22/08/2026
Nem parece que és psicóloga.
Lembro-me de ouvir esta frase do meu pai numa altura em que eu estava a descobrir-me enquanto mãe.
E, durante muito tempo, acho que fiquei com a ideia de que, por ser psicóloga, talvez não pudesse sentir determinadas coisas.
Como se soubesse demasiado para me sentir perdida. Como se devesse saber sempre o que fazer. Como se o cansaço, o medo, a ansiedade ou a solidão não me pudessem tocar.
Mas a maternidade não nos prepara para aquilo que acontece depois do nascimento.
Toda a gente pergunta pelo bebé. Se come. Se dorme. Se está bem. Se ganhou peso.
E a mãe?
Quem pergunta se ela está bem? Quem lhe dá colo? Quem lhe diz que é normal não se reconhecer? Que aquelas primeiras semanas podem ser duras, desafiantes e, tantas vezes, profundamente solitárias?
Estamos preocupadas com um ser pequenino que depende de nós para tudo… enquanto, ao mesmo tempo, estamos a descobrir uma versão de nós que ainda não conhecemos.
E talvez seja por isso que hoje, no meu gabinete, tenho um olhar tão diferente para as mães.
Porque não olho para elas apenas como psicóloga.
Olho também como mulher. Como mãe. Como alguém que sabe que, por vezes, a mãe também precisa de colo.
E se estás a viver essa fase agora, quero que saibas uma coisa:
Não precisas de estar sempre bem. Não precisas de saber tudo. E não precisas de deixar de ser tu para seres uma boa mãe.
Às vezes, a mãe também precisa que alguém cuide dela.
Talvez porque ser psicóloga nunca me tornou imune a ser humana.