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Diana Marcelino - Psicologia Aqui falamos de prevenção do abuso sexual e maus tratos, por uma infância com dignidade

Antes de aparecer por fora, há tanto que precisa de se construir por dentro.É também por isso que não me identifico com ...
29/09/2026

Antes de aparecer por fora, há tanto que precisa de se construir por dentro.

É também por isso que não me identifico com checklists de “sinais de prontidão” para o desfralde.

A criança pode já conseguir algumas coisas e ainda estar a construir outras. O desenvolvimento não acontece de forma linear, nem todas as crianças chegam às mesmas competências ao mesmo tempo.

Antes de procurarmos sinais numa lista, temos de olhar para a criança: o que já consegue, o que ainda está a construir e de que forma podemos acompanhá-la.

Há coisas que, nos primeiros anos de vida, a criança só consegue fazer porque existe alguém que as sustenta com ela. Alg...
23/09/2026

Há coisas que, nos primeiros anos de vida, a criança só consegue fazer porque existe alguém que as sustenta com ela. Alguém que ajuda a pensar, a esperar, a conter e a dar significado ao que está a acontecer.

É na relação que muitas destas capacidades começam por existir. A criança vive-as primeiro com alguém e, pouco a pouco, aquilo que encontrou no outro começa a fazer parte dela.

Aquilo que começa na relação pode, com o tempo, tornar-se um recurso interno 💜

O cocó pode ser apenas cocó. Mas também pode tornar-se uma experiência carregada de significado para a criança.É algo qu...
17/09/2026

O cocó pode ser apenas cocó. Mas também pode tornar-se uma experiência carregada de significado para a criança.

É algo que nasce dentro do corpo, que a criança sente, produz, retém ou deixa sair. Pode querer vê-lo, ou escondê-lo. Pode querer guardá-lo ou sentir medo de o deixar ir.

E cada uma destas experiências merece ser compreendida dentro da história daquela criança.

No desfralde, o corpo e a experiência emocional caminham juntos. Por isso, quando o cocó se torna um lugar de conflito, medo ou retenção, podemos olhar para o que está a acontecer dentro da criança.

A sanita é “apenas” o lugar onde várias competências da criança se encontram:- sentir o que acontece dentro do corpo- pe...
10/09/2026

A sanita é “apenas” o lugar onde várias competências da criança se encontram:
- sentir o que acontece dentro do corpo
- perceber o próprio corpo no espaço
- organizar o movimento
- interromper uma brincadeira
- tolerar uma mudança
- sentir-se segura
- lidar com possíveis sensações desagradáveis
- confiar suficientemente no próprio corpo

Pode ainda ser muita coisa para uma criança fazer ao mesmo tempo. Por isso, quando a utilização da sanita se torna difícil, idealmente olhamos para o todo: o corpo, o desenvolvimento, a relação, a história daquela criança com o próprio corpo e aquilo que a sanita passou a representar.

O problema que vemos na sanita pode ter começado muito antes de a criança se sentar nela.

Quando sentimos que estamos a insistir, insistir e insistir sem perceber o que está a acontecer, pode ser altura de parar e olhar para o processo com outros olhos.

É precisamente esse o trabalho que podemos fazer em consulta de aconselhamento psicológico parental. Se precisas desta orientação, o link para agendamentos está na bio.

A palmada nunca é uma estratégia educativa e nunca é culpa da criança.Em consulta, raramente encontro pais que batem por...
03/09/2026

A palmada nunca é uma estratégia educativa e nunca é culpa da criança.

Em consulta, raramente encontro pais que batem porque acreditam verdadeiramente que essa é a melhor forma de educar.

Encontro adultos cansados, desregulados, sobrecarregados. Muitas vezes, a fazer aquilo que um dia também lhes fizeram.

Compreender isto não diminui o impacto da palmada na criança, mas permite olhar para o adulto com curiosidade e empatia, em vez de apenas com julgamento.

A capacidade de oferecer contenção não aparece por vontade. Constrói-se, nas relações que vivemos, nos recursos que fomos adquirindo, na capacidade de reconhecer o que acontece dentro de nós antes de agir.

