03/07/2026
Faltam 5 dias para fazer anos. Para finalmente encerrar a trágico-comédia que foi a minha quadragésima quarta revolução solar. Cortes, mudanças, transições, separações, sempre a bombar do princípio ao fim.
No meio da tempestade que parecia primeiro ter acalmado mas que afinal só tinha mudado a sua geografia, lembrei-me em Maio que há 3 anos estava na Índia. E que sai de lá convencida que um brinco no nariz não só me ia ficar bem como me fazia falta tê-lo. Quando cheguei disse que o ia por. Mas adiei e fui adiando.
Não sei porque é que faço isso mas é uma mania minha, a de adiar as coisas. Principalmente aquelas que quero mesmo fazer. Demorei anos até fazer pela primeira vez o caminho de Santiago, raramente compro por impulso ou desejo o que quer que seja. Pondero, pondero e pondero e depois as horas, transformam-se em dias, os dias em semanas, as semanas em meses, e os meses em anos.
E de repente um maio quente no sul da Ásia deu lugar a um princípio de julho escaldante em paço D’arcos. Uma vida deu lugar a outra completamente diferente mas entre uma coisa e outra eu continuei sucessivamente a olhar para o espelho e a achar que me faltava ali um brinco no nariz.
Amanhã vou de viagem. Não gosto muito (nada, para ser sincera) de festejar o meu aniversário mas este ano solar merece um encerramento à altura.
Já tinha dado um prazo a mim própria: até ao próximo aniversário, a minha prenda de mim para mim. E portanto, ou era hoje, ou já não era. Podia não ter sido, esteve mesmo, mesmo para não ser.
Mas como nos últimos tempos me tem relembrado que nada é garantido, que tudo muda, e que há planos que se afundam e morrem quando sem dar-mos por isso as circunstâncias da vida nos escorrem por entre os dedos.
Levantei-me.
Fechei o atelier e fui furar o nariz.
E agora estou feliz! Verdadeiramente feliz!