GAP - Gabinete de Apoio Psicológico

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22/08/2026

Nem parece que és psicóloga.
Lembro-me de ouvir esta frase do meu pai numa altura em que eu estava a descobrir-me enquanto mãe.
E, durante muito tempo, acho que fiquei com a ideia de que, por ser psicóloga, talvez não pudesse sentir determinadas coisas.
Como se soubesse demasiado para me sentir perdida. Como se devesse saber sempre o que fazer. Como se o cansaço, o medo, a ansiedade ou a solidão não me pudessem tocar.
Mas a maternidade não nos prepara para aquilo que acontece depois do nascimento.
Toda a gente pergunta pelo bebé. Se come. Se dorme. Se está bem. Se ganhou peso.
E a mãe?
Quem pergunta se ela está bem? Quem lhe dá colo? Quem lhe diz que é normal não se reconhecer? Que aquelas primeiras semanas podem ser duras, desafiantes e, tantas vezes, profundamente solitárias?
Estamos preocupadas com um ser pequenino que depende de nós para tudo… enquanto, ao mesmo tempo, estamos a descobrir uma versão de nós que ainda não conhecemos.
E talvez seja por isso que hoje, no meu gabinete, tenho um olhar tão diferente para as mães.
Porque não olho para elas apenas como psicóloga.
Olho também como mulher. Como mãe. Como alguém que sabe que, por vezes, a mãe também precisa de colo.
E se estás a viver essa fase agora, quero que saibas uma coisa:
Não precisas de estar sempre bem. Não precisas de saber tudo. E não precisas de deixar de ser tu para seres uma boa mãe.
Às vezes, a mãe também precisa que alguém cuide dela.

Talvez porque ser psicóloga nunca me tornou imune a ser humana.

19/08/2026

O paradoxo dos irmãos: passam o dia a discutir por tudo e por nada, mas se um desaparece durante 20 minutos… já estão os dois à procura um do outro.
Irmãos: amor em modo guerra
Eu vi uma influencer a dizer: ‘Eu nunca vou entender porque é que os meus filhos estão sempre a ralhar um com o outro!
E eu pensei: minha senhora… bem-vinda ao clube! 😂
Porque eu tenho duas filhas, uma de 4 e outra de 8, e é exatamente igual.
É "ela mexeu", "ela olhou", "ela está no meu lugar", "ela respirou perto de mim"…
E nós, pais, ficamos a pensar: mas vocês não se podem dar bem cinco minutos?
Só que depois acontece uma coisa maravilhosa…
Se uma sai de casa, a outra pergunta logo: "Quando é que ela volta?"
Se uma está triste, a outra aparece.
Se alguém de fora diz alguma coisa à irmã… aí já são melhores amigas desde o nascimento.
E é isto que eu acho tão curioso nos irmãos: podem passar o dia inteiro a chatear-se, mas existe ali um vínculo que não desaparece.
Talvez porque discutir também faça parte de aprender a negociar, a ceder, a lidar com a frustração… e, acima de tudo, a perceber que podemos amar muito alguém e, ainda assim, achar essa pessoa completamente irritante.
Irmãos: o amor mais bonito… com a maior quantidade de discussões por metro quadrado.
Quem vive esta maravilhosa dualidade?

16/08/2026

Porque é que achamos normal acordar cedo num domingo para ir ao cabeleireiro, mas achamos estranho ir ao psicólogo? Está foi a minha reação quando ouço:
Domingo, 9h. Tenho consulta no psicólogo.
😮 Mas… ao domingo?
Porque é que cuidar do cabelo ao domingo é normal, mas cuidar da nossa saúde mental parece estranho?
Talvez porque ainda associemos a psicologia a algo que fazemos quando já não conseguimos mais.
Mas a terapia também é cuidado. É prevenção. É espaço. É saúde.
E se para algumas pessoas o único horário possível é um domingo, porque é que isso há de ser menos legítimo?
Trabalhar ao domingo não tira dignidade à profissão. Assim como procurar ajuda ao domingo não torna a terapia menos necessária.
Cuidar de nós não devia depender do dia da semana.
Tallvez o estranho não seja haver psicólogos a trabalhar ao domingo. Talvez seja ainda acharmos estranho alguém querer cuidar da sua saúde mental nesse dia.❤️

