser entendido como um caminho de reorganização das autoridades internas. A pessoa aprende a distinguir entre as vozes herdadas do passado e a sua própria consciência atual. A revolta inicial pode transformar-se em autonomia, e a culpa pode dar lugar a uma responsabilidade mais madura. O objetivo não é eliminar o passado, mas integrá-lo de forma mais livre e mais humana.

Assim, o crescimento psicológico implica um movimento duplo: libertar-se de autoridades interiorizadas que já não correspondem à própria vida e, ao mesmo tempo, construir dentro de si uma nova forma de relação — marcada pela compreensão, pela capacidade de perdão e pela aceitação da imperfeição. Nesse sentido, crescer psicologicamente é aprender a viver com humanidade: amar, perdoar e continuar a aprender, mesmo através dos erros.

Dr. Bernardo Corrêa D'Almeida

16/03/2026
Um filho a CrescerO equilíbrio entre o tempo e o espaço, quão difícil é de gerir? O que é isso de adolescer?"Há sempre u...
10/03/2026

Um filho a Crescer
O equilíbrio entre o tempo e o espaço, quão difícil é de gerir? O que é isso de adolescer?
"Há sempre um tempo que passa e um tempo que não passa" (Manuel Alegre), e para os pais o tempo que não passa é sempre muito maior, eles vão crescendo mas é por engano, até que chega um dia em que nós dizemos: ele cresceu mesmo, este já não é o meu bebé, é estranho como um rapaz de quatro anos (sim porque para nós terá sempre 4 anos), nos diz calmamente que vai dormir em casa de uma amiga com um grupo de amigos. Como é que nós crescemos? lembras-te? Crescemos às escondidas, o primeiro cigarro, o primeiro beijo, o primeiro amor, tudo em segredo, para não falar da imensidão de amores infantis que esses então foram ultra secretos para nós, embora toda a gente soubesse. Nós que ainda nos julgamos com idade de ir para a terra fazer fisgas(1) para apanhar pássaros e fazermos bailaricos nas fontes e que achávamos muito velhos as pessoas com 50 anos, somos de repente mães e pais de adolescentes e de adultos e estamos quase a ser avós mas shiu.. não contem a ninguém... Esta barba branca é apenas um disfarce, a mãe diz que pode ser o disfarce de uma criança que nunca cresceu, o pai concorda mas só em parte, há de facto uma criança que não cresceu por trás da barba branca mas há também um adolescente a correr para os bailes à procura dos seus amores, há um rapaz de 20 e poucos anos a acabar os cursos e os mestrados e a pensar e agora o que é que eu faço com isto (com isto, entenda-se a vida), há aqui um espaço/tempo para mim? Há um homem que começa a sentir na pele as grandes traições, as lutas de poder, etc.. E há um homem que proclamam como pai com um menino nos braços . Sentimos que muito tempo e muito espaço nos foi roubado enquanto pais e muita interacção ficou por fazer, muita brincadeira, muitas conversas f**aram pelo caminho e agora? Será que ainda vamos a tempo? Somos nós capazes de sentir os nossos filhos? cada vez mais se erguem muros entre pais e filhos, vão-se colocando barreiras mesmo que inconscientemente, por exemplo uma mãe que amamenta e que ao mesmo tempo está focada no telemóvel, poder-se-á criar vínculo funcional , um vínculo ambivalente/ansioso (inseguro) como identif**a Bowlby, a criança vai repetir esse tipo de vínculo pela vida fora, ansiosa, insegura, com baixa auto estima , sempre à procura da aprovação do outro, angústia extrema na separação, mas ambivalência (busca e rejeição) no reencontro. O Pai que no momento de brincar, ou de fazer outra actividade com os filhos opta por se focar no futebol, no reality show ou no que se está a passar online pode também causar o mesmo dano. Os adolescentes vivem para o espelho que lhes devolve uma imagem que corresponde à imagem interna que foi criada com base no vínculo primário que estabeleceram com o mundo e com os pais.
Paulo Nuno Pereira

(1) Fisga: Instrumento elástico usado para arremessar pequenos projéteis, geralmente feito de uma forquilha de madeira e uma tira de borracha.

Imagem: pixabay.com

Raiou o dia de São Valentim; de pé todos estão. Para ser vossa Valentina, irei pôr-me à janela, então. Hamlet - Acto 4, ...
11/02/2026

Raiou o dia de São Valentim; de pé todos estão. Para ser vossa Valentina, irei pôr-me à janela, então. Hamlet - Acto 4, Cena 5

O Outro ainda existe?Quando é que o Outro perdeu a existência?O Outro alguma vez existiu? Ou somos só nós num jogo de cenários e máscaras internas de fortes idealizações e desidealizações para satisfazer muitas vezes não só o nosso desejo infantil mas também o desejo dos outros. No meio destas lutas e destas poeiras onde é que f**amos nós, onde é que f**a o amor, onde é que f**a a relação, onde é que f**a o Outro? O Outro, hoje em dia, e o Eu são construtos muito oprimidos pelo contexto social, pelo contexto de ter o peso certo, a altura certa, a roupa certa, os ténis certos, o penteado certo, etc... Sente-se a aflição dos jovens para tentarem satisfazer tantos desejos que tomam como seus avaliando-se num espelho que do Eu nada devolve, "por trás do espelho quem está" ? Aquele sou ou é o meu ideal, ou é a parte fraca de mim, quem é que eu vejo? E quando eu olho para sombra? Que luz me chega desta sombra? Quantos Eus esquecidos habitam esta sombra?É necessário entrarmos no espelho como a Alice(1) mas desta vez para nos salvarmos, cada um tem que entrar no seu e salvar-se, não fiquem à espera que os outros entrem no vosso espelho. Conheçam as vossas fantasias, as vossas frustrações, os vossos sonhos, os vossos medos, as vossas esperanças, encontrem o vosso caminho perdido da infância, não tenham medo de se perderem nele. É sempre preciso perdermo-nos em nós para depois nos encontrarmos mais fortes e seguros. Dessa busca sairemos certamente mais fortes e menos dependentes dos outros e do peso do socialmente exigido. Se não fizermos esse caminho interno à procura de nós próprios, de quem somos, o que queremos, para onde vamos e como é que nos damos ao outro , como é que amamos os outros, como é que nos amamos a nós próprios, f**a um vazio, esse vazio é não raras vezes preenchido pelas dependências, pela dependência do Outro, da relação, de substâncias e da necessidade de controlo.
Namorem muito mas sobretudo enamorem-se de vós mesmos.
Dr. Paulo Nuno Pereira
(1) Referência ao livro "Alice do Outro lado do Espelho"; Lewis Carroll

06/01/2026

Endereço

Rua Professor Mira Fernandes N11 Loja
Lisbon
1900-382

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 21:00
Terça-feira 09:00 - 21:00
Quarta-feira 09:00 - 21:00
Quinta-feira 09:00 - 21:00
Sexta-feira 09:00 - 21:00
Sábado 10:00 - 14:00

Telefone

+351218470010

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Lapsis Centro Psicoterapeutico publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Prática

Envie uma mensagem para Lapsis Centro Psicoterapeutico:

Compartilhar

Categoria