07/07/2020
Espiritualidade, Ser Espiritual e Trabalhar com a Espiritualidade
Ser espiritual não é dizer gratidão, grata ou namastê só porque é moda e o velhinho obrigado caiu em desuso, o ser espiritual é sentir o amor no coração independentemente da palavra usada. Quanto não vale muito mais um obrigado sentido, do um namastê vazio.
Ser espiritual não se resume a palavras, ser espiritual parte do sentir, do sentirmos em nós a vida como ela realmente é.
Não é fingirmos que tudo é perfeito e obrigarmo-nos a sentir só paz e amor, é permitirmo-nos sentir todas as emoções que pertencem ao ser humano e que sempre fizeram parte dele e aprendermos com elas, conhecermos a nossa mente e o nosso corpo, é abraçar a emoções menos positivas quando elas nos chegam, perceber o que nos querem dizer e deixá-las ir depois da lição aprendida. Não é tornarmo-nos um boneco programado para apenas estar permanentemente em estado de graça, mas depois sentir um vazio interior infinito.
Não é não ter provas na vida, ou fazer de conta que não se as tem, é tê-las e descobrir o nosso melhor lado com elas.
Não é sentirmo-nos melhor que os outros, acharmo-nos superiores e andarmos na rua como se tivéssemos o rei na barriga e um torcicolo no pescoço porque parece que não conseguimos mexer a cabeça, não, não é isso a espiritualidade… a espiritualidade é falarmos e agirmos da mesma forma com o rico, com o pobre, com o velho, com o novo, com o conhecido, com o amigo ou com o desconhecido. É termos a gentileza na alma e no coração e não apenas no bolso para a usarmos quando nos dá jeito.
A espiritualidade não é dizer que sim a tudo porque f**a mal ou para não ofender o outro, não… a espiritualidade é sabermos dizer que não quando algo ou alguém nos agride, ou quando simplesmente não queremos fazer algo. Não é dar a face mil vezes e deixar que o outro nos use e abuse sempre que desejar, não… é sim, valorizarmos o nosso ser e sabermos que não somos menos do que todos os outros. A espiritualidade não é seguir alguém cegamente como se a pessoa fosse a luz ao fundo do túnel, não… A espiritualidade é encontramos a nossa luz e segui-la pois não há melhor guia do que a nossa luz.
Não, a espiritualidade não é trabalhar de graça, é cobrar um valor justo pelo trabalho que se faz, não impondo terapias e sessões ao outro só porque nos dá jeito o dinheiro e não pelo bem deste, é servir com a alma e com o coração dando o melhor de nós para o melhor do outro.
A espiritualidade é saber deixar ir aquilo que já não nos faz sentido, mas manter bem perto o que nos enche o coração. É sabermos mudar de caminho quando o sítio onde estamos já não nos faz sentido e não nos deixarmos ir com a manada ou pela manada, só porque sim ou porque acham saber o que é melhor para nós.
É aceitar as diferenças e sorrir com as coincidências.
Por isso ser espiritual não é criamos uma personagem que fazemos passar ao outro, é aceitarmos o que somos, com todos os dons, qualidades e defeitos, com todas as provas e alegrias e sentirmos que independentemente do que se passe a nossa vida faz sentido. Quando assim é o nosso coração bate rápido, a nossa alma resplandece de alegria e a vida segue com um sorriso no rosto e aí sim com a gratidão no coração.
Faz terapias se te fizer sentido, procura aconselhamento se assim sentires, medita, faz yoga… mas faças o que fizeres, faz porque a alma e o coração assim te pedem e não apenas porque é só mais uma moda e muito menos esperando a plena perfeição de quem apenas é um instrumento do divino para te auxiliar na tua caminhada… Ele (a) não é mais do que tu… é exatamente como tu.
Texto Escrito por Marilia Viegas
Imagem Retirada da Net