10/08/2026
Os pássaros começaram a gritar. Agitados.
Os porcos, que andavam por ali, começaram a grunhir e a correr às voltas de forma estranha.
Era 24 de Outubro de 1995.
Estava na India e viajei no teto duma camioneta de madrugada para assistir ao eclipse.
Na véspera do eclipse, estava sentada a jantar num restaurante numa vila perto de Agra, quando ouvi uma conversa noutra mesa sobre o eclipse.
Não tinha telemóvel. Nem internet.
Viajava com o lonely planet na mão, uma grande dose de fé no destino e uma paixão enorme pela aventura.
Quis o destino que eu ouvisse aquela conversa, e curiosa como sou, fui saber como chegar ao melhor lugar para ver.
Estava precisamente numa das pequenas janelas no planeta onde se avistava na totalidade o eclipse. Senti que não era aleatório.
De madrugada, ainda escuro, fui para a estação das camionetas. Era um mar de pessoas. Uma confusão, maior que a habitual confusão característica da Índia. Não imaginava que provocava tamanho impacto nas pessoas o eclipse. Fui f**ando cada vez mais entusiasmada com o que se ia passar.
Consegui finalmente um lugar.
No tejadilho da camioneta.
Mais não sei quantas pessoas, para além da camioneta cheia. De pessoas, mantras e galinhas. O normal na Índia.
Só por aquela viagem valeu a pena.
Foi mais de uma hora a observar e escutar o nascer do dia do cimo da camioneta, as cores do céu, as aldeias a despertar, os campos a perder de vista, foi quase místico.
Quando cheguei ao lugar fiquei de boca aberta pela beleza majestosa do monumento Fatehpur Sikri , que une arquitetura islâmica e persa com elementos hindus, jainistas e rajputs.
Um lugar que é símbolo do encontro e diálogo entre culturas e religiões, entre o islão e a Índia, num lugar em guerra há demasiado tempo.
Estava repleto de pessoas. De muitas culturas. Parecia que todo o mundo estava ali. Telescópios e objetivas apontados para o céu. Televisões. Turistas, cientistas e curiosos.
Uma família indiana disse para me chegar a eles. Entre conversas e sorrisos, ofereceram-me um vidro verde (por favor não façam o que eu fiz 🫣) para ver o eclipse.
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