28/07/2026

A ideia não é transmitir que "o mundo está perdido", mas refletir sobre o facto de vivermos num contexto que muitas vezes promove o stress, a comparação, a pressa, o isolamento e a dificuldade em cuidar da saúde mental.
Como não adoecer num mundo tão adoecido?
A verdade é que vivemos numa sociedade onde parece normal estar sempre cansado, sempre ocupado, responder a tudo imediatamente, comparar-nos constantemente com os outros e viver sob pressão.
Quando digo que o mundo está adoecido, não estou a falar de todas as pessoas. Estou a falar de uma cultura que, muitas vezes, normaliza a ansiedade, o excesso de exigência, a falta de tempo para estar em família, a solidão, a dificuldade em colocar limites e a ideia de que o nosso valor depende daquilo que produzimos.
E a grande questão é: como podemos proteger a nossa saúde mental no meio disto tudo?
Talvez não consigamos mudar o mundo. Mas podemos escolher desligar quando precisamos, cultivar relações que nos fazem bem, aprender a dizer "não" sem culpa, estar mais presentes com quem amamos e lembrar-nos de que descansar também é produtivo.
Cuidar da saúde mental não é fugir da realidade. É criar recursos para viver nela sem perdermos quem somos.
Porque, num mundo adoecido, proteger a nossa saúde mental é um ato de coragem.

24/07/2026

A polémica do Cláudio Ramos: afinal, o problema é falar sobre obesidade... ou a forma como o fazemos?
A obesidade é uma doença e está associada a riscos importantes para a saúde. Negar isso não ajuda ninguém.
Mas existe outra verdade que também não podemos ignorar: dizer a alguém "eu acho que tu não és feliz assim" ou assumir que uma pessoa não pode ser feliz por causa do seu peso é diferente de falar sobre saúde.
Enquanto psicóloga, aquilo que mais me preocupa é que confundimos frequentemente preocupação com julgamento.
A vergonha não motiva mudanças. A culpa não cria hábitos saudáveis. E o estigma associado ao peso aumenta o sofrimento psicológico, a ansiedade, a depressão e, muitas vezes, conduz a comportamentos alimentares ainda mais desajustados.
Podemos defender a saúde sem humilhar quem vive com obesidade.
Podemos incentivar a perda de peso sem retirar dignidade à pessoa.
E podemos lembrar que uma pessoa pode estar a lutar diariamente contra uma doença que nós não conhecemos.
O foco não deve ser normalizar a obesidade, mas também não deve ser normalizar o preconceito.
Porque quando a conversa deixa de ser sobre saúde e passa a ser sobre o valor da pessoa, já não estamos a ajudar. Estamos apenas a julgar.
E a mudança acontece muito mais através da empatia do que da crítica.

21/07/2026

É só um dos exemplos , porque tem existido tantos outros.
Um jovem dança. A internet julga.
Um rapaz decidiu dançar. Uns sorriram. Outros criticaram. Outros gozaram.
Mas o que mais me chamou a atenção não foi a dança. Foram os comentários.
Vivemos numa sociedade onde pedimos aos jovens para serem autênticos, mas quando o são... somos os primeiros a julgá-los.
Quantos talentos ficam escondidos por medo da opinião dos outros? Quantos sonhos são abandonados por causa de um comentário? Quantos jovens deixam de ser quem são para tentarem caber nas expectativas dos outros?
Por detrás de um ecrã esquecemo-nos de que existe uma pessoa. Uma pessoa que sente, que lê e que pode guardar aquelas palavras durante anos.
Antes de comentar, pergunte-se:
O que vou escrever acrescenta alguma coisa ou apenas magoa?
Talvez o maior problema não seja um jovem que dança. Talvez seja uma sociedade que ainda tem dificuldade em aceitar quem tem coragem de ser diferente.
Porque, no fim, não há impossíveis... há várias possibilidades. ❤️
Que marca queremos deixar nos nossos jovens: a da coragem ou a do medo?

14/07/2026

Férias num hotel com tudo incluído. Há piscina, brincadeiras, animação... e chegou a hora da mini disco.
Enquanto dezenas de crianças dançavam, riam e criavam memórias, está uma avó sentada com os netos a fazer fichas da escola.
E a pergunta que me ficou foi: o que é que estamos a ensinar às crianças sobre as férias?
As férias não são apenas uma pausa da escola. São um tempo de desenvolvimento diferente. É quando aprendem a brincar, a conviver, a resolver conflitos, a experimentar coisas novas, a criar memórias com quem mais gostam.
Uma ou outra atividade de revisão pode fazer sentido. Mas transformar as férias numa extensão da sala de aula pode fazer-nos perder oportunidades que não voltam.
Daqui a uns anos, é pouco provável que uma criança se lembre da ficha de matemática que fez num hotel. Mas pode lembrar-se da dança com a avó, do mergulho na piscina, dos gelados ao final da tarde e das gargalhadas em família.
Porque também é assim que as crianças crescem.
E vocês, nas férias privilegiam as fichas ou as memórias?

