01/06/2026
Continuas a existir cá dentro. Não desapareceste. Falas comigo em tantos momentos. Houve alguns em que me pediste colo e eu não te quis ouvir. Fugi de ti. Talvez porque ouvir-te, significava ter que lembrar, enfrentar todas as feridas que carregas contigo e que em desespero, esperavas para serem acolhidas em vez de ignoradas, colocadas de lado, como se não tivessem dignidade para fazerem parte de nós. E se fizessem, teria que reconhecer que estarias quebrada. E como lidar com isso e, com o medo e o sentimento de que te poderia faltar valor? E sem valor, acreditámos que não haveria amor.
Não poderíamos estar mais longe da verdade.
Demorou, foi e talvez continua a ser difícil, mas finalmente compreendi que só existe um caminho. O de regresso a ti e ao amor que nos une. Porque amar-te nunca me pareceu tão bem. Para o bem e para o mal.
Finalmente estou aqui, com todas as nossas partes.
Cresci, tenho mais consciência, mais presença, mais voz e mais capacidade de te proteger. Talvez eu não consiga mudar o que viveste, mas posso mudar a forma como te recebo sempre que a vida te toca nessas feridas antigas.
Agora posso parar, escutar e perguntar: “O que estás a sentir? Do que precisas? Onde é que isto te magoou antes?” Posso acolher as tuas dores sem pressa de as silenciar ou de fugir.
Posso dar-te colo, contenção, proteção, ternura e atenção. Posso lembrar-te que, o que quer que te tenha acontecido, não define nada do és e do amor que mereces receber.
Levo-te comigo para a vida. Posso permitir-te brincar, rir, descansar, dançar, descobrir lugares bonitos, sentir o encanto e a magia das pequenas coisas. Viver experiências que te façam feliz.
Talvez seja esta a maior vantagem de se ser adulta: poder voltar a ti. Não para ficar presa ao passado, mas para garantir que aprendi a trazer-te comigo de uma forma mais segura, mais amada, mais livre e mais inteira.
Feliz dia da criança, pequenina!
Que jornada tem sido a nossa 🎢❤️!
(Imagem criada com IA)