É por isso que acredito tanto no trabalho com as famílias. Uma criança beneficia sempre quando o adulto à sua frente ganha mais espaço para pensar, regular-se e conter(-se).

Há uma tendência muito humana para olhar para aquilo que falta.Mas quase sempre vale a pena fazer a pergunta ao contrári...
27/08/2026

Há uma tendência muito humana para olhar para aquilo que falta.

Mas quase sempre vale a pena fazer a pergunta ao contrário.

Um organismo ocupado a sobreviver tem menos disponibilidade para construir novas competências.

Isto não significa que todas as dificuldades tenham origem emocional, mas o desenvolvimento não acontece isolado do corpo, das relações e da forma como a criança experiência o mundo.

Antes de ensinar, exigir ou insistir mais, precisamos de devolver segurança. Só depois a autonomia encontra espaço para crescer.

É esperado que, por volta dos 4 anos, as crianças façam muitas perguntas sobre a morte. Nesta fase, estão a construir a ...
20/08/2026

É esperado que, por volta dos 4 anos, as crianças façam muitas perguntas sobre a morte. Nesta fase, estão a construir a sua compreensão do mundo e ainda não entendem completamente que a morte é definitiva. Por isso, é natural que perguntem se quem morreu continua a fazer anos, se pode voltar ou se, depois de descansar, volta a brincar.

Não há uma resposta universal - o mais importante é que a criança sinta que pode fazer perguntas e encontrar um adulto disponível para a ouvir, responder com honestidade e transmitir segurança.

*às vezes, num momento de dor profunda tudo o que temos para dar é um “foi para o céu”, mas é importante elaborar mais tarde.

O teu filho já te fez alguma pergunta sobre a morte que nunca esqueceste, ou que te foi difícil responder?

Se há algo que muitos pais dizem em consulta, é: “Já não sei o que fazer. Parece que ele não quer largar a fralda."E se ...
03/08/2026

Se há algo que muitos pais dizem em consulta, é: “Já não sei o que fazer. Parece que ele não quer largar a fralda."

E se não for uma questão de não querer?

O desfralde é um processo fisiológico, mas também emocional.

Há crianças que, durante o processo, voltam a pedir a fralda. Outras recusam o bacio ou parecem andar para trás. O desfralde é multifatorial e nem todas estas situações têm uma explicação emocional. Ainda assim, vale a pena perguntarmo-nos se aquele comportamento poderá estar a cumprir uma função para a criança.

Se sentes que o desfralde deixou de ser apenas sobre fraldas e passou a ser uma fonte de ansiedade, culpa ou conflitos constantes, a consulta de aconselhamento psicológico parental pode ajudar - a compreender o que pode estar a acontecer e a encontrar um caminho respeitador.

Tanto se fala dos limites como uma forma de controlar o comportamento da criança, mas a sua função vai muito além disso....
30/06/2026

Tanto se fala dos limites como uma forma de controlar o comportamento da criança, mas a sua função vai muito além disso.

Os limites ajudam a organizar a experiência: dão previsibilidade, estrutura e referências a partir das quais a criança se pode orientar.

Quando sabe o que esperar, quando encontra respostas consistentes e um ambiente suficientemente previsível, o mundo torna-se mais compreensível. E é precisamente essa sensação de segurança que lhe permite explorar, afastar-se, experimentar e crescer.

Tal como nós recorremos a um GPS quando não conhecemos o caminho, ou simplesmente porque nos sentimos mais seguros com ele, também a criança precisa de coordenadas para construir as suas próprias referências internas.

É assim que penso os limites: não como uma ferramenta para controlar a criança, mas como uma função organizadora do desenvolvimento psíquico.

Queremos tanto que a criança pinte dentro das linhas, mas será que já construiu as suas fronteiras internas? Será que já...
23/06/2026

Queremos tanto que a criança pinte dentro das linhas, mas será que já construiu as suas fronteiras internas? Será que já teve tempo para descobrir onde termina a própria e começa o outro? Onde acaba a sua vontade e começa a vontade de quem a rodeia?
Construir limites internos é, acima de tudo, um processo de diferenciação - entre o eu e o outro, o dentro e o fora.

Antes de respeitar um limite, a criança precisa de o encontrar.

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