08/07/2026

Hoje quando foi buscar as notas da minha filha do 2.º ano. Pensei numa coisa...
Nesta altura, muitos pais vão receber o resumo de um ano inteiro de trabalho dos seus filhos. Mas será que as notas dizem realmente quem eles são?
As notas mostram como a criança ou o adolescente desempenhou determinadas aprendizagens naquele momento. Não medem a criatividade, a empatia, a capacidade de resolver problemas, a persistência, a inteligência emocional ou a forma como ultrapassou dificuldades ao longo do ano.
É claro que devemos olhar para as notas. Elas dão-nos informação importante. Mas mais importante ainda é perceber o que está por trás delas: houve esforço? Houve evolução? Existem dificuldades que precisam de apoio? Ou talentos que merecem ser estimulados?
O momento de receber as notas não deve ser um momento de comparação ou de julgamento. Deve ser uma oportunidade para conversar, reconhecer o percurso e pensar no próximo passo.
Porque um boletim/ plataforma de avaliações resume um ano de escola,Não resume o valor de um filho.
Quando o seu filho recebe as notas, o que costuma valorizar primeiro: o resultado ou o percurso?

07/07/2026

🧠🍎 𝗝á 𝗲𝘀𝘁ã𝗼 𝗱𝗶𝘀𝗽𝗼𝗻í𝘃𝗲𝗶𝘀 𝗼𝘀 𝗻𝗼𝘃𝗼𝘀 𝗖𝗵𝗲𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗣𝘀𝗶𝗰ó𝗹𝗼𝗴𝗼 𝗲 𝗡𝘂𝘁𝗿𝗶𝗰𝗶𝗼𝗻𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗼 𝗣𝗿𝗼𝗴𝗿𝗮𝗺𝗮 𝗖𝘂𝗶𝗱𝗮-𝘁𝗲!

Se tens entre 12 e 35 anos, podes agora candidatar-te a apoio na área da psicologia ou da nutrição através desta medida promovida pelo IPDJ.

O objetivo é facilitar o acesso a cuidados de saúde, promover o bem-estar, a saúde mental e hábitos de vida mais saudáveis, garantindo um acompanhamento ajustado às necessidades de cada jovem.

✅ Pedido Cheque Psicólogo:
https://www.gov.pt/servicos/pedir-cheque-cuida-te-psicologia

✅ Pedido Cheque Nutrição:
https://www.gov.pt/servicos/pedir-cheque-cuida-te-nutricao

Investe na tua saúde. O primeiro passo pode começar hoje.

Acede ao video explicativo: https://www.youtube.com/watch?v=t4h12Wp1uxs

05/07/2026

Em termos do desenvolvimento, a maioria das pessoas apresenta o fenómeno da "amnésia infantil": é raro termos memórias autobiográficas estáveis dos primeiros anos de vida.
No entanto, mesmo quando não se lembram dos acontecimentos, as experiências continuam a influenciar o seu desenvolvimento emocional e a relação com os pais.
Os nossos filhos podem não se lembrar das férias que fazem hoje?
Muitos pais perguntam-me:Se ele é tão pequeno, vale a pena investir nestas experiências?
A resposta é sim.
Até aos 3 anos é muito difícil que as crianças guardem memórias duradouras. Entre os 3 e os 5 anos começam a surgir algumas recordações. E é, sobretudo, a partir dos 5 ou 6 anos que começam a criar memórias mais estáveis das férias, dos amigos que conheceram, dos locais que visitaram e dos momentos em família.
Mas há algo ainda mais importante: mesmo quando não se vão lembrar dos detalhes, o cérebro e o coração guardam aquilo que sentiram.
Cada momento de brincadeira, de atenção, de carinho e de tempo em família ajuda a construir uma base de segurança e confiança que os acompanha no crescimento.
Por isso, não pense apenas nas memórias que eles vão contar. Pense também na infância que está a ajudá-los a viver.

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