24/04/2026
Cuidar de quem cuida é tão importante quanto cuidar dos nossos idosos. Os profissionais que trabalham diariamente junto das pessoas idosas desempenham uma função exigente, marcada por grande responsabilidade, esforço físico e envolvimento emocional. São eles que garantem conforto, segurança, dignidade e qualidade de vida aos residentes, muitos deles em situações de maior fragilidade e dependência.
Nos últimos anos, verifica-se um aumento significativo das dependências por parte das pessoas idosas acolhidas em ERPI. Cada vez mais residentes necessitam de apoio permanente nas atividades básicas da vida diária, cuidados de saúde mais frequentes e acompanhamento individualizado. Esta realidade exige uma maior disponibilidade física, emocional e técnica por parte de todos os elementos das equipas.
A esta exigência acrescem ainda as ausências de colaboradores, motivadas por doença, desgaste ou dificuldade em substituir profissionais em tempo útil. Quando as equipas trabalham incompletas, a sobrecarga recai sobre os restantes elementos, aumentando o cansaço, a pressão diária e o risco de exaustão.
Também os baixos rácios de pessoal definidos pela Segurança Social, muitas vezes desajustados face ao grau real de dependência dos residentes, representam um desafio acrescido. Quando o número de profissionais não acompanha as necessidades existentes, torna-se mais difícil garantir cuidados personalizados, seguros e humanizados, ao mesmo tempo que se tenta proteger o bem-estar dos trabalhadores.
Quando os cuidadores não recebem o apoio necessário, aumentam os níveis de stress, fadiga e desgaste profissional. Esta realidade pode afetar não só o bem-estar dos trabalhadores, mas também a qualidade dos cuidados prestados. Por isso, investir no acompanhamento das equipas deve ser uma prioridade em qualquer ERPI. Todas as Instituições deviam ter nas suas equipas para apoiar os idosos, mas também para ajudar os colaboradores.
Cuidar de quem cuida passa por promover boas condições de trabalho, assegurar formação contínua, valorizar o desempenho profissional e criar espaços de escuta e apoio emocional. Pequenos gestos de reconhecimento, horários equilibrados e uma liderança próxima e humana fazem toda a diferença na motivação e no sentido de pertença das equipas.
Além disso, equipas cuidadas tendem a ser mais estáveis, colaborativas e resilientes. Isto traduz-se num ambiente mais positivo dentro da instituição, beneficiando profissionais, residentes e famílias. A confiança e a tranquilidade sentidas por todos nascem, em grande parte, de equipas que se sentem respeitadas e apoiadas.
Numa ERPI, cuidar de quem cuida não é um extra...é uma necessidade!! Valorizar os profissionais é investir na qualidade dos cuidados e na humanização das respostas sociais. Porque só quem também é cuidado consegue cuidar melhor dos outros.
Depois deste pequeno texto, na minha opinião, é fundamental que as instituições reconheçam esta realidade e invistam no reforço das equipas, ajustando os recursos humanos às necessidades reais dos residentes. Valorizar quem trabalha, melhorar condições laborais e promover ambientes saudáveis é essencial para prevenir o desgaste profissional e garantir cuidados de qualidade. Cuidar de quem cuida começa também por dar às equipas os meios e o reconhecimento que merecem!!