27/09/2026
ENTRAM NUM LAR, MAS NÃO DEIXAM DE SENTIR. 🌱
Parece que, ao entrarem num lar, os idosos deixam de ter desejo, de se apaixonar, de querer um beijo ou de sentir o corpo e o coração despertar.
Como se a velhice apagasse a sexualidade. Como se a institucionalização lhes retirasse o direito de amar.
Mas os idosos não são assexuados. São pessoas. Pessoas que sentem, desejam e precisam de afeto.
E sim, alguns medicamentos utilizados na doença de Parkinson podem aumentar o desejo sexual e provocar ereções. Porque o corpo envelhece, mas nem sempre o desejo adormece.
É também importante recordar que a sexualidade não começa nem termina no coito. Está nos beijos, nas carícias, nos abraços, na cumplicidade, na proximidade e na vontade de partilhar intimidade com alguém.
Por isso, mais do que olhar para a realidade atual, importa perguntar: o que podem as instituições fazer para respeitar e promover a sexualidade e o prolongamento do afeto entre duas pessoas?
É necessário criar condições para que os residentes possam viver os seus sentimentos com dignidade. Isso passa, também, por garantir privacidade, disponibilizar quartos com camas de casal para quem deseja partilhar a sua intimidade e proporcionar espaços onde o amor não tenha de se esconder.
Mas não basta criar espaços. É preciso preparar quem cuida.
Os profissionais das instituições devem receber formação adequada para compreender a sexualidade na velhice, agir sem preconceitos e abordar estas questões com naturalidade, empatia e respeito. Um diálogo aberto fortalece a confiança e permite apoiar cada pessoa nas suas necessidades, sempre com respeito pelo consentimento e pela vontade de ambos.
Um lar deve cuidar da vida, não apagar aquilo que a torna humana.
Os idosos têm direito à intimidade, ao carinho, à paixão e à liberdade de viver os seus sentimentos. Não deixam de ser homens e mulheres ao entrar numa instituição. Não deixam de precisar de um abraço por terem cabelos brancos.
A velhice merece cuidado, mas também merece desejo, intimidade e amor.
Não há idade para amar.
Não há prazo de validade para o afeto.
E não deve haver portas fechadas à sexualidade de quem envelhece.❤️